Trump fala de fraude eleitoral após Facebook manter suspensão da sua conta

Conta do antigo presidente foi suspensa quando ele ainda estava na Casa Branca, por suspeitas de incitamento à violência na invasão do Capitólio. Medida deve ser revista dentro de seis meses.

A Comissão de Supervisão do Facebook manteve a decisão de suspender a conta do ex-presidente norte-americano, Donald Trump, da rede social fundada por Mark Zuckerberg. Mas defende que a decisão deve ser revista dentro de seis meses.

Em resposta, Trump reiterou as acusações infundadas de que houve fraude eleitoral em novembro, diendo que há provas abundantes e pedindo aos seus seguidores que "nunca desistam". Num comunicado divulgado pouco depois de ser conhecida a decisão do Facebook, afirmou: "Se o líder cobarde e incapaz da MINORIA Mitch McConnell... tivesse lutado para expor toda a corrupção que foi apresentada na época, com mais descobertas desde então, teríamos um resultado da eleição presidencial muito diferente.

A Comissão de Supervisão do Facebook, cujas decisões são vinculativas, alega que Trump "criou um ambiente onde um sério risco de violência era possível" com os seus comentários sobre a violência de 6 de janeiro e a invasão do Capitólio pelos seus apoiantes.

Mas indicaram também que "não era apropriado para o Facebook impor uma pena indeterminada e sem padrão de suspensão por tempo indeterminado" e pediu que a rede social "revisse este assunto para determinar e justificar uma resposta proporcional" dentro de seis meses.

A conta de Donald Trump, à semelhança do que também aconteceu no Twitter, foi suspensa quando ele ainda estava na Casa Branca devido a suspeitas de incitamento à violência, na sequência da invasão ao Capitólio, a 6 de janeiro, enquanto o Congresso validava a vitória do democrata Joe Biden nas presidenciais de 3 de novembro.

Um dia depois da tentativa de insurreição, Facebook e o Instagram silenciaram as contas do antecessor de Biden a 7 de janeiro, considerando que iria estar suspenso "pelo menos" até 20 de janeiro, dia do início do mandato da administração democrata.

A decisão culminou com vários anos de inação perante a retórica inflamada de Trump.

"Dada a seriedade das violações e o contínuo risco de violência, o Facebook teve razão em suspender a conta de Trump a 6 de janeiro e alargar essa suspensão no dia 7", indicou a comissão.

A suspensão de Trump nas redes sociais começou com o Twitter, passou ao Facebook e depois ao Instagram.

O Twitter, em particular, foi um 'duro golpe' para Donald Trump, uma vez que era o meio preferencial do antigo Presidente dos EUA durante os quatro anos de mandato.

Entretanto, o Facebook criou um painel de supervisão de conteúdos prejudiciais e cuja publicação pode ter impactos reais, como era o caso das publicações de Donald Trump.

A criação desta 'ferramenta' surgiu depois inúmeras críticas em relação à inação e incapacidade de agir rapidamente no que diz respeito à propagação de desinformação, adensada com a pandemia.

As respostas oficiais do Facebook referiam sempre que a rede social acreditava que não deveria interferir por intermédio da moderação de conteúdo.

A suspensão de contas de utilizadores no Facebook não é inédita, mas Trump é a figura de maior relevo a ser suspensa até agora.

O ex-presidente costumava utilizar as redes sociais para tecer considerações sobre líderes de outros países e até para 'romper' com acordos internacionais, como por exemplo, o Acordo de Paris ou o Acordo Nuclear do Irão, que visa impedir Teerão de aumentar a capacidade nuclear.

O antigo chefe de Estado norte-americano popularizou a uma tendência que já se vinha a verificar há alguns anos: a utilização das redes sociais, em particular do Twitter, por primeiros-ministros, presidentes e personalidades com destaque na geopolítica internacional, como, por exemplo, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, o português António Guterres.

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