Marcos do Val, senador bolsonarista que garante pertencer aos SWAT, embora a unidade de polícia especial dos EUA desconheça, confrontou Flávio Dino, ministro da Justiça, em audiência no Senado. A resposta de Dino - "senador, se o senhor é dos SWAT, eu sou dos Vingadores" - viralizou na internet. E os memes que se seguiram, com o ministro transformado em Hulk, tornaram-no um dos políticos mais populares do país e notícia nesta semana por poder ocupar vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), vir a suceder a Lula da Silva na presidência e até por suposta agressão a um deputado..Flávio Dino de Castro e Costa, 55 anos, já era, no entanto, um peso pesado da esquerda brasileira desde, pelo menos, 1 de janeiro de 2015, quando tomou posse como governador do Maranhão, um dos estados mais pobres do Brasil, após décadas de domínio do antigo presidente da República José Sarney, e família, ao vencer a eleição de 2014 com mais de 60% dos votos pelo Partido Comunista do Brasil. Em 2018, derrotou Roseana Sarney, filha de José, e foi reeleito..Com Lula preso, Dino, entre outros, foi falado como eventual líder da esquerda nas eleições presidenciais de 2022. Uma vez solto, o hoje presidente aglutinou toda a área progressista brasileira, candidatou-se e ganhou - ao governador do Maranhão restou concorrer, com sucesso, ao Senado, já pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Lula, entretanto, nomeou-o ministro da Justiça, pasta onde se vem destacando (e não só pelas comparações ao incrível Hulk)..Destacou-se tanto que, em agosto passado, a imprensa noticiou suposta tensão entre Lula e Dino: à mesma hora em que, com pompa, o governo apresentava o novo Projeto de Aceleração do Crescimento, em cerimónia sob a liderança do presidente, as televisões priorizavam o escândalo de roubo de joias do ex-presidente Jair Bolsonaro porque a Polícia Federal, tutelada pelo ministro da Justiça, resolveu fazer uma operação. "Não estou nada irritado com ele, ele tem feito um excelente trabalho", disse Lula, na sequência. "Não me importo com fofocas e futricas", reagiu Dino, por sua vez..Seja pelo mediático caso das joias envolvendo Bolsonaro, seja pela ação nos ataques de 8 de janeiro à sede dos Três Poderes, seja pelo impulso dado às investigações da execução de Marielle Franco, o nome de Dino está sempre nos media. E, por consequência, o ministro é cada vez mais falado como eventual sucessor de Lula, em 2026, caso o atual presidente não se recandidate, ou em 2030. "É um nome excecional", admitiu, em entrevista ao DN, Carlos Siqueira, o presidente do PSB, partido de Dino..Setores do Partido dos Trabalhadores (PT), segundo a imprensa, sentem-se incomodados com esse protagonismo. E Dino sente-se incomodado com os rumores de que o PT, para o cercear, quer dividir a pasta da Justiça em duas, criando o ministério da Segurança Pública..O STF surgiu, entretanto, como solução para o mal-estar, tendo em conta que em meados de outubro a atual presidente da corte, Rosa Weber, se reforma e uma nova vaga se abre. "À medida que o nome de Flávio Dino ganha musculatura na disputa pela vaga no Supremo a ser aberta com a aposentadoria de Rosa Weber, petistas passaram a comemorar desavergonhadamente", escreve o colunista Matheus Leitão na revista Veja.."Desde que a popularidade de Flávio Dino começou a crescer - incluindo nas redes sociais -, acendeu-se imediatamente um sinal de alerta na direção do PT. Na cabeça de barões da formação, Flávio Dino - hoje muito bem no ministério da Justiça (e no contacto com o público em geral) -, poderá pleitear uma candidatura à presidência no futuro. Como o PT não quer perder a hegemonia na esquerda brasileira, esse tipo de temor está sempre à flor da pele"..Dino, portanto, vê-se numa encruzilhada virtuosa: manter o nome em lume brando na corrida à sucessão de Lula da Silva, surfando na própria popularidade, ou chegar ao cume da carreira jurídica, uma nomeação para o STF. "Deixa a vida me levar", disse o próprio na última quarta-feira."Eu sempre soube, estudando a história do Supremo, que não existe candidatura a juiz do Supremo, não existe campanha para juiz do Supremo, não existe pedido, solicitação para ser juiz do Supremo, porque é uma designação do presidente com aprovação do Senado. Então, quando você analisa as coisas assim, você fica muito tranquilo. E eu estou, com a graça de Deus, muito bem no Ministério da Justiça. Deixo o presidente Lula amadurecer a reflexão dele acerca das muitas alternativas que ele tem e tenho certeza de que ele fará boa escolha"..Meses antes, entretanto, Dino deixou escapar em entrevista no canal Globonews o que sentia: "Perguntar a um jurista se quer ir para o STF é como perguntar a um jogador de futebol se quer representar a seleção brasileira"..No horizonte de Dino, surgem, por outro lado, ventos fortes da direita. "Se o Lula indicar o Dino para o STF, vamos infernizar a vida dele", prometeu o senador Flávio Bolsonaro. "É preocupante essa possibilidade, ele é uma pessoa que persegue a política, que usa o aparato público, usa a Polícia Federal para direcionar investigações, para ter acesso a informações privilegiadas de inquéritos sigilosos, é um perigo colocar no Supremo alguém que vai simplesmente perseguir a política e os políticos de que ele não goste", disse o primogénito de Bolsonaro a O Globo. E a oposição, aliás, já começou a "infernizar" a vida do Hulk da esquerda brasileira ao acusá-lo, através do deputado General Girão, do PL, de Bolsonaro, de agressão no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, no último dia 14. "Na ocasião da aproximação entre as partes, o ministro Flávio Dino partiu para as vias de facto e, de forma sorrateira e cenográfica, desferiu agressões físicas contra o peito do deputado", diz a queixa, segundo o site Poder360..Em nota, o Ministério da Justiça negou. "Pelo contrário, diante de xingamentos proferidos pelo citado senhor, que o ministro não conhecia, a reação foi aproximar-se e pedir para o agressor deixar de ser mal-educado e grosseiro. Há várias testemunhas".