Rússia acusa Kiev de ataque a bases e responde com chuva de mísseis

Moscovo alega ter intercetado e abatido drones ucranianos, admitindo a morte de três soldados, lançando depois a oitava ronda de ataques contra as infraestruturas do país vizinho.
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As sirenes antiaéreas voltaram a soar esta segunda-feira em toda a Ucrânia, após a Rússia lançar a oitava ronda de mísseis contra as infraestruturas do país. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a maioria foi intercetada pelos sistemas de defesa - 60 dos 70 mísseis, especificaram mais tarde os militares. Ainda assim, pelo menos duas pessoas morreram e há registo de novos cortes de eletricidade. A nova chuva de mísseis surgiu depois de explosões terem sido registadas em duas bases aéreas russas. Moscovo apontou o dedo a Kiev e disse que o ataque foi efetuado com recurso a drones, tendo três soldados morrido e dois aviões ficado danificados.

Segundo o Ministério da Defesa russo, drones "soviéticos" voaram a baixa altitude para atingir as bases aéreas de Dyagilevo, na região de Ryazan, e de Engels-2, em Saratov. Ambas ficam a mais ou menos 600 quilómetros da fronteira com a Ucrânia. Em comunicado, citado pela Russia Today, o ministério alega que os drones foram detetados e abatidos, mas a queda e a explosão dos destroços causaram danos "ligeiros" em dois aviões, matando três soldados e mais quatro feridos.

Falando de um "ato terrorista", o comunicado diz que Moscovo respondeu com um ataque de mísseis contra centros de comando militares e de comunicação, a indústria da Defesa e a o setor elétrico da Ucrânia. O Ministério da Defesa russo alega que atingiu "todos os 17 objetivos" previstos no ataque. Os ucranianos dizem contudo ter intercetado a maioria desses mísseis. "As forças de Defesa aérea abateram a maioria dos mísseis. Os engenheiros já começaram a restaurar a eletricidade. O nosso povo nunca desiste", indicou Zelensky num curto vídeo nas redes sociais.

O presidente russo, Vladimir Putin, foi informado sobre os ataques contra as bases aéreas russas. "De todos os serviços relevantes, o presidente recebe regularmente informação sobre tudo o que acontece", disse o porta-voz Dmitry Peskov, em Moscovo. Putin estava contudo a centenas de quilómetros, na ponte de Kerch, que liga a Crimeia ao território russo. Símbolo da anexação (ilegal) da península em 2014, a ponte foi parcialmente destruída na explosão de um camião armadilhado há quase dois meses.

Segundo as imagens divulgadas pela televisão russa, o presidente conduziu esta segunda-feira um Mercedes pela ponte, que reabriu ao trânsito, ouvindo depois o vice-primeiro-ministro Marat Khusnullin falar sobre as reparações que foram feitas. Putin falou ainda com operários da construção.

"Há nove meses, Putin ansiava destruir a Ucrânia no espaço de dias. Hoje, está feliz por conduzir um carro através de uma ponte que construiu ilegalmente há muito tempo. As suas ambições agressivas encolheram. A Ucrânia garantirá que ainda vão encolher mais até caberem nas fronteiras russas", escreveu no Twitter o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba. Noutra mensagem fez referência aos ataques com mísseis na Ucrânia como "crimes de guerra", mas não referiu os ataques às bases aéreas russas.

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O assessor do presidente ucraniano, Mykhailo Podolyak, escreveu contudo uma outra mensagem na mesma rede social em que parece admitir a responsabilidade de Kiev. "Se algo é lançado contra o espaço aéreo de outros países, mais cedo ou mais tarde objetos voadores não identificados vão regressar ao ponto de partida." A base aérea Engels-2 (batizada em homenagem ao filósofo alemão) e a Dyagilevo acolhem bombardeiros que têm sido usados nos ataques contra infraestruturas ucranianas.

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De acordo com o último relatório diário dos serviços de informação do Ministério da Defesa britânico, os ucranianos já conseguiram recuperar mais de metade do território (54%) que os russos ocuparam desde o início da invasão, a 24 de fevereiro. Segundo os cálculos britânicos, a Rússia controla agora 18% do território reconhecido internacionalmente como ucraniano, incluindo a Crimeia e a região do Donbass.

susana.f.salvador@dn.pt

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