Ataque russo com drones faz pelo menos quatro mortos em Kiev

Ucranianos indicam que foram usados drones kamikazes de fabrico iraniano. Uma das vítimas mortais na capital é uma mulher grávida. Em Sumy houve mais quatro mortos num outro ataque russo.
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O mais recente balanço de vítimas do ataque russo com "drones" esta segunda-feira contra a cidade de Kiev aumentou para quatro mortos, anunciaram os serviços de emergência.

As autoridades ucranianas apelaram aos residentes que procurem refúgio, exatamente uma semana após uma vaga de ataques russos contra a capital da Ucrânia. Um prédio residencial foi atingido e uma das explosões foi registada junto à estação de comboios, de acordo com as autoridades de Kiev.

"Quatro pessoas morreram e três foram levadas ao hospital", disseram que os serviços de emergência, que anunciaram também que duas equipas de resgate ficaram feridas.

O autarca Vitali Klitschko disse que uma esposa grávida e seu jovem marido estão entre os mortos em Kyiv.

As explosões sentidas no distrito de Shevchenkiv, no centro da capital ucraniana, em Kiev, deveram-se a "ataques de drones 'kamikaze'", disse ainda o chefe de gabinete da presidência do país.

"Os russos acham que [este ataque] vai ajudá-los, mas mostra o seu desespero", afirmou Andrey Yermak na plataforma Telegram, acrescentando que foram usados 'drones' (aeronaves não tripuladas) de fabrico iraniano.

Por outro lado, a Ucrânia acusou esta segunda-feira a Rússia de continuar a atacar infraestruturas vitais no país deixando "centenas de localidades" sem eletricidade.

Nas últimas horas, as forças russas atacaram instalações energéticas em três regiões do país, disse o primeiro-ministro ucraniano, Denys Chmygal, referindo "cinco ataques com drones" em Kiev e "ataques com mísseis" nas regiões de Dnipropetrovsk (centro-leste) e Sumy (nordeste). Nesta última região, quatro pessoas morreram e várias outras ficaram feridas .

"Centenas de localidades estão sem eletricidade", disse Chmygal, citado pela agência francesa AFP.

O autarca referiu ainda que, esta manhã, "28 drones voaram em direção a Kiev", mas "graças às forças armadas" a maioria das aeronaves não tripuladas foi abatida, tendo sido registadas cinco explosões no centro da capital ucraniana. "Os russos querem que as pessoas em Kiev morram sem aquecimento e eletricidade", consderou Klitschko, que acusou as forças russas de quererem "um desastre humanitário" .

"Durante toda a noite e toda a manhã, o inimigo aterroriza a população civil", escreveu o presidente ucraniano nas redes sociais em reação a mais um ataque à capital. Zelensky afirmou que drones kamikaze estão a atacar "toda a Ucrânia", tendo sido atingido um edifício residencial em Kiev.

"O inimigo pode atacar nossas cidades, mas não será capaz de nos destruir. Os ocupantes vão receber apenas punição justa e condenação das gerações futuras. E teremos a vitória", declarou Zelensky.

Segundo jornalistas da agência noticiosa AFP, as explosões aconteceram entre as 06:35 e as 06:58 (04:35 e 04:58 em Lisboa), tendo a primeira explosão sido antecedida pelo soar de sirenes de ataque aéreo.

Cerca de uma hora depois, o autarca de Kiev confirmou que várias explosões tinham atingido o bairro de Shevchenkiv, no centro da capital, e pediu aos cidadãos que se mantenham a salvo até que as sirenes de ataque aéreo parem de soar.

"Todos os serviços continuam a funcionar. (...) O alerta continua. Mantenham-se nos abrigos!" escreveu Vitali Klitschko na plataforma Telegram.

Menos de dez minutos depois, o autarca confirmou uma segunda explosão no mesmo bairro de Kiev.

Numa nova atualização da situação, Klitschko informou que o trânsito está cortado em várias estradas da cidade e apelou aos habitantes de Kiev para evitarem deslocações ao centro da capital. Pediu também para que não sejam ignoradas as sirenes de alerta de ataque aéreo. "Vamos cuidar da nossa segurança", escreveu.

