Sociais-democratas ganharam no distrito que elegia Merkel

Apesar do empate na sondagem à boca das urnas, sociais-democratas começam a distanciar-se dos conservadores nas projeções. Alemães elegeram este domingo os deputados que vão escolher o sucessor da chanceler Angela Merkel, há 16 anos no poder.

Os dois principais candidatos a chanceler, o social-democrata Olaf Scholz e o conservador Armin Laschet, reclamam ter um mandato para formar o próximo governo na Alemanha, apesar de o SPD estar ligeiramente à frente da aliança CDU/CSU.

Num exemplo do desaire para os conservadores, que arriscam ter o pior resultado de sempre, o SPD ganhou no distrito eleitoral que desde 1990 elegia Merkel (Vorpommern-Rügen - Vorpommern-Greifswald I).

Uma das sondagens à boca das urnas deu um empate entre Scholz e Laschet, a 25%, enquanto outra deu uma ligeira vantagem ao SPD. Sociais-democratas começam entretanto a distanciar-se nas projeções (cerca de 1,2 pontos percentuais), à medida que os votos são contados.

"Vai ser uma longa noite eleitoral", admitiu Scholz, congratulando-se com a subida do partido nas urnas - tiveram 20,5% em 2017. "É um grande sucesso", referiu, dizendo acreditar que os alemães mostraram que querem "uma mudança no governo" e que "Scholz será o próximo chanceler".

Momentos antes, Laschet tinha discursado para os apoiantes da CDU. "É uma situação extraordinária. Ainda não há números certos. Estamos taco a taco", disse Laschet, numa primeira reação às sondagens, depois de agradecer a Merkel. "Era claro que sem ela ia ser uma corrida eleitoral apertada", admitiu.

O líder da CDU, que parece ter conseguido o pior resultado de sempre para o partido (em 2017 tiveram 33%), disse contudo que quer formar o próximo governo, mesmo se ficar em segundo, e tem um mandato para formar uma coligação. "Não podemos estar felizes com este resultado", afirmou Laschet.

Ainda é cedo para saber quem será o sucessor de Merkel, há 16 anos no poder.

Sondagens à boca das urnas

A sondagem à boca das urnas da Infratest dimap/ARD deu um empate entre os sociais-democratas e os conservadores, ambos com 25% de votos. Os Verdes surgem em terceiro com 15%, com os liberais do FDP e a extrema-direita da Alternativa para a Alemanha (AfD) a ter cada um 11% e o Die Linke (esquerda) a ter 5%.

À medida que os votos foram sendo contados, as projeções começaram a dar uma ligeira vantagem ao SPD, mas por uma diferença mínima: 25,7% para os sociais-democratas e 24,5% para a aliança CDU/CSU, com alguns ajustes também nos outros partidos.

Outra sondagem à boca das urnas, da Forschungsgruppe Wahlen, para a ZDF, coloca o Partido Social-Democrata (SPD) ligeiramente à frente, com 26%, com a aliança CDU/CSU a ter 24%. Os Verdes surgem nesta sondagem com 14,5%, com o FDP a ter 12%, a AfD a ter 10% e o Die Linke a ter 5%.

Os alemães elegeram este domingo os deputados ao Bundestag (o número é variável devido ao sistema eleitoral, o anterior tinha 709) que depois vão escolher o sucessor de Merkel. Será preciso negociar a três para conseguir uma maioria suficiente, devendo as negociações demorar meses.

Na sondagem à boca das urnas da Forschungsgruppe Wahlen, questionados quem será o melhor chanceler para a Alemanha, 48% dos inquiridos escolheram Scholz, com apenas 24% a escolher Laschet e 14% a optar por Baerbock.

Antes das eleições, as sondagens colocavam Scholz (atual vice-chanceler e ministro das Finanças) com 25% das intenções de voto, com o conservador Laschet (líder da CDU e chefe do governo do estado da Renânia do Norte-Vestfália) a ter 23% (dentro da margem de erro). Baerbock era terceira com 17%.

Esta noite, Baerbock congratulou-se com o "melhor resultado na história" dos Verdes, que pela primeira vez tinham escolhido um candidato a chanceler. "Concorremos pela primeira vez para moldar este país como uma força de liderança", disse. "Queríamos mais", referiu, admitindo erros da sua parte e do partido. "Este país precisa de um governo para o clima. É por isso que continuamos a lutar agora com todos vocês", acrescentou.

Para formar uma coligação de governo serão provavelmente precisos três partidos e, numa reviravolta, o líder dos liberais do FDP sugeriu aos Verdes negociarem uma aliança e, só depois, decidir quem apoiar para o cargo de chanceler: Scholz ou Laschet.

Participação

Às 14.00 a participação estava ligeiramente abaixo da registada em 2017, com 36,5% dos eleitores a votar, comparando com 41,1% há cinco anos. Contudo, o valor deste ano não inclui ainda os números de votos por correio, que se espera possam chegar aos 40% ou até 50% do total, batendo os recordes anteriores. Há cinco anos, 29% votaram por correio e no final do dia, a participação foi de 76,2%. A estimativa era que a participação suba para os 78%.

Em Berlim, houve filas em alguns dos locais de voto e informações de que os boletins de voto tinham acabado em alguns pontos, com a entrega de mais material a sofrer atrasos por causa das estradas fechadas por causa da maratona, que se realizou na cidade.

O líder da CDU, Armin Laschet, dobrou o seu voto de forma errada, permitindo que os presentes (incluindo os jornalistas) vissem em quem tinha votado -- sem surpresas, no seu próprio partido. Contudo, segundo a lei alemã, o voto tem que ser secreto (a ideia é não influenciar outras pessoas), pelo que se levantaram vozes para que o seu voto fosse anulado. Mas as autoridades eleitorais já rejeitaram essa possibilidade.

Depois de votar, Laschet, que desde agosto estava atrás nas sondagens, apelou ao voto e lembrou que "todos os votos contam" numa eleição que vai determinar "a direção da Alemanha nos próximos anos". Já o seu adversário, Scholz disse esperar que o tempo solarengo vosse "um bom sinal" para o seu partido.

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