Novo passo no processo de alargamento da NATO

Finlândia e Suécia receberam o aval dos 30 países da Aliança Atlântica, mas falta a ratificação nos respetivos Parlamentos.

Agora sim. A Finlândia e a Suécia são oficialmente países candidatos à adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte, depois de os embaixadores dos 30 países aliados terem rubricado os protocolos de adesão ao tratado de Washington dos dois países nórdicos, numa cerimónia que decorreu em Bruxelas. Horas depois, o vice-secretário-geral da NATO disse que não há planos para novas bases em território finlandês ou sueco. A invasão russa à Ucrânia, que desencadeou este processo de alargamento, prossegue com bombardeamentos, em especial nas regiões de Donetsk e de Kharkiv.

"Este é um dia histórico, para a Finlândia, para a Suécia, para a NATO, e para a segurança euro-atlântica", disse o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, no final da cerimónia que tornou oficial a candidatura e lançou o processo de ratificação para todos os países da Aliança. "Partilhamos os mesmos valores e enfrentamos os mesmos desafios no Mar Báltico e não só", continuou Stoltenberg. "A invasão brutal da Ucrânia pela Rússia abalou a paz na Europa. É por isso que é importante que todos estejamos unidos neste momento perigoso da nossa história."

O vice-secretário-geral da NATO diz que a Aliança não planeia criar bases naqueles países. Putin tinha advertido para uma "resposta simétrica".

Cabe agora aos Parlamentos nacionais a última palavra. Tendo em conta o momento geopolítico e de guerra, Stoltenberg prometeu o processo de adesão mais rápido da história da aliança militar. Só que a Turquia de Recep Tayyip Erdogan tem um calendário próprio e levantou objeções ao nível da segurança, tendo alegado que os países albergam terroristas, em especial do PKK e do movimento Hizmet, do exilado Fethullah Gülen.

Além de garantir processos de extradição, Erdogan também quis ver levantado o embargo de armas à Turquia. Apesar do acordo trilateral entre Estocolmo, Helsínquia e Ancara alcançado na cimeira da NATO em Madrid, nada garante que a Turquia tenha pressa. A advertência foi dada pelo presidente turco no final da reunião na capital espanhola, ao dizer que a Suécia se comprometeu em extraditar 73 pessoas, e o ministro da Justiça sueco Morgan Johannsson a ressalvar que os tribunais são independentes.

Quando a Aliança passar a ter 32 países não haverá novas bases nos países nórdicos. "Não planeamos ter bases da NATO nestes dois países, porque eles têm um nível muito elevado de maturidade militar e estratégica", explicou o vice de Stoltenberg, Mircea Geoana. Vladimir Putin advertiu na semana passada que se houver um reforço militar na Finlândia e na Suécia, a Rússia iria "responder simetricamente e levantar as mesmas ameaças para os territórios onde surgiram ameaças".

Ataque em Donetsk, reforço em Kherson

Moscovo ameaça avançar para o que resta do Donbass nas mãos dos ucranianos. Bombardeou Sloviansk de forma "maciça", como descreveu o autarca da cidade. Pelo menos duas pessoas morreram e sete foram feridas em ataques que atingiram o mercado local.

No sul, as forças russas tentam reforçar a região de Kherson com equipamento pesado para conter a contraofensiva ucraniana. Além disso, um oficial do FSB (ex-KGB) foi destacado para comandar a região. Ivan Fedorov, ex-autarca de Melitopol, cidade daquela região, anunciou nas redes sociais que um ataque a um aeródromo junto daquela cidade matou 200 soldados russos e destruiu a base militar.

cesar.avo@dn.pt

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