Fim da história para o último supermercado "de bairro"

O Mercado da Figueira, um pequeno supermercado localizado na praça do mesmo nome e sempre cheio de uma clientela heterogénea, é o último do seu género na Baixa. Tem fecho anunciado para agosto, em mais uma evidência daquilo que residentes apelidam de "monocultura hoteleira" e "leilão da cidade".

"Moro na Baixa há 40 e tal anos. Venho aqui ao Mercado da Figueira quase todos os dias. Os preços são bons - a única coisa mais cara que nos outros sítios é a banana - a fruta é boa, os legumes também, e têm bom peixe, não há em mais sítio na zona com peixe tão fresco. Tenho muita pena, vai fazer muita falta."

Joaquina Bento, 78 anos franzinos e mexidos, é uma habitué do número 10 da Praça da Figueira, o supermercado da cadeia Varn, mais conhecida pelos seus talhos (os donos, a empresa Vítor e Vítor, são produtores de carne) que ocupou em 2013 o espaço onde funcionava um comércio semelhante. Adotando o nome de Mercado da Figueira, em invocação do mercado de produtos alimentícios que ocupou a praça durante durante 150 anos, até ser desmontado e desativado em 1949, este supermercado "de bairro", o último do seu género na Baixa, está sempre cheio de um grupo heterogéneo de pessoas - em 2015, um dos gerentes da Varn, Rui Joaquim, assegurava a uma publicação da área que ali recebiam "mais de dois mil clientes por dia" - com relevo para os resistentes residentes de uma zona cada vez mais ocupada por empreendimentos turísticos e lojas dirigidas ao turismo.

Enquanto Joaquina fala ao DN, junto ao carrinho de venda de fruta que sinaliza a entrada do estabelecimento, passa um grupo de mulheres em vestes islâmicas. Como Maria de Fátima, de 76 anos, moradora da rua do Barão, junto à Sé, outra cliente assídua que se junta à conversa, terão, a partir de agosto, de encontrar outro local para fazer as suas compras de víveres. Este, como antes dele a generalidade das mercearias tradicionais, vai fechar.

"Há ali uma função social. Tenho observado que pessoas que não são turistas, mais pobres, mais velhas, vão lá tomar o pequeno almoço, e são muito bem tratadas pelos empregados. Vão ali igualmente pessoas que trabalham na zona, polícias, bombeiros. Porque é bom e a custos acessíveis."

Já está lá dentro anunciado. Do Mercado da Figueira, de acordo com o cartaz afixado no interior e a publicação efetuada a 5 de julho na página de Facebook da loja, fixando o fim para 20 de agosto, só ficará o talho, que abrirá no número 12B da mesma praça, um espaço muito mais pequeno. O resto - peixaria, frutaria, etc - desaparece. Assim o garante o gerente da loja (para quem a administração do grupo Varn, que o DN tentou repetidamente contactar, remeteu qualquer esclarecimento, apesar de mais tarde acabar por contradizer a informação dada por este seu funcionário - ver nota no final do texto) e vários dos 42 funcionários, muitos deles, como admitem amargamente, com o desemprego à vista. "Ao fim de oito anos aqui, vou para a rua", comenta um. "Dizem que não têm lugar para mim nas outras lojas, veja lá." Outra, que informa ir direta, graças à idade, para a reforma, lamenta: "Uma loja tão bonita e sempre cheia, não é? Faz dó."

Um desenlace que Miguel Coelho, o presidente da Junta de Santa Maria Maior, cuja sede se situa a uns 300 metros do Mercado da Figueira, confessa ao DN desconhecer e, "a ser verdade", lamentar. "Se de facto encerrar ficamos muito insatisfeitos. É mais uma loja com utilidade social que fecha neste território, se vier a acontecer... Só posso olhar com estupefação para a saída de um estabelecimento de referência que era muito útil para as pessoas da zona." Mas, considera, não há nada que a Junta possa fazer: "Quando há alteração de uso de um edifício a Câmara pede-nos parecer, mas não é vinculativo. E creio, não tenho a certeza, que sobre aquele edifício nada nos perguntaram."

