Onda de calor, incêndios, milhares em fuga na Grécia e Turquia

Milhares de pessoas forçadas a abandonar as casas de uma e da outra margem do mar Egeu. Governo turco alvo de críticas.

Milhares de pessoas tiveram de fugir na sequência de um incêndio que chegou a ter quatro frentes nos arredores de Atenas num momento em que o país é atingido pela pior vaga de calor em 30 anos. Mais de uma centena de casas e lojas ficaram destruídas, em especial em Varympompi, situada 30 quilómetros a nordeste da capital. Na Turquia, onde as temperaturas atingiram os 50 º C, à segunda semana de incêndios contam-se oito mortos. Na quarta-feira evitou-se um novo desastre com os aviões enviados por Espanha a salvarem uma central térmica.

"Já não estamos a falar de alterações climáticas, mas de uma ameaça climática", comentou o ministro-adjunto da Proteção Civil Nikos Hardalias perante um quadro em que as temperaturas mínimas não baixam dos 30 º C, situação que ajudou a propagação de fogos, não só na Grécia, mas também em Itália, Albânia, Macedónia do Norte e Turquia.

Atenas voltou a acordar numa combinação de calor e fumo, o que levou à hospitalização de dezenas de pessoas com problemas respiratórios, a maioria das quais crianças, noticiou o Kathimerini. A autoridade de saúde grega informou ter mensurado níveis de até 465 microgramas de partículas finas por metro cúbico no centro da cidade (a UE estabelece um limite de 50 microgramas por metro cúbico de ar), o que levou as autoridades a aconselharem os residentes com problemas respiratórios a permanecerem dentro de casa.

Em Marmaris, cidade atingida pelos fogos, Recep Erdogan fez um discurso político e no final atirou sacos de chá à população.

Mais de 500 bombeiros, uma dúzia de aviões de combate aos incêndios e cinco helicópteros têm estado a combater os incêndios fora da capital desde terça-feira à tarde. Outros focos de chamas concentravam-se na região do Peloponeso e nas ilhas de Eubeia e de Rodes. De visita a Varympompi, o primeiro-ministro foi agradecer aos bombeiros e a todos aqueles que ajudaram no combate ao fogo. "Estes fogos urbanos são um inferno absoluto", desabafou Kyriakos Mitsotakis.

O presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan também se dirigiu às zonas afetadas pelos fogos, mas a sua atitude caiu mal, tal como a resposta governamental. Os mais de 140 incêndios começaram na província mediterrânica de Antália, tendo daí espalhado em quase todas as direções, graças à mistura de seca extrema, ventos fortes, calor, humidade baixa e, diz, a oposição, um governo impreparado para agir e que demorou demasiado a aceitar ajuda estrangeira.

Na segunda-feira, a União Europeia enviou meios aéreos para a Turquia, os quais foram determinantes para evitar o pior na central térmica de Milas, na costa do mar Egeu, de onde os turistas fugiram. Enquanto o organismo de supervisão dos meios de comunicação ameaçou quem mostre imagens em direto de incêndios, o governo começou por culpar os curdos pelas ignições. As críticas subiram de tom depois de o presidente Erdogan se ter dirigido a Marmaris, feito um discurso político e no final atirado sacos de chá à população.

A oposição lamenta a falta de meios aéreos e teme que uma lei aprovada na semana passada abra o caminho para a construção e exploração mineira no lugar das florestas. Erdogan promete reflorestar a área ardida.

cesar.avo@dn.pt

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