R. Kelly considerado culpado de crimes de pornografia infantil

O tribunal de Chicago considerou-o culpado de seis crimes, três de pornografia infantil e três de incitamento de menores. O cantor já está a cumprir uma pena de 30 anos de prisão por crimes sexuais.
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O cantor R. Kelly, de 55 anos, foi esta quarta-feira considerado culpado de três crimes de pornografia infantil e de três acusações de incitamento de menores, por um júri federal, no estado norte-americano de Chicago. Após 11 horas de deliberação, R. Kelly foi, no entanto, ilibado de sete acusações, incluindo obstrução de justiça referente a um processo de pornografia infantil de 2008.

Conhecido pelo sucesso "I believe I can fly", o cantor foi acusado de incitar cinco raparigas para atividade sexual e de conspirar com dois ex-associados para encobrir os seus crimes sexuais, de acordo com a CBS Chicago.

Os outros arguidos deste processo, Derrell McDavid e Milton "June" Brown foram absolvidos de todas as acusações.

O júri absolveu R. Kelly de uma acusação de pornografia, bem como uma acusação de conspiração para obstruir a justiça. Foi considerado inocente em todas as três acusações de conspiração para receber pornografia infantil e por duas incriminações de aliciamento.

No julgamento, os procuradores tentaram retratar o cantor como um mestre manipulador que usou a sua fama e riqueza para atrair fãs, incluindo alguns menores de idade, abusando sexualmente deles e depois descartá-los.

De acordo com testemunhas, o artista estava desesperado para recuperar os vídeos pornográficos infantis que produzia e guardava numa mochila de ginástica.

Testemunhas indicaram que R. Kelly ofereceu até um milhão de dólares (cerca de um milhão de euros) para recuperar vídeos perdidos antes do seu julgamento de 2008, sabendo que o colocariam em perigo.

A conspiração para esconder os seus abusos ocorreu entre 2000 e 2020, atentaram os procuradores.

Em Chicago, uma condenação de apenas uma acusação de pornografia infantil acarreta uma sentença mínima obrigatória de 10 anos, enquanto a receção de pornografia infantil determina um mínimo obrigatório de cinco anos.

Em junho deste ano, R. Kelly foi condenado a 30 anos de prisão por extorsão e tráfico sexual. O tribunal federal do Brooklyn considerou que o cantor recrutou adolescentes e mulheres, forçando-as a atividades sexuais, uma prática que se estendeu ao longo de décadas. Na altura foi ainda condenado a pagar uma multa de 100 mil dólares.

A condenação de Kelly em Nova Iorque foi amplamente vista como um marco para o movimento #MeToo: foi o primeiro grande julgamento por abuso sexual em que a maioria dos acusadores eram mulheres negras.

Em setembro de 2021, Robert Sylvester Kelly, outrora uma das estrelas de R&B, foi considerado culpado de todas as nove acusações que enfrentou, incluindo a mais grave de extorsão. "As suas ações foram descaradas, manipuladoras, controladoras e coercivas. Ele não demonstrou nenhum arrependimento ou respeito pela lei", escreveram os promotores, no seu memorando de sentença.

R. Kelly aguarda ainda um julgamento em Minnesota e outro em Chicago, relacionados com casos de agressão e abuso sexual.

Com Lusa

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