Exclusivo "Sem o alinhamento do setor político da CPLP com o setor empresarial as coisas ficam coxas"

Angola lançou as bases do chamado pilar económico da Comunidade de Países de Língua Portuguesa na cimeira de Luanda, a 16 e 17 de julho. Uma ideia que a Confederação Empresarial da CPLP e o seu presidente, o moçambicano Salimo Abdula, defendem há anos.

A cimeira de Luanda deu luz verde à aposta no pilar económico da CPLP. A Confederação Empresarial da CPLP está satisfeita?
Depois de muitos anos, começamos a ver uma luz no fundo do túnel do que é a grande ambição da Confederação Empresarial da CPLP. Na cimeira de Timor-Leste, em 2014, onde vimos o nosso trabalho reconhecido, reunimos com o então primeiro-ministro Xanana Gusmão e já aí indicámos que queríamos apostar no quarto pilar, virado para questões económicas. Ele mostrou-se bastante recetivo e prontificou-se logo a organizar uma conferência económica e empresarial. E assim foi, não nos melhores moldes, mas ainda assim importante. Já nessa altura começámos a batalhar naquilo que seriam os condimentos necessários para o pilar económico, para no futuro tornarmo-nos num bloco económico que permitisse que a CPLP explorasse os seus recursos.

E quais eram esses condimentos?
Nesta altura já se falava na questão da mobilidade, agora aprovada. Não haver livre circulação de pessoas e, numa fase seguinte, de bens e capitais, é um impeditivo para melhorar o ambiente dentro da comunidade como um todo. Foi o que começámos por debater, as pessoas ainda estavam pouco recetivas, não percebiam o que nós queríamos, mas água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Outra questão importante era uma ferramenta que também foi anunciada pela presidência angolana: o banco de investimento. Algo que também já tínhamos apresentado na presidência timorense, depois de uma primeira conferência que fizemos, em Portugal, de bancos, instituições financeiras e seguradoras. Levou o seu tempo, mas antes do final do mandato de Timor-Leste recebemos uma missiva positiva e a partir daí começámos a fazer trabalho de bastidores. Qual não foi a nossa satisfação e espanto ver nesta cimeira o presidente de Angola anunciar publicamente esta ideia! Para nós foi o êxtase. Significa que todo este empenho na mobilidade, no pilar económico, no banco do fomento, foi ouvido e já tem aceitação política formal.

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