Segurança, educação e forno de pizzas. O que cobre o divórcio milionário do emir do Dubai?

Um tribunal britânico decidiu que Mohammed bin Rashid al-Maktoum terá que pagar, em três meses, 250 milhões de libras à ex-mulher, e depositar outros 290 para garantir pagamentos anuais à princesa Haya e aos filhos.

A maior parte dos cerca de 554 milhões de libras (650 milhões de euros) que Mohammed bin Rashid al-Maktoum terá que pagar à ex-mulher, como parte do acordo de divórcio, será usado para garantir a segurança da princesa Haya e dos dois filhos menores da ameaça que o próprio líder do Dubai e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos representa. Mas esse valor inclui também cinco milhões de libras que serão usados para cobrir os custos de nove semanas de férias por ano da princesa e da família, 1,9 milhões para construir uma nova extensão da cozinha e um forno para pizzas na casa de Londres e 277 mil libras para gastar anualmente com os animais de estimação, entre eles dois póneis.

O milionário acordo de divórcio ontem alcançado num tribunal britânico será o maior alguma vez pago no Reino Unido. E abriu uma janela sobre a vida de opulência do antigo casal, tendo sido revelado que antes de a princesa Haya fugir do Dubai em 2019 com os dois filhos menores - Jalila, agora com 14 anos, e Zayed, de 9 - recebia 83 milhões de libras (quase cem milhões de euros) por ano para gastos domésticos - num verão, o casal terá gasto dois milhões de libras (2,4 milhões de euros) em morangos. A esse valor juntam-se os nove milhões de libras (10,5 milhões de euros) que recebia para gastos próprios anualmente, ligeiramente abaixo dos dez milhões de libras que cada um dos filhos recebia.

Haya bint al-Hussein, de 47 anos, é meia-irmã do rei Abdullah II da Jordânia e em 2004 tornou-se na sexta mulher de Mohammed, 25 anos mais velho. O emir do Dubai divorciou-se em fevereiro de 2019 ao abrigo da lei sharia (sem que a mulher inicialmente soubesse). A princesa, que admitiu ter pago aos seguranças após ter sido chantageada por ter tido um caso com um deles (usando o dinheiro dos filhos), decidiu depois ir viver com os filhos no Reino Unido, eventualmente pedindo proteção e a custódia. Foi o quinto divórcio do primeiro-ministro dos Emirados, que atualmente só continua casado com a primeira mulher, Hind, mãe de 12 dos seus 30 filhos.

Mas este foi o divórcio mais mediático, tendo vindo juntar-se às polémicas que envolvem duas das suas filhas que é acusado de raptar: Shamsa não é vista em público desde 2000, quando tinha 19 anos, e foi levada das ruas de Cambridge. Já Latifa, que tem 36 anos, tentou fugir em 2018 mas foi apanhada, gerando uma campanha internacional a pedir a sua libertação após surgirem vídeos em que alegava estar detida contra a sua vontade. Contudo, já foi fotografada posteriormente fora dos Emirados.

Risco para a segurança

O risco para a segurança da princesa Haya e dos filhos foi um dos principais argumentos usados pelo juiz Philip Moor para justificar a decisão de exigir que o emir pague já 250 milhões de libras à ex-mulher - os restantes 290 milhões serão depositados no banco e é de onde sairão os pagamentos anuais.

"Estou perfeitamente seguro que, nestas circunstâncias, seria errado que o pagamento da segurança fosse feito ao longo dos anos pela origem da principal ameaça", indicou o juiz, dizendo que poderia haver interesses do emir em poupar dinheiro ou reduzir a segurança que a princesa tenha contra si. "A maior ameaça que enfrentam é de sua alteza, o próprio emir, não de fontes externas", indicou o juiz, lembrando que o líder do Dubai terá usado o software de espionagem Pegasus (alegadamente só disponível para Estados), para vigiar a ex-mulher e os seus associados (incluindo dois dos advogados do processo de divórcio).

A decisão implica também o pagamento da educação das crianças até terminarem o ensino superior, com pelo menos três milhões de libras destinados a um fundo neste sentido. Além disso, procura compensar a princesa pela perda de joias e roupas que teve que deixar no Dubai, tendo tido que vender muito do que tinha levado consigo para o Reino Unido após ficar sem o dinheiro que recebia do marido (a sua fortuna está, na prática, presa nas duas propriedades que tem no Reino Unido). Em relação às joias o valor que o juiz lhe concedeu foi de 13,6 milhões de libras, mas em relação à roupa só um milhão (ela pedia 32 milhões).

A princesa, que é uma exímia cavaleira e chegou a representar a Jordânia no concurso de saltos nos Jogos Olímpicos de Sydney, pedia ainda 20 milhões de libras para recompensar os cavalos que tinha perdido, mas também cuidar dos que ainda tem. O juiz decidiu que terá direito a cinco milhões de libras para comprar os cavalos que quiser, dentro do razoável.

susana.f.salvador@dn.pt

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