Sánchez promete abolir prostituição em congresso de unidade do PSOE

Secretário-geral socialista reclama-se herdeiro de Zapatero e de González e é reeleito com percentagem esmagadora.

De fora da votação do 40.º Congresso do Partido Socialista Operário Espanhol - no qual os delegados elegeram os órgãos nacionais com 94,9%, secretário-geral incluído, no que foi o apoio mais rotundo alguma vez obtido por Pedro Sánchez - ficaram temas propostos pelas bases mas rejeitados pela direção como um referendo sobre a natureza do regime (monárquico ou republicano), ou o estabelecimento de uma comissão sobre os escândalos do rei emérito, Juan Carlos. Ainda assim houve espaço para uma proposta que dará que falar, a abolição da prostituição até ao final da legislatura.

O tema, que fez parte das resoluções do PSOE em 1976, ao lado da legalização do aborto, voltou em grande força graças ao setor feminista do partido. "Sai deste congresso um compromisso que levarei até ao fim. Vamos abolir a prostituição, que escraviza as mulheres no nosso país", disse Sánchez. No discurso de encerramento do congresso de três dias, que decorreu em Valência, Pedro Sánchez comprometeu-se igualmente em pôr fim à reforma laboral e em acabar com a controversa lei de proteção da segurança dos cidadãos. Conhecida popularmente como "lei mordaça", entrou em vigor durante o governo conservador de Mariano Rajoy e retira direitos de liberdade de expressão e de manifestação.

O congresso de Valência foi um momento de celebração de Pedro Sánchez e do PSOE, que juntou cerca de 9000 militantes, dos quais 1077 delegados com direito de voto. Além da votação esmagadora (em 2017 obteve 70,5%), o secretário-geral reeleito sem oposição juntou os anteriores líderes do partido, Felipe González e José Luis Rodríguez Zapatero, que noutras ocasiões se mostraram seus críticos. Pedro Sánchez subiu ao palco com ambos e também com Joaquín Almunia, vice de Alfredo Pérez Rubalcaba, numa homenagem ao dirigente falecido há dois anos. Sánchez proclamou-se herdeiro dos antecessores, ao dizer que quer continuar o "guião".

Em diversas ocasiões do discurso, o também primeiro-ministro do governo de coligação com Unidas Podemos referiu-se como defensor dos valores da social-democracia. "Todos os dias do mandato que me deram, eu tive um objetivo: preservar o papel da social-democracia", afirmou.

Sánchez congratulou-se com a vitória do SPD nas eleições alemãs, abrindo caminho para Olaf Scholz na chancelaria e assistiu a mensagens de vídeo de outros destacados dirigentes socialistas como António Costa ou Lula da Silva. "É a partir daqui, da social-democracia, que se muda realmente a vida das pessoas, que se muda realmente o mundo. É verdade que o fazemos com mais persuasão do que com gritos, com mais força da perseverança e da determinação do que com crises de raiva", disse, antes de elencar algumas medidas, como as que estão relacionadas com a pandemia, ou as "conquistas" do passado como o sistema nacional de saúde, as leis da igualdade, da violência de género ou o fim da violência da ETA.

Acima de tudo, para o socialista, a direita "fracassou" e criticou o extremismo. "O objetivo da extrema-direita e do trumpismo não é reformar para melhorar as instituições democráticas, mas tirar o poder às instituições democráticas."

cesar.avo@dn.pt

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