Nyusi quer apoio em Cabo Delgado

Presidente moçambicano está recetivo a ajuda internacional, mas esta ainda está por definir, na véspera de uma cimeira extraordinária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.

O presidente de Moçambique Filipe Nyusi disse que o país "precisa e quer apoios" para combater o terrorismo na província de Cabo Delgado, alertando para o risco de alastramento da violência extremista no território nacional e na África Austral. A ministra dos Negócios Estrangeiros, por sua vez, esclareceu que o tipo de apoio internacional a receber ainda vai ser decidido, enquanto um conselheiro de Estado critica o destacamento de forças militares estrangeiras.

"Nós precisamos e queremos apoios, sem proclamarmos a nossa resignação neste processo de defesa da pátria e da nossa liberdade", declarou Nyusi na abertura do Comité Central da Frelimo. Nyusi anunciou a realização na próxima semana de uma cimeira extraordinária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para a discussão sobre o combate aos grupos armados que atuam no norte do país. O presidente moçambicano criticou "a teimosia" dos que dizem que Moçambique tem declinado apoio na luta contra a violência armada, reiterando que o país tem a consciência de que sozinho não poderá vencer o terrorismo, por se tratar de um "fenómeno global".

Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros, informou que o governo ainda não decidiu como é que o apoio internacional vai ser feito. Peritos militares mandatados pela SADC recomendaram o destacamento de cerca de três mil militares da região. O conselheiro de Estado Raul Domingos é de opinião que o país deve antes potenciar a cooperação na formação militar, como é o caso de Portugal e EUA, e combater as causas socioeconómicas. "Forças militares vindas do Zimbabué ou da África do Sul para um terreno desconhecido podem ter o mesmo fim que tiveram os russos que estiveram em Cabo Delgado", advertiu.

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