Socialista Illa vence, mas independentistas saem reforçados na Catalunha

O conjunto dos partidos independentistas da Catalunha reforçou a maioria que já tinha nesta região espanhola, apesar de o Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC-PSOE) ter sido o mais votado.

Os partidos independentistas da Catalunha reforçaram nas eleições deste domingo (14) a maioria que já tinham, em conjunto, nesta região espanhola, apesar de o Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC-PSOE) ter sido o mais votado.

Numa altura em que 98% dos votos já foram escrutinados, o PSC é o partido mais votado com 22,9% e 33 deputados eleitos para o parlamento regional.

No entanto, o conjunto dos partidos separatistas que apoiam a atual solução governativa na região conseguem mais do que a metade dos 135 lugares na assembleia.

O segundo partido mais votado é a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, independentista) que tem 21,3% dos votos e 33 deputados, ficando desta vez à frente do Juntos pela Catalunha (JxC, independentista), do antigo presidente Carles Puigdemont, fugido atualmente na Bélgica, que obteve 20% e 32 lugares.

Ainda assim, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, realçou a vitória dos socialistas nas eleições catalãs."O socialismo venceu as eleições. Uma notícia fantástica para tornar possível a mudança e o reencontro para os quais os socialistas catalães trabalharam tanto", escreveu Pedro Sánchez numa mensagem na rede social Twitter.

O chefe do Governo espanhol agradeceu ao candidato socialista, o ex-ministro da Saúde, Salvador Illa, pelo seu trabalho, que, na sua opinião, devolveu a esperança de alcançar um futuro melhor para a Catalunha e para Espanha.

Contudo, o conjunto dos partidos independentistas da Catalunha reforçaram a maioria que já tinham nesta região espanhola, apesar de o Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC-PSOE) ter sido o mais votado.

O candidato do PSC, que obteve 22,9% dos votos e 33 deputados, deverá tentar convencer o segundo mais votado, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), com 21,3% e também 33 deputados, a abandonar a lógica independentista que já prometeu manter e embarcar numa eventual aliança com os socialistas.

A tarefa de Salvador Illa parece quase impossível, depois de, na reta final da campanha eleitoral na Catalunha, os partidos independentistas terem assinado um documento para que não houvesse pactos pós-eleitorais com o PSC.

A solução governativa na Catalunha está assim nas mãos da ERC que pode decidir associar-se aos restantes partidos independentistas, como até agora, ou voltar-se para o PSC, o que parece menos plausível.

A extrema-direita espanhola do Vox aparece em quarto lugar com 7,6% e 11 deputados, seguida dos independentistas da Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema-esquerda) com 6,7% e nove deputados e o partido de extrema-esquerda En Comú Podem (associado ao Podemos) com 6,9% e oito deputados.

O grande perdedor das eleições é o Cidadãos (direita-liberal), que nas eleições de 2017 concentrou o voto útil dos constitucionalistas (pela união de Espanha) que agora fugiu para o PSC, e desceu de 25,3% para de 5,5% e de 36 para apenas seis deputados.

Por último, o Partido Popular (PP, direita) obteve 3,8% e três lugares no novo parlamento regional.

A taxa de participação nestas eleições baixou mais de 25 pontos percentuais tendo sido agora cerca de 53% dos votos.

A Catalunha está situada no nordeste de Espanha e é uma das 17 comunidades autónomas do país, com um Governo e um parlamento regional, assim como uma polícia própria (Mossos d'Esquadra).

A região tem cerca de 7,8 milhões de habitantes e é considerada a mais rica de Espanha, produzindo um quinto da riqueza do país e com um PIB anual superior ao de Portugal ou da Grécia.

atualizado às 23.45

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