Quase um milhão de avaliações enviadas em 2020 para o Tripadvisor eram falsas

Em 2020, as avaliações falsas enviadas para o Tripadvisor representaram 3,6% do total. Relatório indica, no entanto, que 67,1% das avaliações fraudulentas foram detetadas antes de serem publicadas no site.

Se tem por hábito consultar o site Tripadvisor saiba que em 2020 foram enviadas para a plataforma quase um milhão de avaliações fraudulentas, o que corresponde a 3,6% do total. O segundo relatório de transparência (o primeiro foi conhecido em 2019), divulgado esta quarta-feira, indica, no entanto, que 67,1% das avaliações falsas foram detetadas antes de serem publicadas no site, através de um algoritmo de moderação.

Em 2020, ano em que o mundo se deparou com a pandemia de covid-19 e os impactos das restrições, nomeadamente nas viagens, o site registou mais de 26 milhões de avaliações. Relatório da empresa indica que das avaliações enviadas, mais de dois milhões foram "rejeitadas ou removidas pelo Tripadvisor", por diversas razões, como o uso de linguagem imprópria, o que representa 8,6% de todas as avaliações enviadas ou longo do ano.

Das avaliações enviadas no ano passado para a Tripadvisor, mais de 8 milhões eram referentes a hotéis, mais de 12 milhões eram sobre restaurantes e mais de 4 milhões diziam respeito a experiências, atrações e atividades. A maioria das avaliações (54,1%) está relacionada com as experiências de consumo de clientes na Europa.

Mas focando-se apenas nas avaliações falsas, a plataforma revela no documento que "apenas uma pequena fração de todos os envios de avaliações - 3,6% - foram considerados fraudulentos, totalizando 943 205 avaliações. Destes, o Tripadvisor evitou que 67,1% de todos os envios de comentários falsos chegassem à plataforma".

Tripadvisor admite que penalizou 34 605 propriedades devido à atividade fraudulenta

"Aprendemos que, mesmo durante uma pandemia, há quem tente enganar o sistema", reconheceu a empresa no relatório. "A nossa equipa permaneceu vigilante e eficaz na deteção de possíveis responsáveis por fraudes, como resultado, a proporção de comentários que rejeitamos ou removemos aumentou em comparação com os números pré-pandemia de 2018", conclui a plataforma.

No que se refere às avaliações pagas, que pretendem aumentar o ranking de hotéis e restaurantes, com o objetivo de, assim, beneficiar de uma boa classificação na plataforma, a empresa indica que removeu comentários pagos de 131 países, com a Índia a sobressair. O país liderou a lista de países de onde surgiram mais avaliações pagas no ano passado.

Explica a Tripadvisor que o aumento das avaliações pagas originárias da Índia não significa que os comentários seriam dirigidos a empresas do país. Esclarece que os "paid reviewers", quem é pago para fazer avaliações, da Índia ou de outro país, tentam "vender" as críticas a negócios de todo o mundo.

Certo é que é da Índia o maior número de avaliações pagas, uma nova tendência, conlui a Tripadvisor. "Os nossos investigadores também identificaram tendências de mudança na origem das avaliações pagas - com a Índia a ultrapassar a Rússia no topo da lista de países, a partir dos quais as avaliações pagas foram enviadas".

Foram também identificados 65 novos sites de avaliação pagos, refere a Tripadvisor, tendo sido bloqueadas as submissões "de um total de 372 sites de avaliação pagas diferentes" durante 2020.

No ano passado, a empresa indica ainda que penalizou "34 605 propriedades por atividades fraudulentas" e baniu "20 299 membros por não cumprirem com os padrões" da comunidade que faz parte da plataforma.

Tripadvisor removeu conteúdos de desinformação sobre a covid-19

Devido à covid-19, a empresa refere que fez uma série de ajustes nas práticas referentes às avaliações desde o início da pandemia e como consequência foram analisadas manualmente 257 022 avaliações, tendo sido removidos mais de 46 mil comentários por violarem as diretrizes de publicação.

"Removemos qualquer conteúdo que incentive as pessoas a ignorar as diretrizes ou restrições do governo, que desencoraje as pessoas a procurarem assistência médica ou exames, ou que promova desinformação", lê-se no relatório.

Foi também removido "conteúdo racialmente insensível, incluindo análises que se refiram ao vírus como o 'vírus chinês' ou 'vírus Wuhan'". ​​​​​​Avaliações que criticavam uma empresa por aplicar medidas de combate à covid-19 também foram removidas.

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