Olaf Scholz, o social-democrata austero que vai suceder a Merkel

Scholz, descrito pelos media alemães como a "encarnação do tédio político", deve ser eleito chanceler na semana de 6 de dezembro, depois de negociado o acordo de governação entre o SPD, Ambientalistas e Liberais.

Vice-chanceler e ministro das Finanças do atual governo, o social-democrata Olaf Scholz prepara-se para substituir Angela Merkel e liderar uma coligação sem precedentes que envolve três partidos.

Aos 63 anos, Scholz revelou esta quarta-feira (24 de novembro) o acordo final de coligação negociado durante dois meses com ambientalistas e liberais - dando origem à apelidada "Coligação Semáforo". Abre-se assim o caminho para a sua eleição, na semana de 6 de dezembro, como chanceler da maior economia europeia, após a vitória do seu partido, o SPD, nas eleições de setembro.

Reservado e com inspiração no estilo sóbrio de Merkel, Scholz conseguiu aos poucos ganhar o seu espaço na política alemã, apesar de ser pouco conhecido pelos próprios alemães.

"Encarnação do tédio"

Sempre muito reservado e aproveitando os erros políticos dos seus adversários, o homem que a revista Der Spiegel apresenta como sendo "a encarnação do tédio na política" passou por todos os níveis da atividade pública desde os anos 1970.

Nascido em Osnabruck, a 14 de junho de 1958, Olaf Scholz entrou para o SPD aos 17 anos, colocando-se na altura, na ala mais à esquerda do partido.

Tornou-se advogado especialista em direito do trabalho e foi eleito deputado em 1998.

Como secretário-geral do SPD (2002-2004), Scholz teve que explicar todos os dias, diante das câmaras de televisão, as impopulares reformas liberais do então chanceler Gerhard Schröder.

Alvo de piadas pelo seu comportamento austero e discursos em tom monocórdico, quase robotizado, que lhe valeram o apelido de "Scholzomat", o futuro chanceler alemão admitiu que "a alcunha não é uma descrição totalmente falsa". Mas acrescentou : "Se sempre me fizeram as mesmas perguntas eu dei sempre as mesmas respostas".

Em 2004, a liberalização do mercado de trabalho acabou por dividir a esquerda, precipitando a derrota de Schröder para Angela Merkel em 2005.

Em 2007, Scholz foi nomeado ministro do Trabalho, envolvido numa coligação governamental e, em 2011, tornou-se governador de Hamburgo. Na cidade, esgotou o orçamento com uma ambiciosa política de habitação e proteção infantil.

Em 2018, substituiu como ministro das Finanças o democrata-cristão ortodoxo Wolfgang Schaüble. O ministro rompeu com o tom frequentemente rude e moralista do seu antecessor, especialmente em relação aos países do sul da Europa.

Competência

Social-democrata de tendência centrista, Scholz parece ter convencido boa parte do eleitorado através da apresentação de uma imagem de alguém competente.

Em 2019, o futuro chanceler apresentou uma candidatura para liderar o SPD, mas os militantes do partido escolherem dois quase desconhecidos da ala mais à esquerda. Com o passar dos anos, o jovem Scholz foi aproximando-se cada vez mais ao centro.

Contudo, conseguiu recuperar espaço com a pandemia, quando não hesitou em romper com a ortodoxia orçamental. O SPD nomeou-o como candidato às eleições legislativas de setembro de 2021.

Nas eleições, o SPD liderado por Scholz obteve uma vitória estreita, relegando os conservadores de Angela Merkel para segundo lugar. Em dezembro deve-se concluir a substituição de Merkel no poder alemão.

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