Carnes da Montanha quer chegar às cantinas públicas

Marca que representa sete raças autóctones bovinas existentes em Portugal está a inovar oferta e explora novos mercados

Os produtores de sete raças autóctones de bovinos identificadas em Portugal encontraram um novo canal para fazer chegar as suas produções diretamente ao consumidor, através da loja online Carnes da Montanha. Vão lutar para que o produto chegue às cantinas públicas e assim estimule a preservação de um efetivo que é "muito mais do que carne", como descreve Idalino Leão, administrador da empresa.

A solução comercial foi encontrada durante a pandemia, para contornar os confinamentos da população, e tem a chancela da PEC Nordeste, uma empresa pecuária do grupo Agros, sediada em Penafiel.

Sem necessitar de grandes investimentos, a loja online tem uma técnica que trata da parte comercial e logística, mas conta com os 120 trabalhadores da PEC Nordeste para assegurar que qualquer encomenda chega ao destino em 24 horas no território nacional.

De certa maneira, os produtores das raças de vaca autóctones já estavam ligados ao grupo Agros, por via da produção leiteira ou para escoamento dos animais. Nas estruturas de Penafiel faz-se a transformação, embalamento e expedição das carnes.

Orgulhoso por poder exibir as nove medas de ouro atribuídas a produtos da Carnes da Montanha no último Concurso Nacional de Carnes Tradicionais Portuguesas, que se realizou em junho, em Santarém, Idalino Leão está agora empenhado em promover o consumo deste tipo de carne, sobretudo na esfera dos locais onde é produzida, e assim assegurar a subsistência de quem produz os animais.

Para tal, afirma que "o objetivo é convencer os municípios a usarem estes produtos sempre que nas ementas das cantinas públicas (hospitais, escolas, universidades) esteja previsto o consumo de carne de vaca", à semelhança do que já se pratica no município de Arcos de Valdevez, nesse caso, com a raça Cachena, do Gerês. "Queremos ver este exemplo replicado no resto do país."

Em abono da sua tese alega que haveria desde logo dois benefícios, "já sem falar na qualidade do produto": por um lado, "reduzia-se a pegada ecológica, devido à redução do transporte e, por outro, promovia-se o desenvolvimento local".

"Este projeto é muito mais do que carne", sublinha Idalino Leão, que é também o presidente da Agros e da Confagri. Explica que "o conceito da carne das raças autóctones é também território e sustentabilidade - económica, social e ambiental, tendo em conta que é uma atividade que contribui para a presença de pessoas nos locais onde os animais são criados".

Estamos a falar de raças certificadas, isto é, com a garantia do local onde são produzidas, do bem-estar animal e da proteção do ambiente. Muitas delas "residem" em parques naturais, em paisagens protegidas ou em territórios distinguidos pelas Nações Unidas. São elas: a Barrosã, a Cachena, a Jarmelista, a Marinhoa, a Maronesa, a Minhota e a Mirandesa.

"Temos um cliente alemão, um restaurante, que nos escolheu para poder anunciar e servir carne certificada proveniente de uma Reserva da Biosfera da UNESCO."

Neste momento, a Carnes da Montanha está a diversificar a oferta, apostando, por exemplo, nos hamburgers que resultam de um blend de várias raças, com 96% de carne e 4% pão ralado, sem sal, tendo por embaixador o chef Rodrigo Castelo.

Idalino Leão reconhece que, por efeito da seca e da inflação, há um reflexo no preço do produto, mas assegura que a carne continua a ter procura e até "clientes que não discutem o preço". Segundo o administrador, em Portugal, 60% dos clientes estão em Cascais, Oeiras e Ericeira, 20% no Algarve os restantes no resto do país.

Teresa Costa é jornalista do Dinheiro Vivo

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