As explosões sentidas esta manhã no distrito de Shevchenkiv deveram-se a "ataques de drones 'kamikaze'", disse o chefe de gabinete da presidência do país. Vamos ficar juntos", escreveu.

"Os russos acham que [este ataque] vai ajudá-los, mas mostra o seu desespero", disse Andrey Yermak, na plataforma Telegram, acrescentando que foram usados drones (aeronaves não tripuladas) de fabrico iraniano.

O Irão voltou a negar, entretanto, o fornecimento de drones à Rússia para serem utilizados na Ucrânia. "Não fornecemos armamento a nenhum dos países em guerra", disse esta segunda-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Nasser Kanaani, citado pela Reuters.

O chefe de gabinete da presidência do país, Andrey Yermak aproveitou ainda para voltar a pedir mais armas ao Ocidente. "Precisamos de mais sistemas de defesa aérea e o mais rápido possível. Mais armas para defender o céu e destruir o inimigo", sublinhou.

Também no Telegram, o autarca de Kiev confirmou que as explosões se deveram a ataques de drones, que provocaram um incêndio num edifício não residencial e danos em vários prédios de apartamentos.

Após os primeiros ataques, um jornalista da agência AFP viu um drone a cair sobre um prédio, enquanto dois agentes policiais o tentavam abater com as suas armas de serviço.

O autarca da cidade fez saber, num balanço provisório, que 18 pessoas foram retiradas do prédio atingido e que pelo menos duas pessoas ainda estavam presas debaixo dos escombros.

Perante este novo ataque a Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, pede uma "resposta clara do mundo a estes crimes: mais apoio à Ucrânia e mais sanções contra o agressor".

Mykhailo Podolyak, conselheiro presidencial ucraniano, defendeu que a Rússia deveria ser expulsa do G20, após mais um ataque à capital.

"Aqueles que dão ordens para atacar infraestruturas críticas para congelar civis e organizar mobilização total para cobrir a linha de frente com cadáveres não podem sentar-se à mesma mesa com os líderes do G20", escreveu no Twitter.

Para Podolyak, é "hora de acabar com a hipocrisia russa" e defende que o país devia ser expulso "de todas as plataformas".

Na sexta-feira, o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, disse que as Forças Armadas russas têm atualmente "cerca de 300 unidades" de drones de combate fornecidos pelo Irão.

Segundo Reznikov, as autoridades russas estariam agora em negociações com Teerão para comprar mais alguns milhares desses aparelhos aéreos não tripulados, segundo a agência de notícias UNIAN.

"Se vai acontecer ou não, veremos. Mas devemos estar preparados para isso, para não ficarmos parados. Estamos a desenvolver sistemas para os repelir. O nosso Exército está a derrubá-los, já aprendemos como fazê-lo", disse o ministro da Defesa ucraniano.

As autoridades ucranianas acusam desde agosto o Irão de fornecer os chamados "drones 'kamikaze'", que chocam com os alvos, ao Exército russo, embora Teerão tenha negado estar envolvido nessa transação, assim como Moscovo.

No final de setembro, a Ucrânia retirou as credenciais do embaixador iraniano em Kiev e anunciou uma redução significativa da presença diplomática iraniana.

Segundo o Ministério da Defesa ucraniano, o exército russo lançou 83 mísseis sobre a Ucrânia em 10 de outubro, dois dias depois de uma explosão ter danificado uma ponte russa na Crimeia, uma infraestrutura estratégica e símbolo da anexação desta península ucraniana pela Rússia.

O ataque causou pelo menos 10 mortos e 60 feridos, incluindo cinco vítimas mortais e 51 feridos em Kiev, segundo Vitali Klitschko.

Na sexta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou não prever novos ataques "massivos" na Ucrânia.

"No imediato, não há necessidade de ataques massivos. Atualmente, existem outros objetivos. De momento. Depois veremos", declarou Putin em conferência de imprensa após uma cimeira regional no Cazaquistão, assegurando ainda que não tem por objetivo "destruir a Ucrânia".

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e quase sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções em todos os setores, da banca à energia e ao desporto.

A ONU apresentou como confirmados 5.587 civis mortos e 7.890 feridos, sublinhando que os números reais são muito superiores e só serão conhecidos no final do conflito.

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