Presidente sul-coreano dá ao Papa cruz feita de arame farpado da fronteira

O Vaticano destacou que Seul e a Santa Sé "compartilham a esperança de que o esforço comum e a boa vontade possam promover a paz e o desenvolvimento na península coreana". O Papa encontrou-se ainda com Joe Biden, presidente dos EUA.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, ofereceu esta sexta-feira ao Papa Francisco, que o recebeu no Vaticano, uma cruz feita de arame farpado usado para proteger a fronteira entre as duas Coreias.

Colocada sobre uma base de madeira, a pequena cruz cristã oferecida ao Papa Francisco foi feita a partir do derretimento de arame farpado enferrujado.

"Assim como o arame farpado e as suas pontas se derretem no fogo para se tornar uma bela cruz, espero que possamos derreter para sempre essa barreira terrível que separa os nossos corações", escreveu Moon Jae-In, num texto em espanhol.

Ao contrário do que o seu nome possa sugerir, a Zona Desmilitarizada que divide a península coreana ao longo de mais de 250 quilómetros é um dos lugares mais fortificados do planeta, com cercas de arame farpado e campos minados, tornando qualquer tentativa de travessia extremamente perigosa.

"A República da Coreia [Coreia do Sul] é o último território dividido no mundo. A função do arame farpado na península coreana é evitar que os do lado oposto cruzem a fronteira", explicou Moon.

O Papa Francisco retribuiu com uma medalha de bronze representando o projeto original do artista Bernini para a construção da praça de São Pedro, no Vaticano.

Num comunicado, o Vaticano destacou que Seul e a Santa Sé "compartilham a esperança de que o esforço comum e a boa vontade possam promover a paz e o desenvolvimento na península coreana, apoiados pela solidariedade e pela fraternidade".

Este é o segundo encontro entre Jorge Bergoglio e Moon Jae-in, após a visita deste último ao Vaticano, em 2018.

O líder sul-coreano lembrou então a visita que fizera um mês antes a Pyongyang, durante a qual o líder norte-coreano Kim Jong-un, "expressou o seu desejo de receber o Papa em seu país"

Contudo, até hoje, Kim Jong-un nunca convidou oficialmente o Papa.

Hoje, Moon disse ao Papa Francisco que a eventualidade de uma visita papal à Coreia do Norte "criaria um impulso para a paz na península coreana".

Francisco visitou em 2014 a Coreia do Sul, onde apelou à reconciliação na península. A Coreia do Sul tem 5,9 milhões de católicos, segundo dados da Conferência Episcopal Coreana, o que corresponde a 11,2% da sua população.

Reunião com Biden durou 75 minutos

O Papa Francisco reuniu-se também com Joe Biden, presidente dos EUA. O encontro durou 75 minutos, mais tempo do que o habitual em visitas oficiais ao Vaticano, na primeira etapa da digressão europeia do líder norte-americano.

A delegação dos Estados Unidos incluiu ainda o secretário de Estado, Antony Blinken, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, e a primeira-dama, Jill Biden.

"É bom estar de volta", disse Joe Biden à chegada ao Vaticano, lembrando que já tinha ali estado na condição de vice-presidente dos EUA, durante a presidência de Barack Obama.

Biden iniciou hoje no Vaticano uma viagem de cinco dias pela Europa que o levará no sábado à vizinha Roma, para participar na cimeira do G20, e posteriormente a Glasgow para a conferência climática COP 26.

Na véspera do encontro entre Biden e o Papa Francisco, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse prever "um diálogo caloroso e construtivo entre os dois líderes".

"Há uma grande concordância e sobreposição de pontos de vista entre o Presidente (Biden) e o Papa Francisco em várias questões: pobreza, combate à crise climática, combate à pandemia de covid-19", explicou Psaki.

Após o primeiro encontro com Francisco como Presidente dos Estados Unidos, Biden encontrou-se ainda com o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin.

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