Putin fala de uma "ameaça inaceitável" na Ucrânia. Zelensky chama-o de "louco"

"Nós vencemos (em 1945) e venceremos agora", afirmou o presidente ucraniano no dia em que a Rússia celebra o Dia da Vitória. Em Moscovo, Putin justificou a ação militar na Ucrânia ao referir que se trata de um ataque "preventivo" perante uma ameaça da NATO e do Ocidente. "Uma medida necessária e a única possível", declarou.

Enquanto se celebrava o Dia da Vitória na Praça Vermelha, em Moscovo, e o presidente russo Vladimir Putin justificava a ação militar no país vizinho, o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky divulgava um vídeo, no qual avisava que a Ucrânia "não vai deixar" que a Rússia se aproprie da vitória contra o nazismo.

"Nós vencemos (em 1945) e venceremos agora", acrescentou Zelensky referindo-se à última invasão sobre o território ucraniano e que começou no passado dia 24 de fevereiro.

Esta segunda-feira, a Rússia assinala o 9 de maio, o dia da capitulação da Alemanha nazi, em 1945, com as tradicionais paradas militares em Moscovo, uma tradição política e militar que se mantém desde o período do regime soviético.

"Temos orgulho dos nossos antepassados, que como outros povos, no âmbito da aliança anti-hitleriana, venceram o nazismo. Não vamos deixar que ninguém venha anexar essa vitória e se venha a apropriar dela", disse Zelensky através de um vídeo que está a ser divulgado nas redes sociais.

As imagens mostram o chefe de Estado da Ucrânia hoje na principal avenida de Kiev.

O chefe de Estado ucraniano disse ainda esta segunda-feira que "em breve haverá 'Dias da Vitória' na Ucrânia", referindo-se à derrota da Alemanha nazi em 1945.

"Só um louco pode repetir o que aconteceu na Segunda Guerra Mundial e todos os que repitam os crimes que ocorreram na época está a imitar a filosofia nazi", disse Zelensky, referindo-se a Putin, num discurso publicado hoje no portal oficial a propósito do dia em que se assinalam os 77 anos do "Dia da Vitória contra a Alemanha Nazi"

Na Ucrânia "estamos a lutar por uma nova vitória", no sentido de parar a invasão que a Rússia lançou contra o país no passado dia 24 de fevereiro, afirmou Zelensky.

O chefe de Estado ucraniano reconhece que o "caminho está a ser difícil", mas mostrou-se confiante no "triunfo".

Na mesma mensagem, Zelensky disse ainda que o território ucraniano já viveu muitas guerras mas que nenhum inimigo conseguiu "ficar", sublinhando que "não há nenhum invasor que possa governar o povo livre da Ucrânia".

Putin justifica ação militar na Ucrânia devido a uma ameaça da NATO e do Ocidente

Em Moscovo, no seu discruso do Dia da Vitória, Vladimir Putin afirmou que as tropas russas e as milícias de Donetsk e Lugansk lutam pela sua pátria, para que ninguém se esqueça das lições da Segunda Guerra Mundial e "não haja espaço para os nazis".

"Hoje, as milícias do Donbass, juntamente com o exército russo, estão a lutar nas suas próprias terras (...). Agora dirijo-me às nossas tropas e milícias em Donbass: estão a lutar pela sua pátria, pelo seu futuro, para que ninguém esqueça as lições da Segunda Guerra Mundial, para que não haja espaço para os nazis", disse Putin, no seu discurso na Praça Vermelha, já disponibilizado pelo Kremlin.

Disse que o exército da Rússia combate na Ucrânia para defender a pátria de uma "ameaça inaceitável" do país vizinho apoiado pelo Ocidente.

Perante milhares de soldados que participam no tradicional desfile do Dia da Vitória, que assinala a vitória sobre a Alemanha nazi em 1945, Putin disse que o exército da Rússia combate na Ucrânia para defender a pátria de uma "ameaça inaceitável" do país vizinho apoiado pelo Ocidente.

"O nosso dever é recordar aqueles que esmagaram o nazismo (...) e fazer todos os possíveis para que não se repita o horror de uma guerra mundial", disse ainda Putin na mesma intervenção perante os militares no centro de Moscovo.

Putin, que falava no discurso por ocasião do 77.º aniversário da vitória soviética sobre a Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial, disse ainda que a ação militar da Rússia na Ucrânia é uma resposta oportuna e necessária às políticas ocidentais.

Disse que a Rússia levou a cabo um ataque "preventivo" na Ucrânia, perante uma ameaça da NATO e do Ocidente considerando que foi uma medida necessária e a "única possível".

"Vemos como se mobilizaram as infraestruturas militares, como centenas de especialistas estrangeiros trabalharam na Ucrânia e como os estavam a abastecer com armamento da Aliança Atlântica", disse Putin.

"O perigo estava a crescer todos os dias. A Rússia realizou uma resposta preventiva, foi uma medida necessária e a única possível nesta situação. Foi uma decisão de um país soberano, forte e independente", justificou.

Antes do discurso, decorreu o desfile por ocasião do 77.º aniversário da vitória soviética sobre a Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial, na Praça Vermelha, que não contou com a presença de nenhum presidente estrangeiro, uma vez que a "operação militar especial" foi condenada pela maioria da comunidade internacional.

O Kremlin argumentou que não convidou nenhum líder estrangeiro porque não se trata de um "aniversário redondo", escreve a agência Efe.

O Dia da Vitória, feriado mais importante do ano na Rússia, conta com a presença de unidades que participaram da guerra que eclodiu em 24 de fevereiro na Ucrânia.

Cerca de 11.000 soldados participaram do desfile, aos quais se somaram 131 equipas militares e 77 aviões e helicópteros, número que coincide com o aniversário da vitória sobre as tropas de Hitler.

A coluna motorizada foi liderada pelo lendário tanque T-34, que devastou as fileiras alemãs durante o que ficou conhecido como a Grande Guerra Patriótica, e também inclui o tanque Armata de nova geração.

Também foram mostrados no desfile os sistemas de mísseis táticos Iskander e as baterias de mísseis antiaéreos S-400, Buk-M3 e Tor-M2.

A parte aérea do desfile, do qual participariam combatentes, bombardeiros e helicópteros, foi cancelada devido às más condições climatéricas, segundo Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, das quais mais de 5,5 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Notícia atualizada às 11:55

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