"Uma brutal machadada para os não turistas"

A artista plástica Fernanda Fragateiro, 59 anos, que vive há mais de 10 anos ao virar da esquina, na Rua da Madalena, desenvolve a ideia de utilidade do Mercado da Figueira aflorada pelo presidente da Junta: "Há ali uma função social. Tenho observado que pessoas que não são turistas, mais pobres, mais velhas, vão lá tomar o pequeno-almoço a preços muito razoáveis, e são muito bem tratadas pelos empregados, que as conhecem e são muito simpáticos. Vejo muitas vezes essas pessoas levarem também o jantar. E vão ali igualmente pessoas que trabalham na zona, polícias, bombeiros, tomar o pequeno almoço e a almoçar. Porque é bom e a custos acessíveis."

Também ela cliente do supermercado pelas mesmas razões invocadas por Joaquina e Maria de Fátima - as outras lojas de produtos alimentícios da zona, incluindo dois Pingo Doces, um Amanhecer e dois Bom dia (do grupo Continente), não apresentam nem o nível de qualidade e preços do Mercado da Figueira nem o ambiente afetuoso de "loja de bairro" -, Fernanda Fragateiro vê o fecho anunciado como "uma brutal machadada para as pessoas que não são turistas", insurgindo-se: "É revoltante não existir qualquer política que salvaguarde a vida dos bairros. Porque assim a Baixa expulsa até os que vivem aqui, que deixam de conseguir ir ao café, ao restaurante. Deixa de haver lojas a que possam aceder, porque produtos, preços, tudo é dirigido para o turismo."

"Turismo" é, precisamente, a finalidade inscrita no edital afixado nos taipais brancos que rodeiam a entrada da loja e que anunciam, com alvará de 2019, uma obra de "ampliação" nos edifícios 10 e 11 da Praça da Figueira. A responsável, lê-se, é a empresa Investop - Gestão de imóveis SA, pertencente ao grupo de calçado Seaside, que tem como CEO Acácio Teixeira. Este é também dono da cadeia de hotéis My Story, que se propõe nos seus hotéis "contar histórias de Lisboa antiga", proporcionando "experiências genuínas".

"É tudo a 100 euros o metro quadrado. 300 metros quadrados, que é o que temos aqui, ficam por 30 mil euros por mês. Vimos um espaço ao pé da entrada do metro [do Rossio] com 150 metros quadrados pela qual pediam 13 mil euros de renda no primeiro ano, aumentando no segundo. É tudo exorbitante. Esta loja não dava prejuízo, longe disso, temos muitos clientes, mas este não é um negócio com margens que permitam pagar uma renda assim. É impossível."

A My Story Hotels já conta com uma unidade na praça, na esquina com a Rua dos Fanqueiros, e outra muito perto, por trás do quarteirão do Mercado da Figueira, na Rua dos Condes de Monsanto/Poço do Borratém. Duas das cinco que tem desde 2012 vindo a abrir na zona - no Rossio, Rua Augusta e Rua do Ouro. Artéria na qual o grupo de Acácio Teixeira, que proclama a Baixa como "uma paixão", inaugura também por estes dias um hotel de cinco estrelas.

De acordo com um funcionário da Varn que prefere não ser nomeado, a razão do fecho do Mercado da Figueira é o contrato de aluguer, de 10 anos, "terminar agora", e o grupo Seaside, que comprou o edifício já após a sua celebração, não o querer renovar. Ainda procuraram, garante o mesmo funcionário, um espaço na zona com as dimensões necessárias e um preço aceitável. Mas sem sucesso: "É tudo a 100 euros o metro quadrado. 300 metros quadrados, que é o que temos aqui, ficam por 30 mil euros por mês. Vimos um espaço ao pé da entrada do metro [do Rossio] com 150 metros quadrados pela qual pediam 13 mil euros de renda no primeiro ano, aumentando no segundo. É tudo exorbitante. Esta loja não dava prejuízo, longe disso, temos muitos clientes, mas este não é um negócio com margens que permitam pagar uma renda assim. É impossível."

Que histórias contará a praça dos sete hotéis?

