Polícia de Cáceres tem 60 mil euros à espera do dono

Uma cautela premiada com 60 mil euros aguarda pelo legítimo dono nas mãos da Polícia de Cáceres, na Extremadura espanhola. Foi encontrada perdida na rua por um habitante que a entregou na polícia.

As autoridades prometem entregar o bilhete da Lotaria Nacional a quem provar pertencer, mas até agora só apareceram três pessoas a tentar a sua sorte. Todas as versões foram identificadas como sendo falsas.

O tema tem agitado Cáceres desde que a autarquia anunciou publicamente, há duas semanas, que um cidadão tinha encontrado a cautela premiada com os 60 mil euros, equivalente à extração de 14 de novembro de 2020, cuja sorte contemplou mais 29 parcelas do mesmo bilhete de lotaria.

A cautela com o número da sorte (3213) foi entregue na polícia, sendo nos últimos dias encaminhada para a Tesouraria Municipal, à espera que o dono a reclame, respondendo a uma série de questões colocadas pelas autoridades como forma destas aferirem a legitimidade do proprietário.

Porém, até aqui apenas compareceram duas pessoas na Tesouraria Municipal e uma na esquadra da polícia, que começaram por garantir que eram os donos dos 60 mil euros, mas acabaram por não conseguir responder corretamente ao questionário das autoridades.

As versões que apresentaram não coincidiram com detalhes que estão referenciados pelos agentes como sendo essenciais para comprovar a titularidade da cautela milionária. Segundo soube o DN junto de fonte ligada ao processo, as três pessoas que tentaram ganhar a "sorte grande na secretaria" sabiam que a cautela fora comprada na Lotaria Candi - uma casa de jogos da avenida de Espanha, 25, que é conhecida como a Bruxa de Ouro de Cáceres - e pouco mais. Mas não souberam descrever a série, a fração e o número da série premiado, nem como o que estava descrito no dorso. Aliás, o local de venda já tinha sido revelado pelas autoridades.

Enquanto a polícia continua à procura do dono dos 60 mil euros, a própria autarquia recorreu a várias plataformas para tentar encontrar o premiado, evitando que o dinheiro reverta para o estado.

Porém, o grande beneficiado poderá ainda vir a ser a pessoa que encontrou a cautela. Será ela a ter o direito de reclamar o prémio, como prevê o Código Civil espanhol, caso o dono não apareça no prazo de dois anos.

Aliás, quem encontrou o retângulo da sorte já solicitou à Sociedade Estatal de Lotarias e Apostas do Estado que ordene a suspensão da prescrição do direito de cobrança. Suspende, assim, a caducidade do prémio, garantindo que lá para finais de 2022 vai poder levantar os 60 mil euros.

Segundo foi avançado pela mesma fonte do DN, com base nas informações fornecidas pela proprietária da casa de jogo, cerca de metade das 30 cautelas do bilhete de lotaria premiado foram, curiosamente, adquiridas por apostadores que jogam sempre com o mesmo número desde 1982, havendo ainda alguns premiados que frequentemente também pedem o 3213. Um dado que leva a autoridades a admitir que quem perdeu a cautela será alguém que não costuma apostar neste número.

O tema trouxe à memória dos espanhóis um caso semelhante, já com uns anos, ainda no tempo das pesetas. Um homem garantia que tinha perdido o bilhete de lotaria premiado com 124 milhões de pesetas, em pleno Chíviri, uma festa popular que acontece na cidade espanhola de Trujillo. Chegou a recorrer à justiça para provar a sua versão, mas não conseguiu pôr a mão no dinheiro. O bilhete nunca apareceu.

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