O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta sexta-feira que irão ser mobilizados "recursos adicionais" para fazer face aos tumultos que estão a ocorrer por toda a França, após a morte, terça-feira, de um jovem, morto a tiro pela polícia..Apelando à responsabilidade dos pais dos jovens manifestantes, a quem pediu que mantenham os adolescentes em casa para acabar com os tumultos registados no país, pois grande parte dos detidos registados são jovens, Macron defendeu que as redes sociais estão a alimentar a violência durante os incidentes e quer que os "conteúdos sensíveis" sejam removidos..Durante uma reunião do comité interministerial de crise realizada no Ministério do Interior francês, Macron saudou a resposta "rápida e adequada" das forças de segurança, na sequência de três noites consecutivas de tumultos, e denunciou a "instrumentalização" dos acontecimentos..O Presidente francês abandonou hoje o Conselho Europeu em Bruxelas mais cedo e regressou a Paris para esta reunião de emergência por causa dos protestos que irromperam depois da morte de um jovem de 17 anos alvejado pela polícia durante um controlo de trânsito..O Presidente francês não anunciou a declaração do estado de emergência, que o Governo tinha estado a ponderar..Após esta segunda reunião de crise com a primeira-ministra, Élisabeth Borne, e com vários ministros, Macron insistiu que as redes sociais estão a desempenhar um "papel considerável" na propagação da agitação desencadeada pela morte do jovem, ocorrida na terça-feira em Nanterre, nos arredores de Paris, o mesmo sucedendo com a comunicação social..Mais especificamente, Macron afirmou que as redes sociais, como o Snapchat e o TikTok, têm de remover conteúdos sensíveis, argumentando que a violência está a ser organizada por via "online".."Por vezes, temos a sensação de que alguns deles estão a viver nas ruas os jogos de vídeo que os intoxicaram", disse o chefe de Estado francês ao referir-se aos jovens envolvidos nos tumultos..As plataformas devem ajudar a identificar "aqueles que apelam à desordem ou à violência", acrescentou..Macron anunciou também que os departamentos franceses "mais afetados" pela violência vão cancelar todos os eventos festivos até nova ordem.."Há uma instrumentalização inaceitável da morte de um adolescente", lamentou o chefe de Estado francês, que garantiu que a resposta do Governo "foi reativa e adaptada" em todo o país..Macron dirigiu também apelos aos responsáveis das redes sociais, referindo-se ao TikTok e ao Snapchat, para eliminar conteúdos sensíveis. Pediu ainda a colaboração das redes sociais para rastrear a identidade dos que usam estas plataformas "para apelar à desordem" ou "para exacerbar a violência"..Na terceira noite consecutiva de protestos, foram detidas 875 pessoas, segundo dados do Ministério do Interior francês. Pelo menos 408 detenções aconteceram na região de Paris, tendo a maioria dos detidos idades entre os 14 e os 18 anos. 249 elementos das forças de segurança ficaram feridos durante os distúrbios..No início da reunião do gabinete de crise, o presidente francês, que encurtou a sua presença em Bruxelas, onde se encontrava a participar numa cimeira europeia, referiu que 492 edifícios sofreram danos, 2.000 veículos foram queimados e deflagraram 3.880 incêndios na via pública.."Ontem à noite, os nossos agentes da polícia, gendarmes e bombeiros enfrentaram novamente com coragem uma [noite de] rara violência. Seguindo as minhas instruções firmes, eles fizeram 667 detenções", escreveu o ministro do Interior, Gerald Darmanin, na rede social Twitter..A polícia recebeu "instruções sistemáticas de intervenção", escreveu o ministro, numa mensagem na rede social Twitter, na qual manifestou apoio às forças de segurança francesas "que estão a fazer um trabalho corajoso"..Por volta das 3:00 (2:00 em Lisboa), a situação em Nanterre, nos arredores de Paris, continuava tensa, pela terceira noite consecutiva, indicou o canal de notícias BFMTV, assinalando que polícia e bombeiros continuavam no terreno..O Governo francês ordenou a paragem de circulação dos autocarros e elétricos em todo o país a partir das 21:00 (20:00 em Lisboa), face aos distúrbios já registados pela morte de um jovem alvejado pela polícia..Segundo o Ministério do Interior francês, a decisão de pedir aos prefeitos, representantes do Estado nas regiões, que assegurem a paragem dos transportes foi tomada na sequência de três noites consecutivas de tumultos urbanos provocados pela morte de um jovem adolescente de 17 anos..Segundo o ministério, foi também pedido aos prefeitos que emitam "sistematicamente ordens a proibir a venda e o transporte" de artefactos pirotécnicos (fogo de artifício), bidões de gasolina, ácidos e produtos inflamáveis e químicos..Segundo dados oficiais, na noite de quinta-feira para esta sexta-feira pelo