Edifício que servia de centro para apoiar carenciados em Arroios foi emparedado

O edifício que estava a ser utilizado como um centro de apoio a carenciados, em Arroios, Lisboa, foi desocupado pela polícia.

O edifício que estava a ser utilizado como um centro de apoio a carenciados, em Arroios, Lisboa, e que foi alvo de um despejo na madrugada desta segunda-feira, estava a ser emparedado à noite.

De acordo com Bernardo Valares, um dos voluntários do Seara - Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara, contactado pelas 23:30 desta segunda-feira, uma equipa está "a emparedar o edifício com tijolos".

Questionado sobre as três pessoas que tinham permissão para pernoitar no edifício, na sequência de um entendimento alcançado com os proprietários, o voluntário explicou que essas pessoas apenas poderiam dormir no interior do prédio sob supervisão "de oito seguranças" e que optaram por não o fazer porque "sentiram-se intimidadas". Bernardo Alvares sublinhou ainda que "todas as instituições [de apoio a pessoas em situação de sem abrigo] falharam".

De acordo com um comunicado do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, que chegou ao DN cerca das 01:30, "os ocupantes acabaram por abandonar voluntariamente os imóveis e de seguida restituída a posse ao seu legítimo proprietário" após "uma demorada negociação promovida pela PSP", depois de vários confrontos ao longo do dia.

Ao final da tarde, várias pessoas ficaram feridas, incluindo três agentes da PSP, na sequência de uma tentativa de entrada no centro de apoio a carenciados, em Arroios, Lisboa, que foi alvo de um despejo durante a madrugada desta terça-feira.

A informação foi confirmada à agência Lusa por Bernardo Alvares, um dos voluntários do Seara -- Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara, que explicou que algumas pessoas "que pertenciam ao coletivo que estava a gerir o espaço" tentaram entrar no edifício, mas que o fizeram "de forma pacífica".

O voluntário acrescentou que viu duas pessoas ficarem feridas por causa de "uma investida" da polícia quando estavam a tentar entrar no edifício. Essas duas pessoas, segundo Bernardo Alvares, "seguiram numa ambulância" para uma unidade de saúde.

As pessoas começaram, entretanto, a sair do centro de apoio a carenciados e "estão a ser identificadas" pela PSP, acrescentou o voluntário.

Contactada pela Lusa, o porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, comissário Artur Serafim, referiu que três agentes ficaram feridos, assim como, pelo menos, outras duas pessoas, mas foram todos "assistidos no local".

A polícia explicou que algumas pessoas "descobriram uma entrada lateral" do edifício e "forçaram a entrada" para abrir as portas às restantes pessoas que aguardavam no exterior.

O voluntário contactado pela Lusa disse, no entanto, que tal não aconteceu.

Os feridos, explicou a PSP, resultaram da tentativa de entrada no edifício e da ação da polícia para o impedir.

O Seara -- Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara, em Arroios, foi criado por um grupo de pessoas que ocupou um antigo infantário abandonado e o transformou num centro de apoio de ajuda a pessoas carenciadas, incluindo sem-abrigo.

Quando ocuparam o espaço, os voluntários não sabiam quem eram os proprietários do imóvel, mas mais tarde descobriram que foi vendido a uma empresa de imobiliário e depois em parcelas a três pessoas que vivem no estrangeiro.

Os voluntários enviaram correios eletrónicos a várias entidades, entre as quais a Câmara Municipal de Lisboa e a PSP, a informar de que iriam ocupar o espaço e os motivos.

Esta terça-feira, pelas 05:00, foram alvo de um despejo.

A agência Lusa tentou contactar a empresa de segurança, mas ainda não foi possível obter um comentário.

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