Esta versão não coincide com a do Grupo Seaside (e virá, como se pode verificar na nota no final deste texto, a ser contraditada também pela administração da Varn). Este, em resposta escrita ao pedido de informação do jornal, garante que "o espaço onde funciona o atual Mercado da Figueira será mantido para área de supermercado incluído num espaço de restauração". E até que "o Mercado da Figueira será mantido conforme acordo verbal com os atuais inquilinos se assim o desejarem."

Mas o que querem estas afirmações dizer em concreto o Grupo Seaside não diz: questionado pelo DN quanto ao tipo de supermercado previsto para o espaço e com que dimensão, valências e clientela alvo, e em que consiste o "acordo verbal" referido, se se confirma que o contrato de arrendamento com a Varn está a terminar e se o valor pedido para uma eventual renovação é muito diferente do anterior, não dá mais sinal de si.

De resto, apesar de fazer questão de garantir que "o edifício [onde funciona o supermercado] estava bastante degradado", que estão "a reabilitar o imóvel, havendo inclusivamente uma análise das Entidades Competentes a salientar o risco de ruir, mantendo-se nas condições em que se encontrava", e que "as fachadas serão recuperadas conforme alçados e vãos pombalinos originais, entretanto violados no tempo e infelizmente descaracterizados", o Grupo Seaside não quis esclarecer qual o uso que pretende dar aos dois edifícios.

"O problema é o de toda a zona central da cidade: uma ausência de projeto, de ideia. A única lógica que percebemos na Câmara é: se dá dinheiro que se licencie, seja hotéis, seja tuk-tuks, seja trotinetas. Funcionam como uma espécie de leiloeiros da cidade."

O "diretor de operações" da cadeia My Story, Alfredo Tavares, contactado telefonicamente, também se fecha em copas quanto à possibilidade de os dois edifícios se destinarem a "ampliação" do Hotel My Story Tejo: "Temos uma obra, ainda não sabemos o que vamos fazer ali. E o supermercado não sei se vai fechar, continua aberto." A informação, proveniente de uma fonte que pediu para não ser identificada, de que os dois edifícios serão ligados ao hotel das traseiras, vai ao encontro do noticiado em outubro de 2015 no jornal Sol sobre os planos do Grupo Seaside para a Praça da Figueira: a junção do hotel Lisboa Tejo e da contígua Pensão Tomar e o objetivo de, "já a pensar em grupo maiores e no turismo de negócios", serem posteriormente "integrados outros dois edifícios para adicionar mais 100 quartos, num investimento total que rondará 25 milhões de euros."

A confirmar-se esta ampliação, tratar-se-á, como já referido, do segundo hotel do grupo na Praça da Figueira, onde existem já pelo menos outras quatro outras unidades hoteleiras em funcionamento (contando com os apartamentos turísticos The Visionaire, que ocupam o número 5), estando previstas pelo menos mais duas, uma no edifício onde está a Confeitaria Nacional, e outro no quarteirão da antiga pastelaria Suíça. Assim, ao todo e contando só com o existente e o anunciado, esta praça albergará no mínimo sete unidades hoteleiras. Que histórias contará a Baixa aos turistas quando só ali houver hotéis?

A loja de bairro e a construção da comunidade

Fernanda Fragateiro suspira: "Estamos a assistir à transformação da Baixa numa unidade hoteleira. Até já houve quem me dissesse que foi mesmo decidido assim, que é para ser uma monocultura."

O anunciado encerramento do Mercado da Figueira é, crê, também um resultado dessa visão da zona.

Haverá, claro, quem pergunte qual o problema de fechar um supermercado, que falta faz se há outros na zona. Que falta fazem as lojas de bairro, as antigas mercearias, os velhos supermercados e os mercados tradicionais (como o que existia na Baixa, no edifício precisamente denominado de Mercado do Chão do Loureiro, e que fechou na última década do século XX), que falta faz a fruta nacional, o peixe fresco a preços razoáveis, poder ligar a saber o que há no dia e mandar guardar isto ou aquilo, uma ideia de familiaridade. Não há comida à venda e cruzamentos sociais nos Continentes e Pingos Doces? Há, decerto. Porquê o drama, então?

