"Porque levam os nossos filhos?" Mulheres russas confrontam polícia no Daguestão

Segundo o grupo OVD-Info, que monitoriza os protestos e presta assistência jurídica aos detidos, já foram presas mais de duas mil pessoas por protestos contra a mobilização decretada por Putin.

Os protestos contra mobilização militar decretada por Vladimir Putin continuam. Vários vídeos partilhados nas redes sociais mostram os violentos confrontos ocorridos este domingo, em Makhachkala, capital regional do Daguestão, entre a polícia e os manifestantes, enquanto a multidão gritava "não à guerra".

A multidão, quase exclusivamente composta por mulheres, enfrentou os elementos policiais em protesto contra a decisão do presidente de enviar centenas de milhares de militares na reserva para lutar na Guerra da Ucrânia. Um vídeo mostrava um grupo de mulheres a perseguir um oficial de um centro de recrutamento, com uma delas a gritar que "Porque estão a levar os nossos filhos? Quem foi atacado? A Rússia foi atacada? Eles não vieram até nós. Fomos nós que atacámos a Ucrânia. A Rússia atacou a Ucrânia! Parem com a guerra!"

Vários outros filmes mostram confrontos violentos, incluindo polícias a tentar deter pessoas, sentando-se em cima delas para as imobilizar. O grupo OVD-Info, que monitoriza os protestos e presta assistência jurídica aos detidos, disse estar preocupado com os relatos de "detenções violentas" na região do Daguestão, denunciando o uso de armas de choque. Imagens obtidas pelo grupo mostram ainda policiais a disparar armas de fogo real para o ar enquanto tentavam dispersar os manifestantes, que bloqueavam uma estrada.

Numa tentativa de acalmar os ânimos, o governador do Daguestão, Sergei Melikov, admitiu este domingo, no Telegram, que "foram cometidos erros e que "a mobilização parcial deve ocorrer estritamente de acordo com os critérios anunciados pelo presidente".

A primeira mobilização militar da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial desencadeou protestos em dezenas de cidades em todo o país. As manifestações de desagrado têm sido mais exuberantes nas regiões mais pobre e de minorias étnicas, como o Daguestão, uma região de maioria muçulmana localizada nas margens do Mar Cáspio, no norte montanhoso do Cáucaso.

Segundo uma reportagem da BBC, o Daguestão sofreu mais baixas do que qualquer outra província russa no conflito. Oficialmente, pelo menos 301 soldados da região morreram até ao início de setembro, 10 vezes mais do que as baixas na capital Moscovo, por exemplo.

Os comícios não autorizados são considerados ilegais ao abrigo das leis anti-protestos na Rússia e por isso são raros fora das grandes cidades. Apesar disso, segundo o grupo OVD-Info, mais de 2000 pessoas foram presas em comícios anti-mobilização na Rússia desde que Putin anunciou a ação, que o Kremlin apelidou de "mobilização parcial"... de 300 mil reservistas militares.

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