Exclusivo Presidenciais na Líbia - a sombra de Kadhafi

Uma década depois da morte do coronel que pôs e dispôs do país entre 1969 e 2011, as eleições agendadas para 24 de dezembro estão longe de garantir o fim dos problemas.

Marcadas para a véspera de Natal, ainda não é certo que se venham a realizar por uma simples razão. A Líbia ainda não tem Constituição e arrisca eleger um Presidente que ainda não sabe que poderes terá. É aqui que a doutrina se divide (líderes tribais, civis e militares), sobre se a empreitada deverá avançar ou se deverá ser adiada até que, pelo menos, seja redigido um esboço de Constituição que possa ser levada a referendo popular, estabelecendo assim separação de poderes, os que competem ao PR a eleger, eivada também de uma sempre bem-vinda legitimação popular pré-eleitoral. Talvez por esta divisão doutrinária, o Enviado Especial das Nações Unidas para a Líbia, Ján Kubis, tenha apresentado esta semana a sua demissão sem, no entanto, a ter justificado até agora. Nações Unidas, cuja posição oficial é aliás, precisamente a de se manter a data de 24 de dezembro, virar a página e continuar a construir o edifício a partir do telhado. Por outro lado, a "tradição líbia" se assim se poderá chamar, nunca teve um Presidente. É verdade, foi monarquia após a independência (1951-1969) e o Coronel Muammar Kadhafi, apesar dos seus 42 anos à frente dos destinos do país entre 1969 e 2011, nunca teve o título de Presidente, apresentando-se sempre como Líder da Revolução, um ardil oficioso que sempre o escudou, numa primeira fase, do Tribunal Penal Internacional. Acusar quem, o Presidente? Se ele não existe! Numa segunda fase identificar-se-ia sempre a "origem do mal", por associação à cadeia de comando e aos efeitos causa/consequência, mas Kadhafi sempre deu mais trabalho que todos os outros.

O regresso do folclore Kadhafi

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