Certo é que quem vive na zona e ali se abastece sente uma perda. Tal sucede porque há comércios que criam, estimulam, comunidade, que contribuem para um sentimento de bairro e se tornam indispensáveis, e outros com os quais não se criam laços. Em Onde a comunidade se pratica/Como os donos de lojas e os seus comércios constroem a vida social do bairro, de 2016, a socióloga Anne Steigemann, da Habitat Unit (centro de estudo sobre urbanismo) da Universidade Técnica de Berlim, estudou isso mesmo. Nas suas palavras, quis perceber e refletir sobre "esses lugares vulgares, pouco considerados, onde os citadinos contactam uns com os outros". As "janelas para a alma das cidades" de que fala a socióloga americana Sharon Zukin e que, segundo ela, contribuem para criar o seu "ecossistema cultural urbano".

"A Câmara tem uma coisa que são as lojas históricas, uma chancela de distinção com vista à conservação, mas nunca perceberam que há lojas não propriamente históricas que são necessárias para a vida do bairro. Cheguei a falar sobre isso com pessoas da autarquia, de como se poderia proteger esses comércios. Mas não se avançou."

Zukin aponta os mercados de vários tipos como, de entre tais lugares, os historicamente mais importantes. E explica: "Esses locais públicos [aqui entendidos como comércios, sejam lojas ou bares ou barbearias] são importantes porque são sítios em que os estranhos se misturam livremente (...). Como simultaneamente lugar e visão, sítio de encontro e palco social, os locais públicos permitem-nos conceptualizar e representar a cidade - criar uma ideologia da sua recetividade a estranhos, tolerância da diferença, e oportunidade para entrar numa vida social inteira, tanto cívica como comercial."

Locais geralmente ignorados, frisa Anne Steigemann, pela sociologia e planeamento urbanos, que tendem a não considerar o papel dos pequenos e médios negócios de bairro, o leque alargado de funções que desempenham na zona, oferecendo uma série de serviços e emprego e assegurando, direta e indiretamente, bem-estar social.

Essa já referida função social terá sido ainda mais evidente nos anos da pandemia: durante os confinamentos, quando tantos dos que vivem sós apenas saíam à rua para comprar víveres, as lojas de bairro como o Mercado da Figueira foram o único lugar onde se cruzavam com outras pessoas, trocavam umas palavras ao vivo e se sentiam um pouco mais acompanhados na distopia. Tornando ainda mais claro o contraste entre a impessoalidade das grandes cadeias, com a sua rotação apressada de funcionários, e o sentimento familiar, comunitário, de um pequeno supermercado.

A "cidade dos 15 minutos": teoria e prática

"A Câmara tem uma coisa que são as lojas históricas, uma chancela de distinção com vista à conservação, mas os responsáveis nunca perceberam que há lojas não propriamente históricas que são necessárias para a vida do bairro", analisa Fernanda Fragateiro. "Cheguei a falar sobre isso com pessoas da autarquia, de como se poderia proteger esses comércios. Mas não se avançou."

Não se avançou nem parece que se venha a avançar, a avaliar pelo ostensivo desinteresse do executivo camarário, a contrastar com um dos slogans de campanha do agora presidente Carlos Moedas - a "cidade dos 15 minutos".

A cidade dos 15 minutos é aquela na qual, num raio de distância - percorrido preferencialmente a pé, em sistemas de mobilidade suave e não poluente ou de transportes públicos - correspondente a esse espaço de tempo, os residentes têm acesso a tudo aquilo de que necessitam (com a alimentação, presume-se, à cabeça). Uma organização que contribui para a sustentabilidade e que, de acordo com estudos internacionais, está intimamente relacionada com a satisfação e apego citadinos.

"Meteram na cabeça um chavão que é: no centro da cidade já pouca gente mora. E os que restam são empecilhos. Fazerem a vida negra aos ainda resistentes não lhes tira o sono. Quem tem a capacidade de licenciar as coisas aparentemente fica feliz por ter uma Praça da Figueira que não vai ter moradores, o mesmo para o Rossio."

Mas vários telefonemas para o gabinete da vereadora do urbanismo, Joana Almeida, não lograram obter resposta para as questões, enviadas por email, sobre o uso previsto para os dois edifícios em obras, o projeto do executivo para a Baixa e as consequências práticas e simbólicas do fecho do último supermercado "de bairro" da zona, assim como sobre a possibilidade de o coração da cidade se transformar num contínuo de hotéis e lojas para turistas, no qual deixa de haver comércio dirigido aos residentes e estes se sentem indesejados e desprezados.

