PS quer medidas céleres para travar proliferação das gaivotas no Porto

Problema das gaivotas mantém-se e por isso os vereadores do PS na Câmara do Porto vão propor ao executivo que concretize um plano de controlo da proliferação de gaivotas.

Os vereadores do PS na Câmara do Porto vão propor ao executivo que concretize um plano de controlo da proliferação de gaivotas, defendendo a execução de medidas rigorosas e céleres na resolução deste "grave problema de saúde pública".

A proposta a discussão na reunião do executivo de segunda-feira, hoje (05 de novembro) divulgada, refere que "ao longo dos últimos anos, a expansão das gaivotas na cidade do Porto é uma realidade confirmada por diversos estudos e iniciativas que têm envolvido a Área Metropolitana do Porto e, em particular, os concelhos da orla costeira".

Apesar dos esforços, sustenta o vereador socialista Tiago Barbosa Ribeiro, a proliferação de gaivotas no perímetro urbano do Porto "é hoje um grave problema de saúde pública", uma vez que estes animais - que estão perfeitamente integrados na cidade e reproduzem-se facilmente, sem predadores naturais - se alimentam sobretudo do lixo nas ruas.

Para além de causar sérios danos, por exemplo no edificado, o crescimento da população gaivotas é responsável por ataques a pessoas e animais de pequeno porte, bem como pela transmissão de doenças, ao serem identificados em vários estudos como "reservatórios de bactérias multirresistentes e agentes patogénicos".

O PS defende, por isso, que "é fundamental intervir de forma célere, evitando que este problema continue a alastrar-se no Porto, implementando medidas vigorosas - a título de exemplo - como o combate aos resíduos domésticos em sacos plásticos e a outro lixo na via pública, a par do recurso à falcoaria e à troca de ovos naturais por ovos artificiais".

A Área Metropolitana do Porto (AMP) lançou, em julho de 2020, um concurso público para elaboração de um plano de ação para o controlo da população de gaivotas em cinco municípios costeiros que incluiu a implementação de testes pilotos no terreno.

O procedimento, com o valor base de 135 mil euros, fixava em 12 meses o prazo de execução para a "elaboração do Plano de Ação para o Controlo da População de Gaivotas nos Municípios Costeiros da Área Metropolitana do Porto".

Na descrição sucinta do objeto do contrato, a AMP refere que com o plano de ação em causa pretende-se monitorizar as populações de gaivotas (Larus fuscus e Larus michahellis) na área de estudo, a avaliação dos padrões de reprodução de Larus michahellis e a avaliação de padrões de movimentação e alimentação da espécie neste território.

Este plano de ação visa ainda a implementação de testes piloto no terreno e a dinamização de campanhas de sensibilização destinadas à população em geral.

Em outubro de 2019, a AMP tinha já aprovado, a com abstenção do presidente da Câmara de Espinho, um protocolo de cooperação e comparticipação financeira com cinco dos 17 municípios da Área Metropolitana para a elaboração de um plano de ação para controlo das gaivotas.

O acordo foi celebrado com os municípios de Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia, que assumem os custos associados à realização deste estudo.

Em maio, a Lusa tinha já noticiado que as cidades costeiras que integram a AMP iam avançar com um plano para controlo das gaivotas, um projeto que inclui medidas junto de aterros sanitários, bem como a destruição de ninhos.

Esta é a segunda vez que a AMP pede um estudo sobre a população de gaivotas na área metropolitana. O alerta foi dado em 2008, pelo então presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP) Rui Rio, que à data afirmava que o forte crescimento do número de gaivotas na AMP ameaçava tornar-se uma praga nas cidades.

Este facto levou os autarcas a solicitar um estudo à Universidade do Porto que conclui que "a redução dos impactos negativos das gaivotas sobre o património e as atividades humanas só parece ser possível através da eliminação ou redução acentuada da disponibilidade de alimento para as gaivotas e da tentativa de exclusão destas de zonas de pouso (telhados, beirais, mobiliário urbano, etc)".

O estudo "Controlo da população de gaivotas na AMP", elaborado pelo Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), apresentava como solução mais barata, mais simples e mais eficaz restrição dos recursos alimentares às aves, alertando, contudo, que os efeitos desta medida iriam apenas ser sentidos "a longo prazo".

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