Ucrânia: Zelensky cria comissão para monitorizar armas fornecidas pelo Ocidente

Presidente ucraniano quer prevenir o que chamou de desinformação por parte da Rússia.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky anunciou a criação de uma comissão parlamentar para monitorizar a utilização do armamento fornecido pelo Ocidente, para prevenir o que chamou de desinformação por parte da Rússia.

O líder ucraniano pediu na terça-feira ao parlamento da Ucrânia para implementar uma iniciativa apresentada pelo chefe do Gabinete do Presidente, Andrei Yermak, para criar a comissão.

Na declaração diária à população, Zelensky sublinhou, no entanto, que as tropas ucranianas não foram até ao momento acusadas de possível uso indevido do armamento doado pelos aliados.

"Os nossos parceiros estão totalmente informados sobre como usamos as armas fornecidas", acrescentou.

"Mas, para eliminar qualquer manipulação por parte de propagandistas russos e daqueles que os ajudam na Ucrânia, começará a funcionar uma ferramenta adicional de escrutínio parlamentar", disse Zelensky.

A comissão parlamentar incluirá representantes de todas as fações e grupos parlamentares, sublinhou.

Na terça-feira, o parlamento ucraniano aprovou as demissões do chefe dos serviços de segurança (SBU) e da procuradora-geral, propostas por Zelensky.

A substituição dos dois funcionários foi anunciada na noite de domingo pelo chefe de Estado, que os criticou pelos esforços insuficientes na luta contra espiões russos e colaboradores de Moscovo envolvidos na invasão iniciada em final de fevereiro.

Na segunda-feira, Zelensky anunciou de novo uma "remodelação de chefias" dentro da SBU, com a expulsão de 28 elementos, depois de pelo menos três altos funcionários desta organização terem sido considerados suspeitos de alta traição nos últimos meses.

Zelensky sublinhou que mais de 60 funcionários do Ministério Público e do Serviço de Segurança ucraniano, que eram supervisionados pelos demitidos, permaneceram nos territórios ocupados e "trabalham contra o (...) Estado".

Segundo a imprensa local, Zelensky assegurou que "foram registados 651 processos criminais por alta traição e colaboração entre funcionários de procuradores, órgãos de investigação e outros órgãos encarregados de fazer cumprir a lei".

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de cinco mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar russa causou a fuga de mais de 16 milhões de pessoas, das quais mais de 5,7 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

Também segundo as Nações Unidas, 15,7 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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