Em vez disso, ao fim de uma semana de insistência do DN o "departamento de marca e comunicação" da autarquia enviou um mail com a informação que qualquer passante pode ler no edital afixado nos taipais da obra: "Relativamente ao espaço do Mercado da Figueira, situado na Praça da Figueira, 10: para o prédio em causa e confinante (Praça da Figueira, 10-10B e Praça da Figueira, 11-11F), existe um pedido de licenciamento de obras de ampliação destinada ao uso de turismo com comércio. Relativo a este pedido, foi emitido em 19-02-2019 um Alvará de obras."

"Bela merda"

"Meteram na cabeça um chavão que é: no centro da cidade já pouca gente mora. E os que restam são empecilhos. Fazerem a vida negra aos ainda resistentes não lhes tira o sono. Quem tem a capacidade de licenciar as coisas aparentemente fica feliz por ter uma Praça da Figueira que não vai ter moradores, o mesmo para o Rossio."

A conclusão é do designer e ilustrador Vasco Colombo, 56 anos. A morar na Rua da Madalena vai para três décadas, Vasco é um dos veteranos do "grupo de vizinhos da Baixa" que se formou há sete ou oito anos para dialogar com as entidades autárquicas e efetuar sugestões e reclamações. O anúncio do fecho do Mercado da Figueira, que recebeu pelo grupo, deixa-o, como a todos os inquiridos, triste. "Eu já ia ali às compras antes da versão Varn, embora esta seja muito melhor. Compro lá essencialmente fruta e peixe, até porque cá em casa não gastamos muita carne. Quando ouvi pela primeira vez, há uns tempos, dizer que ia fechar nem acreditei, achei que era boato."

"Se de facto encerrar ficamos muito insatisfeitos. É mais uma loja com utilidade social que fecha neste território... Só posso olhar com estupefação para a saída de um estabelecimento de referência que era muito útil para as pessoas da zona."

Como Fernanda Fragateiro, o designer vê no desaparecimento da loja mais que uma perda pessoal, mais que uma disrupção na sua rotina, que terá de passar doravante por deslocar-se para fora do bairro, com o que isso implica de uma prática menos sustentável, para comprar determinados produtos. "O que sinto é que se afastarmos um pouco a lente, num plano mais aberto, o problema é o de toda a zona central da cidade: o de uma ausência de projeto, de ideia. A única lógica que percebemos na Câmara é: se dá dinheiro que se licencie, seja hotéis, seja tuk-tuks, seja trotinetas. Funcionam como uma espécie de leiloeiros da cidade. Parece que a única liberdade que conhecem é a de fazer dinheiro. Não me parece que seja essa a melhor maneira de gerir uma cidade." Ri, sarcástico. "Não sou contra o turismo, atenção. Sei como era a Baixa antes, vivo aqui há muito tempo. Mas estamos a chegar ao ponto de não retorno. Daqui a nada põem-se bilheteiras à porta e faz-se um parque temático."

Maria José Oliveira, investigadora e jornalista, moradora em Alfama há 19 anos que faz na sua conta de Twitter, com partilha de imagens e histórias, prova de amor à zona central da cidade, junta-se ao coro na tristeza e revolta: "O processo em curso de desertificação da Baixa é a maior desgraça da cidade". Para o fim do Mercado da Figueira, do qual se diz "cliente assídua, pelos seus ótimos produtos", estipula uma imprecação: "Bela merda".

Nota: Já após a conclusão deste texto, quando o DN solicitou ao grupo Varn autorização para efetuar fotos no interior do Mercado da Figueira, a recusa veio acompanhada de uma explicação contraditória com a informação anteriormente prestada pelo gerente da loja: "A Gerência da Varn Carnes não autoriza a realização de fotografias no interior da loja. Pois vai abrir uma loja ao lado mais pequena, e quando as obras do atual Mercado da Figueira terminarem irá abrir novamente. Não havendo algum interesse na reportagem pois existe um acordo de entre senhorio e inquilino."

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