No primeiro discurso no parlamento, novo chanceler alemão promete trabalhar pela UE

Pela sua história e por ser a principal economia da União Europeia, a Alemanha tem que estar no centro das tomadas de decisão, afirma Scholz.

O novo chanceler alemão, Olaf Scholz, garantiu esta quarta-feira (15 de dezembro) que trabalhará pela União Europeia (UE), pelas relações inter-atlânticas e pelo progresso, na primeira declaração do Governo no Parlamento federal, na véspera de se estrear nas reuniões do Conselho Europeu.

O futuro e o bem-estar europeu são "uma questão nacional" e "a coesão e a soberania são as tarefas da Europa", afirmou o chanceler antes da sessão plenária do Bundestag (Câmara Baixa).

Scholz defende que, pela sua história e também como principal economia do centro do continente europeu, a Alemanha tem a responsabilidade de não ficar à margem do processo.

Pelo contrário, prosseguiu, tem de "construir pontes" nos moldes dos seus antecessores.

"Para se fazer ouvir e não se tornar um mero brinquedo para potências estrangeiras, a UE tem de estar unida", sustentou.

Scholz salientou a necessidade de a Europa aumentar a sua capacidade de ação, para o que deve ser regra a possibilidade de decidir no Conselho por maioria qualificada em todas as áreas, o que "não significa uma perda, mas sim uma maior soberania".

O novo chanceler alemão defendeu ainda uma "cultura política europeia de debate construtivo", que vise encontrar "sempre o melhor caminho", indo "além dos interesses nacionais, mas sem deixar de respeitar a história e a diversidade", tendo ainda a "consciência" daquilo que une os europeus.

Scholz considerou os Estados Unidos como o "parceiro mais importante" da UE, garantindo que, ao Presidente norte-americano Joe Biden, o une o convencimento de que as democracias liberais "têm de demonstrar novamente que podem oferecer melhores e as mais justas respostas" para os desafios do século XXI.

"A amizade germano-norte-americana e a NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] são o alicerce inalienável da nossa segurança", afirmou, acrescentando que o Governo alemão irá defender sempre as instituições que representam o multilateralismo.

Para o chanceler, a segurança europeia e transatlântica "andam de mãos dadas", razão pela qual garantiu que a Alemanha apoia uma nova Declaração Conjunta da UE e da NATO.

Por outro lado, Scholz expressou "grande preocupação" com o conflito na fronteira russo-ucraniana, garantindo que a Alemanha está pronta para um "diálogo construtivo" com Moscovo, algo que não deve ser mal interpretado como uma nova 'Ostpolitik' alemã".

"Uma 'Ostpolitik' numa Europa unida só pode ser uma 'Ostpolitik' europeia", sustentou.,

Sobre a ascensão da China como potência tecnológica e militar, Scholz destacou que a UE deve orientar a sua política com base nessa realidade.

A Alemanha e a Europa oferecem a Pequim uma "competição económica justa em benefício de ambas as partes" e "com as mesmas regras do jogo para todos", bem como em desafios globais como a crise climática e a pandemia, sem que isso implique ignorar a situação dos direitos humanos na China.

No seu primeiro discurso no Bundestag, Scholz garantiu que a mudança e renovação prometidas pelo novo Governo serão possíveis, apesar da situação de pandemia, ao mesmo tempo que apelou à população para que reduza os contactos, se vacine e que faça exames para combater a atual quarta vaga de covid-19.

Scholz negou que a sociedade esteja dividida e afirmou que a maioria dos cidadãos está a comportar-se na pandemia de forma "solidária, sensata e cautelosa", embora reconheça que há uma minoria de negacionistas que se dedica a divulgar teorias da conspiração e a desinformar.

"Não permitiremos que uma pequena minoria de extremistas em fuga tente impor a sua vontade a toda a sociedade", advertiu, garantindo que o governo os enfrentará com todos os meios do Estado democrático e de direito.

Por outro lado, Scholz garantiu que o seu Executivo será "um Governo do progresso", tanto técnico quanto social e cultural, e que a década de 2020 será um período de mudança, renovação e transformação.

"No século XXI, não precisamos de menos, mas de mais progresso, mas precisamos de um progresso melhor e mais inteligente", concluiu.

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