Aplausos e agradecimentos marcam reabertura do Mercado do Bolhão

À Nossa Senhora da Conceição, a santa padroeira do Bolhão, a primeira a mudar-se para "abençoar" o centenário mercado, juntaram-se esta quinta-feira 79 comerciantes históricos, que durante mais de quatro anos venderam os seus frescos no mercado temporário.

Aplausos, lágrimas, vivas e muitos agradecimentos marcaram esta quinta-feira a reabertura do Mercado do Bolhão que, a par de inúmeras badaladas, anunciavam o regresso daquele espaço centenário à cidade do Porto, que tem como próximo "desafio" atrair clientes.

"Viva ao Bolhão", gritavam, em coro, vários comerciantes antes do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, assinalar a abertura do mercado com o toque do sino, às 08:00 em ponto.

Consecutivas batidas do sino e aplausos marcaram o regresso do histórico mercado que, desde março de 2018, sofreu uma obra de restauro "exigente".

"Muito obrigada, do fundo do coração", dizia uma vendedora ao presidente da câmara que, entre cumprimentos e agradecimentos, admitiu aos jornalistas, logo no início da visita, estar "comovido".

"É uma emoção difícil de conter porque estou com pessoas que ao princípio achavam que não era possível, que era mais uma promessa. Cumprirmos é sempre a sensação de que valeu a pena", disse.

A emoção de voltar ao espaço era visível tanto nos que ao Bolhão chamam de "casa", como aos que ali faziam as suas compras, como Aurora Silva, de 86 anos e natural de Custóias, no concelho vizinho de Matosinhos, que não perdeu a oportunidade de hoje estar presente na reabertura.

"Achei que nunca ia assistir a este momento", admitiu à Lusa enquanto limpava as lágrimas, visivelmente emocionada.

Entre bancas de fruta, legumes e flores, vários eram os que acompanhavam Rui Moreira, a quem, recorrentemente, os comerciantes agradeciam.

Lembrando que o restauro do mercado "demorou muito tempo" e que foram também "muitos os contratempos", o autarca salientou ser tempo de "a cidade apoiar o Bolhão".

"Até agora, nós fizemos todos os possíveis, os vendedores do Bolhão fizeram todos os possíveis. Agora, é altura de a cidade corresponder", afirmou, considerando que hoje começa o "segundo desafio": os portuenses irem ao mercado fazer as suas compras.

Neste primeiro dia de regresso a "casa", Alice Leitão, da queijaria do Bolhão, lamenta apenas não ter ficado no lugar de "sempre", no corredor central junto à entrada.

Contudo, "é sempre bom voltar", disse a vendedora, que ainda se está a habituar ao novo espaço e espera que os clientes regressem ao Bolhão.

Ainda que neste primeiro dia muitos dos clientes venham "só para ver", Paula Viana, da frutaria do Bolhão do Rui Silva, sabe que é "o primeiro de muitos" e tem uma certeza: "Vai correr muito bem, Deus é grande".

De volta à banca onde sempre vendeu e que já era da sua sogra, Paula não escondia a felicidade de estar de volta.

"Estou muito contente", admitiu.

Com "parte fundamental do Bolhão" - os comerciantes - a arregaçarem as mangas e voltarem ao trabalho esta quinta-feira, no espaço faltam ainda as lojas e restaurantes.

À Nossa Senhora da Conceição, a santa padroeira do Bolhão, a primeira a mudar-se para "abençoar" o centenário mercado, juntaram-se esta quinta-feira 79 comerciantes históricos, que durante mais de quatro anos venderam os seus frescos no mercado temporário.

Com 81 bancadas, 38 lojas e 10 restaurantes, o Bolhão acomoda os frescos no piso térreo e os restaurantes no piso superior. No exterior, ficarão as lojas e, no interior, haverá ainda espaço para acolher pequenos mercados temporários.

Alvo de uma obra de restauro "exigente", consignada a 15 de maio de 2018, o Mercado do Bolhão estava suportado por andaimes desde 2005, devido a um alegado risco de ruína que só não levou ao seu encerramento porque os comerciantes o impediram.

A empreitada de restauro e modernização foi adjudicada ao agrupamento Alberto Couto Alves S.A e Lúcio da Silva Azevedo & Filhos S.A, por 22,379 milhões de euros, contudo, veio a custar mais 15% do que inicialmente previsto, passando para cerca de 26,4 milhões de euros.

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), António Cunha, presente esta manhã na abertura do espaço, recordou que a obra "constitui o maior investimento financiado pelo Norte 2020, com um apoio de quase 15 milhões de euros de fundos europeus geridos pela comissão".

A pandemia da covid-19 e "várias vicissitudes" condicionaram a conclusão dos trabalhos - prevista para 15 maio de 2020 - e tornaram necessário o reajustamento do prazo por mais dois anos e quatro meses.

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