O passado violento do homem que recebeu um coração de porco

David Bennett de 57 anos entrou na história na semana passada devido a um transplante cardíaco inédito. Foi condenado a dez anos de prisão por esfaquear um jovem de 22 anos.

David Bennett, o homem que recebeu um transplante de coração de porco numa cirurgia inédita, tem um passado de violência que o torna "um destinatário indigno".

A acusação vem de Leslie Shumaker Downey, uma norte-americana que revelou no programa Today, da Radio 4, que Bennett foi condenado por esfaquear o irmão dela, Edward Shumaker, deixando-o paralisado.

Segundo ela, o ataque ocorreu em abril de 1988, num aparente ataque de ciúmes, depois da mulher de Bennett se sentar no colo de Shumaker, que tinha 22 anos na altura e foi esfaqueado nas costas repetidamente e por sete vezes. Bennett foi considerado culpado de agressão e porte de arma e foi condenado a dez anos de prisão.

Por isso, para a irmã da vítima, que ficou confinada a uma cadeira de rodas e morreu em 2007 após quase duas décadas de complicações médicas ligadas ao ataque, o homem não merece o coração que lhe permite prolongar a vida: "Estão a colocar Bennett nas histórias, retratando-o como um herói e um pioneiro, mas não é nada disso. Acho que os médicos que fizeram a cirurgia deveriam receber todos os elogios pelo que fizeram, não Bennett."

O Centro Médico da Universidade de Maryland defendeu que os crimes passados ​​não desqualificam os pacientes: "É a obrigação solene de qualquer hospital ou organização de saúde fornecer cuidados que salvam vidas a todos os pacientes que passam pelas suas portas com base nas suas necessidades médicas." O hospital onde a inédita cirurgia foi feita disse ainda ao New York Times que escolher pacientes com base em qualquer outro padrão que não esse abriria "um precedente perigoso e violaria os valores éticos e morais que sustentam a obrigação que médicos e cuidadores têm para com todos os pacientes sob os seus cuidados".

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