Vereador diz que nova construção na colina da Graça não prejudica vistas e preenche vazio

Vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa defende projeto "Terraços do Monte", que prevê habitação de luxo na rua Damasceno Monteiro

O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Ricardo Veludo, defendeu esta terça-feira que projeto "Terraços do Monte", que prevê habitação de luxo na rua Damasceno Monteiro, não prejudica o sistema de vistas e preenche "um vazio" existente naquela zona.

O autarca falava na reunião plenária da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), que decorreu esta terça-feira por videoconferência, no âmbito da discussão de uma petição intitulada "Oposição ao Projeto Terraços do Monte na Colina da Graça", na freguesia de São Vicente.

A discussão do projeto de arquitetura deste empreendimento chegou a estar agendada para uma reunião da autarquia no final de 2018 - altura em que Manuel Salgado ainda estava à frente da pasta do Urbanismo - mas acabou por ser adiada.

Entretanto, em outubro do ano passado, a proposta foi aprovada pelo executivo municipal, liderado por Fernando Medina (PS), após algumas alterações.

Apesar da aprovação em câmara antes da discussão da petição e da recomendação da Comissão Permanente de Urbanismo da AML, Ricardo Veludo (independente, eleito pelo PS) garantiu que o projeto de arquitetura "levou em consideração aquilo que foi objeto de discussão" por aquele grupo de trabalho e as questões levantadas pelos peticionários.

Sobre a questão das vistas, o vereador disse não conseguir "acompanhar que haja esse impacto negativo", realçando que "o projeto cumpre as regras urbanísticas e constitui efetivamente uma valorização para completar aquele vazio" que considera existir na zona.

A volumetria está "muito em linha com o preexistente" e as "cidades pressupõem existência de edifícios", considerou ainda.

Ricardo Veludo referiu também que a população tem "espaços públicos e jardins" a "uma distância a pé", dando como exemplos o jardim da Cerca da Graça, o Miradouro da Graça e o Miradouro da Nossa Senhora do Monte.

Minutos antes, o peticionário Filipe Estevão de Figueiredo criticou a "pouca informação" disponibilizada pela Câmara Municipal de Lisboa e defendeu que "o sistema de vistas foi ignorado pelo relatório da comissão" de Urbanismo e Ordenamento do Território da AML.

"Nós não somos contra construção nova. Somos contra este tipo de construções em zonas históricas que não têm falta de betão, mas sim de espaços ajardinados", salientou.

O deputado municipal Ricardo Moreira (BE -- partido que na câmara tem um acordo de governação com o PS) defendeu que, apesar das alterações feitas ao projeto inicial, entre as quais a relocalização das piscinas no telhado e colocação de uma cobertura ajardinada, o futuro empreendimento "continua a agredir a paisagem urbana daquele local".

"Não é o projeto ideal, mas é um projeto substancialmente melhorado", afirmou por seu turno o deputado do CDS-PP Diogo Moura.

Também o PCP saudou as melhorias efetuadas, mas criticou que a câmara tenha vendido aquele terreno em vez de criar "habitação pública, que continua a fazer muita falta na cidade".

O deputado do MPT José Inácio Faria defendeu que foram os peticionários que evitaram a construção de "uma muralha que ia tapar totalmente as vistas do Castelo de São Jorge, do Convento da Graça e do próprio rio Tejo".

O partido Ecologista "Os Verdes", através de Cláudia Madeira, notou que "é fundamental que se continue a acompanhar esta matéria", enquanto a eleita independente Teresa Craveiro acrescentou que o projeto "pode ser melhorado, pode ser visto e o sistema de vistas e a cidade 3D é fundamental".

Inês de Sousa Real, do PAN, lamentou a "volumetria excessiva para aquele local", considerando que a nova construção vai "penhorar as vistas".

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