Nigerianos autorizados a usar Twitter depois de sete meses de suspensão

A Amnistia Internacional saudou o levantamento da suspensão do Twitter na Nigéria, sublinhando que a sua proibição era "um ataque ao direito à liberdade de expressão".

Os internautas nigerianos voltaram esta quinta-feira a poder utilizar a rede social Twitter, e a ser livres de comentar - de forma massiva - a suspensão a que o país com mais população no continente africano esteve sujeito durante sete meses.

As autoridades nigerianas aprovaram o levantamento da suspensão da rede social no país, decidida em junho de 2021 pelo Governo, de acordo com uma declaração emitida na quarta-feira à noite.

Às 07:00 (06:00 TMG) de hoje, a rede social estava de novo acessível. "Estamos satisfeitos por o Twitter ter sido restaurado para todos na Nigéria", disse um porta-voz da rede social, em declarações à agência France-Presse.

"A nossa missão na Nigéria - e em todo o mundo - é servir a conversação pública. Estamos profundamente empenhados na Nigéria, onde o Twitter é utilizado pelas pessoas para comércio, envolvimento cultural e participação cívica", acrescentou a mesma fonte.

As autoridades nigerianas fizeram saber que, após meses de negociações, o Twitter concordou com "todas as condições estabelecidas pelo Governo federal", incluindo a tributação e a gestão de conteúdos que não cumprem as leis nigerianas.

O Twitter também se comprometeu a "estabelecer uma entidade legal na Nigéria durante o primeiro trimestre de 2022", afirma-se na declaração do Governo nigeriano.

Como sinal desta nova relação entre a rede social e as autoridades, a Presidência do país, assim como os membros do Governo nigeriano, também voltaram ao Twitter esta manhã.

Os utilizadores nigerianos da rede social saudaram o levantamento da sua suspensão de forma massiva e a hashtag #TwitterBan foi a tendência mais popular no país na manhã de hoje. "Estamos de volta", "Vamos voltar ao Twitter como se nunca tivéssemos saído", era a mensagem sob a hashtag.

Muitos utilizadores - incluindo grupos de direitos humanos - criticaram a decisão inicial do governo de suspender a rede social.

A Amnistia Internacional saudou "a decisão das autoridades nigerianas de levantar a proibição no Twitter", sublinhando que "a proibição era ilegal (...) e um ataque ao direito à liberdade de expressão".

Outros criticaram o custo económico da suspensão, uma vez que muitos utilizadores da internet utilizam a rede social em estratégias de comunicação de pequenas empresas online.

As autoridades nigerianas suspenderam o Twitter em junho de 2021 por um "período indefinido" e acusaram a rede social de desempenhar uma "missão suspeita" contra o Governo nigeriano, assim como de tolerar na sua plataforma as mensagens do líder de um grupo separatista, que incitava à violência no sudeste da Nigéria.

A suspensão do Twitter ocorreu dois dias após a rede social ter eliminado uma mensagem do Presidente Muhammadu Buhari.

O chefe de estado tinha ameaçado "lidar com os responsáveis pela violência no sudeste da Nigéria - atribuída pelas autoridades aos separatistas Igbo - numa linguagem que eles entendem", reavivando as memórias da guerra do Biafra, que matou mais de um milhão de pessoas na década de 1960.

A suspensão do Twitter, seguida da ordem do Governo aos meios de comunicação social para apagarem as suas contas como gesto "patriótico", causou profunda consternação na Nigéria, um país jovem e altamente conectado na Internet, onde a rede social é um importante instrumento de contestação social.

A União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá lamentaram a suspensão do Twitter.

Três quartos dos 210 milhões de pessoas da Nigéria têm menos de 24 anos de idade, uma faixa etária fortemente ligada através da internet. Cerca de 20% da população - ou 40 milhões de pessoas - diz ter uma conta no Twitter.

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