Países Baixos. Mark Rutte quer discutir o plano de recuperação e adiar formação de governo

Os populistas nacionalistas deverão assegurar o segundo lugar nas eleições gerais holandesas.

A formação de governo nos Países Baixos está pressionada com a urgência de fechar o plano de recuperação e resiliência.

Esta quarta-feira, encerram as urnas nas eleições gerais nos Países Baixos. Os holandeses podem votar desde segunda-feira e parecem afastados definitivamente os receios de há quatro anos, quando o nacionalista anti-europeu Geert Wilders ameaçava chegar ao poder. Mas, tudo indica que consolide o eleitorado e garanta o segundo lugar.

O atual primeiro-ministro, Mark Rutte, já traçou uma estratégia para o próximo mandato, a contar com a vitória, nesta quarta-feira. Rutte quer aproveitar os dias a seguir às eleições e avançar já com o debate e aprovação do plano de restauro da economia. Só depois Rutte admite envolver-se nas discussões para a formação do futuro governo.

As últimas sondagens apontam, no essencial, para uma configuração muito semelhante ao resultado das eleições anteriores, com o partido conservador liberal, VVD a conquistar a maioria dos assentos parlamentares. Há quatro anos, o partido de Mark Rutte conseguiu eleger 33 deputados.

Populismo em segundo lugar

Entretanto deixou de ser uma sensação mediática internacional, mas o partido populista e nacionalista, o PVV de Geert Wilders, não desapareceu do espectro político holandês. E, se as sondagens se confirmarem, vai manter-se como a segunda força parlamentar.

A Partir daqui começam as dúvidas. O terceiro lugar será discutido entre a liberal Sigrid Kaag, o D66, e o o democrata-cristão, de Wopke Hoekstra - o antigo ministro das finanças que há menos de um ano fez declarações sobre o impacto económico da pandemia, que causaram repugnância nos países do sul da UE.

Os dois partidos integram a coligação de governo, que conta ainda com a União Cristã. Todos rejeitam o projeto de Mark Rutte de adiar a formação de governo - habitualmente demorada nos países baixos -, e querem que a o plano de recuperação seja discutido o quando antes, mas por um executivo em plenas funções.

"Temos de fazer um plano de recuperação de alguma maneira, mas estas eleições são sobre o futuro da Holanda. Não se pode montar um plano de recuperação rapidamente e depois demorar muito para discutir as escolhas mais difíceis", afirmou Sigrid Kaag.

Já o democrata-cristão Wopke Hoekstra quer um processo célere, para a formação do governo. "Não sou conhecido pela minha paciência. E sempre achei estranho que a formação demorasse tanto. Tempo durante o qual não se pode governar. Isso já é indesejável em circunstâncias normais, e mais ainda agora no pico da crise ", afirmou no último debate televisivo.

O próprio Mark Rutte mostrou-se pouco impressionado com as críticas. "A minha sensação é que outros estão a resmungar um pouco, mas na verdade pensam: Sim, deveríamos realmente fazer desta forma", discutindo primeiro o plano e só depois avançar para a formação do executivo.

Fora do governo, mas com ambições mais altas a partir de agora, os verdes, socialistas, e trabalhistas tem procurado conquistar o voto dos indecisos, entre eleitores pouco estimulados com a mudança, durante a crise.

O espetro político holandês conta ainda com mais seis partidos, quase todos com deputados eleitos e três partidos novos, de centro direita e centro esquerda. As sondagens antecipam a eleição de um deputado para cada um.

As eleições para a Câmara Baixa começaram na segunda-feira, com cerca de 1600 locais de voto.

Como medida preventiva, devido à pandemia, as eleições decorrem durante três dias. As urnas abriram na segunda-feira e encerram quarta às 21.00. À mesma hora inicia-se, habitualmente, o confinamento noturno. Mas, esta quarta-feira, será levantado excecionalmente, devido às eleições.

Mais de 13 milhões de pessoas são chamadas a votar. Eleitores com mais de 70 anos podem ainda votar por correio. O gabinete de estatística holandês calcula que cerca de 30% dos eleitores utilizaram esta opção.

Os holandeses no estrangeiro também podem optar pelo voto por correspondência. Na última sexta-feira, mais de 53.000 já tinham votado pelo correio.

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