UE discute escalada dos preços da energia

A escalada dos preços da energia será o tema dominante no debate da cimeira europeia em Bruxelas.

Os 27 reúnem-se hoje em Bruxelas, com o debate sobre o aumento dos preços da energia a marcar o arranque dos trabalhos.

Na habitual carta convite que endereçou aos chefes de Estado ou de governo, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel sublinha que a recente escalada dos preços "está a desafiar a recuperação pós-pandemia e a afetar gravemente cidadãos e empresas".

"Com base na recente comunicação da Comissão, analisaremos de perto o que pode ser feito ao nível da União Europeia e a nível nacional, tanto em termos de alívio a curto prazo para os mais afetados, como de medidas a médio e longo prazo", refere Charles Michel.

Ao que o DN apurou, os 27 deverão expressar o apoio às medidas propostas pela Comissão Europeia, defendendo ajuda a curto prazo aos consumidores mais vulneráveis e apoio às empresas europeias. Espera-se que o Conselho defenda medidas de médio prazo, que tornem a "energia acessível".

A "toolbox" para combater os preços da energia é bem acolhida no Parlamento Europeu, mas é vista como insuficiente. A deputada Maria da Graça Carvalho (PSD), da comissão parlamentar de Indústria, Investigação e Energia esperava mais da comunicação que a Comissão Europeia leva hoje ao Conselho Europeu. Por exemplo, que inclui medidas para a classe média, mas "isso falta".

Nesse sentido, a deputada considera que "a curto prazo, e numa forma temporária, até termos energias acessíveis, acho que os Estados-Membros, e nomeadamente em Portugal, deveria haver uma redução dos impostos".

O eurodeputado Carlos Zorrinho (PS), membro da comissão parlamentar de Indústria, investigação e Energia defende que "é preciso trabalhar numa menor dependência da União Europeia de alguns mercados, nas interconexões, num mercado de energia mais efectivo".

Zorrinho entende que deve haver uma aposta em "energia limpa", com o "no desenvolvimento de energias renováveis", resolvendo o quebra-cabeças do "armazenamento", que permita responder aos momentos de maior consumo.

"Se tivermos uma lógica de distribuição de baterias, termos baterias em nossas casas que nos ajudem a ter eficiência energética para podermos armazenar energia renovável, termos baterias nos nossos automóveis, e termos, ao mesmo tempo, inovações tecnológicas - que também precisam de fazer a sua demonstração, mas que estão mais evoluídas -, como o hidrogénio verde (...) isso reduz drasticamente o problema dos picos", exemplificou.

Graça Carvalho é também defensora da aposta em investigação e inovação, para o desenvolvimento de "tecnologias mais baratas do que as que existem agora no mercado" para a produção de energia. Esta seria uma forma de garantir que não serão "as pessoas e as empresas a pagar" a transição verde. Caso contrário, a "transição verde", perderá apoio na sociedade e "não irá ganhar as pessoas".

"A única maneira de elas não pagarem o custo desta transição, é ela poder ser feita de uma forma acessível. E, tudo isso falta [na toolbox]. Falta ali inovação, falta desenvolvimento tecnológico, para que haja uma energia disponível, limpa, e acessível para todos", defendeu.

"Pandemia não acabou"

O presidente do Conselho Europeu pretende também discutir a situação atual do Covid-19, com o alerta de que "a pandemia ainda não acabou e os números estão a aumentar em vários Estados-Membros".

Charles Michel entende ser necessário "fazer mais, (...) especialmente em relação à hesitação e desinformação da vacina".

"Iremos abordar a solidariedade internacional, para garantir a entrega rápida de vacinas aos países mais necessitados, e também tomar medidas para garantir que estejamos melhor preparados para pandemias no futuro", propõe o belga que coordena as reuniões de líderes europeus.

Polónia

Num curto parágrafo, na carta Convite, Charles Michel diz que serão abordados "os desenvolvimentos recentes relacionados ao Estado de Direito", referindo-se ao caso da Polónia, depois do Tribunal Constitucional do país desafiar as leis europeias, e decidir que não se sobrepõem às leis polacas.

Esta semana, o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki esteve no Parlamento Europeu para dar explicações aos eurodeputados, tendo criticado "a divisão entre melhores e piores, os padrões de dois pesos e duas medidas. Portanto, digamos que devemos pôr fim a este modelo de [Europa] a duas velocidades", contestando as observações de Bruxelas sobre a polémica decisão do Tribunal Constitucional polaco.

Outros Temas

Os 27 têm prevista uma discussão em matéria de comércio, que "continua a ser o instrumento mais eficaz", da União Europeia. "Discutiremos a melhor forma de utilizar este instrumento, tanto em termos dos objetivos que pretendemos", propõe o presidente do Conselho Europeu.

Esta quinta feira vão ainda discutir a preparação de "cimeiras importantes", como a COP 26 e a COP 15 sobre biodiversidade. Charles Michel considera que a é necessária "uma resposta global ambiciosa" às alterações climáticas. "Todas as principais economias devem estabelecer metas ambiciosas e cumprir os compromissos com o financiamento do clima", defendeu.

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