Durante 48 horas, 73 espaços públicos e privados vão abrir as portas para visitas guiadas ou de forma livre. E já este fim-de-semana que se realiza a 12.ª edição da Open House Lisboa sob o mote "Matérias Tempos", que pretende observar os tempos e histórias dos diferentes edifícios..A iniciativa dividiu os espaços por quatro categorias: lugares vazios urbanos; edifícios reabilitados; em ruínas; e outros que desde a sua criação não sofreram qualquer alteração. Estes foram escolhidos pelo atelier lisboeta Embaixada, liderado por Cristina de Mendonça, Nuno Griff e Paulo Albuquerque Goinhas..Durante o fim-de-semana espera-se que um total de 20 mil pessoas participe na Open House. "O que incentivamos é fazer as visitas de bicicleta. O que se procura fazer é escolher um sítio que se quer muito visitar e, depois, ver os sítios que estão ali à volta", disse Sara Battesti, Diretora de Comunicação da Trienal de Lisboa, durante a visita com DN..Foi uma oficina de carros, uma serralharia, um armazém de material elétrico e, agora, é o atelier de arquitetura Noz . As antigas fachadas opacas foram transformadas em paredes de vidro com uma ligação para o exterior e este é um dos locais enquadrados na fase de reabilitação que vai estar disponível para visita a partir de amanhã.."Antes da transformação, este espaço parecia quase uma cave porque não tinha luz natural e estava com um clima muito húmido. O objetivo era termos em todas as divisões contacto com o exterior", disse ao DN a arquiteta Inês Sousa, responsável pelo atelier..Durante a visita será possível ver como era o espaço anteriormente nos computadores na área de trabalho, bem como ter uma experiência de realidade virtual com equipamento próprio que permite navegar pelo atelier. Além disso, os visitantes vão receber de oferta uma pequena noz feita numa impressora 3D..Outro edifício de portas abertas será a Galeria Quadrum, construída nos anos 70 do século passado, que integra o espaço do antigo Palácio dos Coruchéus (atualmente uma biblioteca). A Quadrum foi um laboratório de arte experimental e, hoje, inclui um espaço expositivo e 50 ateliers de artistas. Estará aberta para visita durante a Open House e tem em exibição a exposição de fotografia Faro-Oeste (de Pauliana Valente Pimentel) que tem como pano de fundo a comunidade cigana. Sobre o espaço, Sara Battesti destaca a forma como a galeria integra "muito bem o espaço exterior e faz a ligação com a biblioteca"..Nesta edição da Open House será também possível visitar uma antiga fábrica de curtumes, com um palacete que servia de escritório, e que agora está em transição para um complexo de 31 apartamentos. A obra está em curso na Travessa da Horta Navia (neste caso todos os visitantes terão de usar capacetes e coletes refletores) e pretende reabilitar o lado do palacete, reconstruir a fábrica e manter a sua fachada original. Um dos apartamentos terá um terraço com piscina e outro conservará no teto os desenhos originais feitos a gesso. "O que veio para as nossas mãos estava bastante ruinoso. No interior do palacete, a água entrou pelo telhado e estragou tudo. Estamos também a reconstruir a parte da antiga fábrica", explicou o arquiteto da obra, António Costa Lima..O património histórico também faz parte da iniciativa. Um dos exemplos é a Igreja de São Domingos, no centro de Lisboa, que data do século XIII. O monumento foi restaurado pela última vez em 1994, tendo sido tomada a decisão de deixar visíveis nas paredes as marcas do incêndio de 1959. Anteriormente, a Igreja foi reconstruída por Carlos Mardel, depois do terramoto de 1755.."A igreja representa o momento da ruína e da reabilitação e tem muitos tempos e histórias sobrepostas", explicou a arquiteta Cristina Mendonça. A Igreja faz parte de um dos quatro percursos urbanos do evento que começa nos Jardins da Gulbenkian e termina nesta igreja..As visitas da Open House são gratuitas e, na sua maioria, não necessitam de marcação (funcionam por ordem de chegada). A lista completa de espaços a visitar pode ser consultada no site trienaldelisboa.com..mariana.goncalves@dn.pt