Portugal junta-se ao coro de críticas às bombas de fragmentação

Britânicos, espanhóis e canadianos mostram-se contra a opção de uso das munições proibidas pela Convenção de Oslo. Agora, o governo português também lembrou as consequências nefastas daquelas armas.
Publicado a
Atualizado a

A propósito do anúncio norte-americano de envio de bombas de fragmentação para a Ucrânia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e o Ministério da Defesa Nacional (MDN), numa resposta escrita conjunta enviada à Lusa, os responsáveis recordaram que Portugal é "signatário da Convenção de Oslo sobre Munições de Dispersão, que promove a proibição de bombas de fragmentação".

"Recorde-se que este tipo de armas pode provocar vítimas numa área muito alargada e, por vezes, mesmo muito tempo depois de terem sido lançadas", afirmam o MNE e MDN.

Os dois ministérios garantiram ainda que "Portugal continuará a apoiar a Ucrânia na sua legítima defesa contra a invasão ilegal e injustificada por parte da Rússia".

O Reino Unido, a Espanha e o Canadá também já se manifestaram contra o uso de bombas de fragmentação.

O primeiro-ministro britânico Rishi Sunak lembrou que o Reino Unido é um dos 123 países signatários da Convenção sobre Munições de Fragmentação de 2008, destacando que Londres está a fornecer tanques e armas de longo alcance a Kiev para lutar contra a invasão russa.

"Não às bombas de fragmentação e sim à legítima defesa da Ucrânia, que entendemos não dever ser efectuada com bombas de fragmentação", defendeu a ministra da Defesa espanhola Margarita Robles.

O Governo norte-americano defendeu hoje que a Rússia é o "único obstáculo" a uma "paz justa", um dia após ter anunciado que iria fornecer munições de fragmentação (cluster), ultrapassando assim uma barreira importante no tipo de armamento oferecido a Kiev para se defender da Rússia.

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, frisou na sexta-feira que as munições que entregarão têm uma taxa de não explosão - ou seja, permanecem no solo por detonar -- inferior a 2,35%, indicando que haverá muito menos cartuchos não detonados que podem resultar em mortes não intencionais de civis.

Por outro lado, as bombas de fragmentação que a Rússia supostamente usou têm uma taxa de não explosão de 30 a 40%, de acordo com Sullivan.

Mais de uma centena de países, incluindo membros da NATO como a França e a Alemanha, opõem-se ao uso de bombas de fragmentação e ratificaram a Convenção sobre Munições de Fragmentação, da qual a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos não fazem parte.

Antes da confirmação por parte da Casa Branca, também o secretário-geral da ONU, António Guterres, tinha condenado o uso de munições de fragmentação, tal como organizações não governamentais como a Amnistia Internacional ou a Human Rights Watch.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro do ano passado, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Diário de Notícias
www.dn.pt