menos 667 pessoas foram detidas em França, enquanto 249 polícias ficaram feridos..Numa mensagem publicada no Twitter, Darmanin garantiu que foram dadas instruções às forças de segurança para manterem "firmeza"..O presidente francês, Emmanuel Macron, convocou para esta sexta-feira uma nova reunião de crise, tendo encurtado a presença em Bruxelas, onde se encontra a participar numa cimeira europeia, para regressar a Paris..Foram destacados 40.000 polícias para tentar travar os distúrbios que se arrastam há alguns dias nos bairros sociais em Nanterre, arredores de Paris, e noutros bairros desfavorecidos da capital francesa..A morte do jovem Nahel, num controlo de trânsito na terça-feira, captado pelas câmaras de vigilância, fez regressar a tensão entre jovens e a polícia..Os confrontos contra as forças de segurança surgiram logo na noite de terça-feira em Nanterre e, na madrugada de quinta-feira, foram danificados edifícios públicos e queimados carros, tendo sido detidas cerca de 150 pessoas..O agente da polícia suspeito da morte do jovem, acusado de homicídio, foi detido e vai ficar em prisão preventiva..A primeira-ministra francesa Elisabeth Borne considerou que os protestos são "insuportáveis e indesculpáveis".."Os atos cometidos são insuportáveis e indesculpáveis", considerou a líder francesa que estava rodeado pelos ministros do Interior, Justiça, Transição Ecológica e Territórios e Habitação e Cidades..A reunião do governo decorreu em Matignon e teve como objetivo fazer um balanço da violência da noite anterior..Milhares de pessoas protestaram, na quinta-feira, em Nanterre, contra a morte do jovem de 17 anos Nahel, no mesmo dia em que o Governo francês anunciou o envio de 40 mil polícias para conter a violência no país..A morte do jovem Nahel de 17 anos, num controlo de trânsito na terça-feira, captado pelas câmaras de vigilância, fez regressar a tensão entre jovens e a polícia nos bairros sociais em Nanterre, arredores de Paris, e noutros bairros desfavorecidos da capital francesa..Os confrontos contra as forças de segurança surgiram logo na noite de terça-feira em Nanterre e, na madrugada de quinta-feira, foram danificados edifícios públicos e queimados carros, tendo sido detidas cerca de 150 pessoas..O agente da polícia suspeito da morte do jovem, acusado de homicídio, foi detido e vai ficar em prisão preventiva..O advogado anunciou que vai recorrer da decisão de detenção do agente de polícia..O polícia que matou um jovem nos subúrbios de Paris, em França, durante uma operação de trânsito na terça-feira, pediu desculpas à família, declarou na quinta-feira à imprensa o seu advogado.."As primeiras palavras que disse foram para pedir desculpas e as últimas palavras que disse foram para pedir desculpas à família", afirmou o advogado Laurent-Franck Liénard, ao canal de televisão francês BFMTV.."O meu cliente ficou extremamente chocado com a violência deste vídeo (...) que viu pela primeira vez enquanto estava detido", disse o advogado, referindo-se às imagens que mostram o seu cliente a disparar o tiro que causou o morte do jovem Nahel, de 17 anos, que se recusou obedecer à ordem de paragem da polícia.."Ele está arrasado, não se levanta de manhã para matar pessoas. Ele não queria matar", acrescentou o advogado..Um vídeo da morte do jovem registado por uma testemunha mostra o agente, de 38 anos, a apontar a arma para o jovem junto à janela do motorista enquanto outro agente falava com ele do mesmo lado, tendo sido ambos detidos..A Justiça abriu duas investigações, uma por homicídio voluntário, outra devido à fuga da vítima, decisão que provocou a indignação da família do jovem..Esta morte gerou uma reação política, especialmente de alguns dirigentes de esquerda, que denunciaram o grande número de mortes às mãos de elementos policiais, que contam com a legítima defesa, principalmente quando o condutor foge a um posto de controlo..A estrela da seleção francesa Kylian Mbappé também reagiu, escrevendo numa mensagem, na sua conta no Twitter: "A França magoa-me. Uma situação inaceitável. Estou com a família e parentes de Naël, esse anjinho que se foi cedo demais"..Também em Bruxelas ocorreram distúrbios, com a polícia a deter, durante esta madrugada, 64 pessoas, na maioria menores de idade..Das 64 pessoas detidas, 48 têm menos de 18 anos e os restantes são adultos, indicou esta sexta-feira a polícia da capital belga em declarações ao jornal diário Le Soir, acrescentando que foram tomadas "medidas imediatas para repor a ordem" em Bruxelas..Durante o dia de quinta-feira, após duas noites de distúrbios em França, foram convocadas pelas redes sociais concentrações e protestos em Bruxelas, invocando a morte do jovem de 17 anos..Estas concentrações acabaram em distúrbios, incêndios e desvios de transportes públicos em vários bairros de Bruxelas..Em atualização