Máquinas de suporte de vida a Archie desligadas este sábado

Todos os meios legais estão definitivamente esgotados. "A família está devastada", diz grupo religioso que lhe tem dado apoio.

Após o Supremo Tribuna de Londres ter rejeitado, esta sexta-feira a transferência do menino britânico de 12 anos em coma Archie Battersbee para uma unidade de cuidados paliativos, os pais foram informados de que o suporte de vida será desligado este sábado de manhã, cerca das 10:00, avança a Sky News.

Segundo um porta-voz do grupo religioso Christian Concern, citado por aquela estação de televisão britânica, todos os meios legais estão definitivamente esgotados, tendo os pais da criança sido informados da decisão. "A família está devastada e a passar tempo precioso com Archie", acrescentou a mesma fonte.

A família tinha apresentado esta quinta-feira um requerimento para que a transferência para uma unidade de cuidados paliativos se concretizasse, para evitar que o Royal London Hospital desligar o suporte de vida de Archie Battersbee.

Os pais do rapaz de 12 anos tinham até às 9:00 horas desta quinta-feira para apresentar uma proposta ao Supremo Tribunal para transferi-lo. Caso não o fizessem, o suporte de vida seria desligado às 11.00.

A família do menino perdeu esta quarta-feira um derradeiro pedido legal para impedir que os médicos desligassem o suporte de vida, uma vez que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos recusou um pedido da família para intervir.

Archie Battersbee, de 12 anos, foi encontrado inconsciente em casa, com uma ligadura enrolada na cabeça, em 7 de abril. Os pais acreditam que poderá ter participado num desafio online que terá corrido mal.

Os médicos afirmam que Archie está em morte cerebral e que o tratamento de suporte de vida não vai ao encontro dos seus melhores interesses.

Os pais, Paul Battersbee e Hollie Dance, têm lutado, sem sucesso, para que os tribunais britânicos impeçam o Royal London Hospital de desligar o ventilador do rapaz e de parar outras intervenções que o têm mantido vivo.

A mãe disse que os advogados da família apresentaram um pedido ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, com sede em Estrasburgo, em França, horas antes de o hospital ter planeado começar a retirar a Archie o suporte de vida na manhã desta quarta-feira.

O tribunal disse que não irá "interferir com as decisões dos tribunais nacionais para permitir que a retirada do tratamento de suporte de vida [de Archie] prossiga".

Antes, Hollie Dance afirmou que a família "não vai desistir de Archie até ao fim" e que está a considerar ofertas do Japão e de Itália para tratar o rapaz.

"Há outros países interessados em tratá-lo e acho que ele devia ser autorizado a ir", frisou Dance.

O caso é o mais recente no Reino Unido que coloca a avaliação dos médicos contra as intenções dos familiares.

De acordo com a lei britânica, é comum que os tribunais intervenham quando os pais e os médicos estão em desacordo sobre o tratamento de uma criança.

Quando isso acontece, os direitos da criança sobrepõem-se ao direito dos pais para decidirem o que consideram melhor para os seus filhos.

O Supremo Tribunal do Reino Unido disse, na terça-feira, que Archie "não tem perspetiva de recuperação significativa" e que, mesmo com tratamentos contínuos, irá morrer nas próximas semanas de insuficiência cardíaca e falência de outros órgãos.

Os juízes concordaram, desta forma, com um tribunal inferior que já tinha considerado que a continuação do tratamento "serve apenas para adiar a sua morte".

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