Lhyfe inaugurou a primeira unidade mundial de produção de hidrogénio offshore

Projeto-piloto da empresa francesa representa um investimento de seis milhões de euros e pretende, até 2030, assegurar uma capacidade instalada de 3 gigawatts
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A Lhyfe, empresa francesa especializada na produção de hidrogénio e na qual a EDP Renováveis investiu 25 milhões de euros, acaba de inaugurar a primeira unidade piloto no mundo para a produção de hidrogénio verde no mar. A plataforma Sealhyfe fica em Saint-Nazaire, em França, e vai iniciar um período experimental de 18 meses, na costa de Le Croisic, no local de testes offshore operado pela Escola Francesa de Engenharia Centrale Nantes.

A Sealhyfe tem capacidade para produzir até 400 kg de hidrogénio verde por dia, o equivalente a 1 megawatt (MW) de potência, mas, até 2030-2035, o offshore "poderá representar uma capacidade instalada adicional de cerca de 3 gigawatts (GW) para Lhyfe", garante a empresa.

Na inauguração oficial da plataforma, que decorreu na manhã desta quinta-feira no porto de Saint-Nazaire, Matthieu Guesné, fundador e CEO da Lhyfe, lembrou os efeitos devastadores da seca, este verão, em França e por toda a Europa, sublinhando que as consequências do aquecimento global se vão continuar a sentir nas próximas décadas. Considerando que é preciso "abandonar a visão de curto prazo", este responsável sublinhou que os oceanos constituem uma "enorme oportunidade" nesta matéria, já que "absorvem 92% do aquecimento global".

O recurso ao investimento offshore como forma de descarbonizar os transportes e as indústrias é a solução, razão porque a empresa está a "investir massivamente" na produção de hidrogénio verde no mar. "Quanto mais longe da costa estivermos, mais energia haverá disponível", defende este responsável, sublinhando que esta tecnologia tem o potencial para "produzir 18 vezes mais do que o consumo mundial de energia". A tecnologia existe, garante, agora é preciso evoluir para a produção em escala industrial.

Recorde-se que a Lhyfe inaugurou, em setembro de 2021, a primeira produção de hidrogénio a partir de turbinas eólicas em terra e se prepara agora para "implantar suas soluções em toda a Europa". Mas diz-se convicta do "papel central" que o offshore tem a desempenhar "na massificação do hidrogénio verde". Sobretudo atendendo ao crescimento que o eólico offshore vem registando.

"O uso de turbinas eólicas offshore pode permitir que todos os países com litoral tenham acesso a hidrogénio verde renovável, produzido localmente e em quantidades industriais, para descarbonizar o transporte e a indústria", defende a Lhyfe, que agora se propõe, com esta unidade piloto, provar que tal é possível. Matthieu Guesné, fundador e CEO da Lhyfe, tem consciência das dificuldades a enfrentar e garante que "elevou voluntariamente" a fasquia ao instalar a sua unidade de produção numa plataforma flutuante, ligada a uma turbina eólica igualmente flutuante.

De entre os desafios a ultrapassar, a nova plataforma Sealhyfe terá, antes de mais, de conseguir efetivamente realizar todas as etapas da produção de hidrogénio no mar, ou seja, converter a tensão elétrica da turbina eólica flutuante, bombear, dessalinizar e purificar a água do mar e quebrar as moléculas de água por eletrólise para obter hidrogénio verde renovável, explica a empresa.

Mas terá, também, de gerir os efeitos no sistema do movimento da plataforma, ao mesmo tempo que terá de resistir à corrosão, aos impactos e às variações de temperatura que provocarão o envelhecimento prematuro das peças. Por fim, é suposto que funcione em ambiente isolado, ou seja, de forma totalmente automática, sem a intervenção física de um operador, exceto nos períodos de manutenção programada. A GEPS Techno, Chantiers de L"Atlantique, Central Nantes e Plug foram os parceiros técnicos envolvidos no projeto.

A nova plataforma ficará instalada, durante os primeiros seis meses, no cais do porto de Saint-Nazaire, para obter medições iniciais de referência e testar todos os sistemas (sistemas de dessalinização e refrigeração, comportamento da pilha, controlo remoto, gerenciamento de energia, resistência a condições, etc). Lá para março do próximo ano será levada para o largo, a cerca de 20 km da costa atlântica, e será ligada ao aerogerador flutuante, fixado ao solo por um sistema de âncoras e conectado ao hub submarino do local.

"No final deste teste, a Lhyfe terá um volume substancial de dados, o que deve permitir projetar sistemas de produção offshore maduros e implantar tecnologias robustas e comprovadas em larga escala, de acordo com o objetivo da UE de produzir 10 milhões de toneladas um ano de hidrogénio renovável até 2030", refere a empresa.

*a jornalista viajou a convite da Lhyfe

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