Presidente nos cuidados intensivos deixa política checa num impasse

Milos Zeman foi internado após um encontro com o primeiro-ministro Andrej Babis, derrotado nas legislativas.

Enquanto uma equipa de especialistas se atarefava em torno do presidente Milos Zeman, internado desde domingo nos cuidados intensivos, a República Checa começava a semana na incerteza quanto ao seu futuro político.

Tudo começou no sábado quando os resultados das legislativas revelaram a derrota por um triz do populista ANO do primeiro-ministro Andrej Babis, face a uma aliança de três partidos de centro direita chamada Juntos e liderada por Petr Fiala.

Segundo a Constituição checa, o presidente Zeman tem de convocar o Parlamento nos 30 dias que se seguem à eleição e nomear o primeiro-ministro, para além de mediar as negociações para a formação do novo governo.

A derrota do milionário Babis surge num momento em que é suspeito de fraude no uso de subsídios da União Europeia e depois de o seu nome surgir na investigação dos Pandora Papers, alegadamente por ter usado dinheiro de empresas offshore para comprar propriedades no estrangeiro, inclusive um castelo na Riviera francesa.

Segundo a Constituição checa, o presidente Zeman tem de convocar o Parlamento nos 30 dias que se segue à eleição e nomear o primeiro-ministro, para além de caber ao chefe do Estado mediar as negociações para a formação do novo governo. No domingo Zeman teve um breve encontro com Babis, mas pouco depois foi levado de emergência da sua residência para o hospital militar de Praga. Segundo os media locais, o presidente - que é diabético e sofre de uma neuropatia, o que o obriga a utilizar uma cadeira de rodas - estará a receber tratamento ao fígado. O estado de Zeman, 77 anos, piorou nas últimas semanas, segundo a presidência, e no domingo teve de ser internado de urgência. "Está a ser tratado por uma equipa de pessoal especializado em cuidados intensivos", explicou à AFP a sua porta-voz, Jitka Zinke.

Apesar das garantias do hospital de que Zeman está "estabilizado", as imagens do presidente a ser tirado da ambulância com a cabeça a precisar de apoio levantaram dúvidas sobre a sua capacidade de recuperar para liderar as negociações para o novo executivo.

Entretanto tem subido a pressão para que o verdadeiro estado de saúde do presidente seja revelado, com o tabloide Blesk a fazer manchete com "Digam-nos o que se passa com Zeman!"

A coligação Juntos de Fiala conquistou 108 dos 200 lugares no Parlamento nas eleições da semana passada, com uma aliança entre o liberal Piratas e os centristas do Autarcas e Independentes. Mas apesar de estarem em clara vantagem para tirar Babis do poder, o presidente dissera antes do escrutínio que apenas convidaria a formar governo o líder de um partido e não de uma coligação, sugerindo que o seu velho aliado Babis seria o primeiro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG