Zelensky não acredita que Putin use armas nucleares e acusa-o de querer "afogar a Ucrânia em sangue"

Em entrevista ao jornal alemão Bild, o presidente ucraniano diz não acreditar que o mundo permita que a Rússia utilize armas nucleares e diz que o líder russo tem "problemas com oficiais e outros militares". Já o ministro dos Negócios Estrangeiros considera que o Ocidente deve duplicar a ajuda a Kiev depois do discurso de Putin.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse esta quarta-feira à imprensa alemã que não acredita que a Rússia vai usar armas nucleares, depois de o presidente Vladimir Putin ter afirmado que Moscovo vai utilizar todos os meios para proteger o seu território.

"Não acredito que ele vá usar essas armas", disse Zelensky ao canal televisivo do jornal alemão Bild, referindo-se às armas nucleares. "Eu não acredito que o mundo vai permitir que ele use essas armas", acrescentou, ainda admitindo que há alguns "riscos".

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou esta quarta-feira uma "mobilização parcial" dos cidadãos do país, quando a guerra na Ucrânia está quase a chegar ao sétimo mês do conflito, numa mensagem dirigida à nação. A medida, que já entrou em vigor, é justificada com a necessidade de defender a soberania e a integridade territorial do país.

Zelensky disse ao Bild que "Putin quer afogar a Ucrânia em sangue, mas também no sangue dos seus próprios soldados" e que o discurso proferido pelo líder do Kremlin não é propriamente o seu "vídeo preferido", mas que o que foi anunciado não é novidade.

Segundo o presidente ucraniano, a mobilização parcial mostra que a Rússia tem "problemas com oficiais e outros militares". "Já sabemos que mobilizaram cadetes, pessoas que não sabiam lutar. Esses cadetes caíram, nem conseguiram terminar a formação. Todas essas pessoas não podem lutar. Vieram até nós e morreram", afirmou, frisando que Putin precisa de um "exército multimilionário" para derrubar a resistência ucraniana.

Apesar das declarações do presidente russo, Zelensky diz que não planeia cancelar a reconquista dos territórios ocupados pela Rússia. "Estou convicto de que libertaremos o nosso território", vincou, salientando que os referendos que vão ser realizados nas regiões separatistas são "referendos falsos" e que não serão reconhecidos por 90% dos países.

Numa das primeiras reações da Ucrânia à mobilização parcial decretada pelo presidente russo e noticiada pela agência de notícias ucraniana Ukrinform, Podolyak ironizou: "Ainda está tudo dentro dos planos, certo? A vida tem um grande sentido de humor".

"Mais sanções à Rússia. Mais armas à Ucrânia", pede chefe da diplomacia ucraniana

O ministro da Defesa russo, Sergey Shoigu, anunciou hoje a mobilização de 300 mil reservistas e reconheceu que o país perdeu 5.937 soldados durante a campanha na Ucrânia iniciada em fevereiro.

A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, está pronta a utilizar "todos os meios" ao seu dispor para "se proteger", declarou Putin, que acusou o Ocidente de procurar destruir o país.

O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba já veio dizer que o Ocidente deve duplicar a ajuda a Kiev depois das ameaças do presidente russo na sua comunicação ao pais, divulgada esta manhã.

"A única resposta apropriada às ameaças de Putin é duplicar a ajuda à Ucrânia. Mais sanções à Rússia. Mais armas à Ucrânia", escreveu na rede social Twiiter.

Kuleba afirmou ainda que as palavras devem gerar"mais solidariedade" para com os ucranianos, devem fazer com que mais empresas deixem a Rússia. O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano considera também que deve haver mais determinação para que a Rússia seja responsabilizada por esta guerra que dura há mais de meio ano. ​​

Notícia atualizada às 17:28

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