Nigéria vai a Glasgow exigir mais atenção a África

A Nigéria vai à reunião da ONU sobre o clima para fortalecer a capacidade de adaptação do país aos impactos das alterações climáticas e financiar novos projetos relacionados com o ambiente, anunciou a ministra do Ambiente nigeriana, que defende um papel mais central dos países em desenvolvimento.

"África não é um dos maiores emissores de dióxido de carbono mas continua a ser o mais vulnerável, e isso é visível nas inundações, na erosão costal, nas secas e na desertificação no norte do continente."

Esta é uma das mensagens fundamentais que a ministra do ambiente da Nigéria, Sharon Ikeazor, quer vincar na 26.ª cimeira das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP26) que decorre deste domingo a 12 de novembro em Glascow, na Escócia, e na qual irá defender, a partir de segunda-feira, que o fundo global de adaptação ao clima deverá lidar diretamente com os países em desenvolvimento, os quais contribuem menos para as emissões de carbono, mas são os mais afetados pelas alterações climáticas. E que é fundamental que os países mais desenvolvidos cumpram a promessa de disponibilizar 100 mil milhões de dólares, cerca de 85 mil milhões de euros, para apoiar ações que mitiguem estes efeitos, particularmente nefastos no continente africano.

Na Nigéria, argumentou, numa conferência de imprensa em Abuja, capital da Nigéria,​​​​​​ na véspera do início da COP26, estas alterações criam um problema de segurança, nomeadamente entre os agricultores e os pastores, que têm de partilhar a escassa terra e água disponível para a sua atividade. "O foco da Nigéria vai ser fortalecer a capacidade de adaptar-se aos impactos das alterações climáticas", disse, citada pela agência de informação financeira Bloomberg.

As declarações da ministra do Ambiente da maior economia da África subsaariana, que é também a maior produtora de petróleo e o país mais populoso da região, surgem no mesmo dia em que o vice-presidente do país, Yemi Osinbajo, defendeu uma mudança no rumo das negociações.

"A conferência é uma oportunidade para todos se envolverem e mudarem a direção da conversação em curso, principalmente no que afeta África; é uma oportunidade para debater em concreto o que significa para África uma decisão sobre zero emissões até 2050", afirmou o governante.

Na declaração citada pela All Africa Global Media, Osinbajo diz que o projeto de transição energética custa 400 mil milhões de dólares, o equivalente a 345 mil milhões de euros, que terão de ser financiados, na sua maioria, com recurso a credores externos.

"Há outras iniciativas que estamos a preparar, como a possibilidade de explorar os nossos recursos de gás até que seja possível porque é um tema importante para nós, uma economia diversificada, especialmente à volta da tecnologia, o que nos ajudaria muito em termos de conseguirmos assegurar financiamento", concluiu o governante.

Milhares de especialistas, ativistas e decisores políticos reúnem-se a partir de hoje em Glasgow com o objetivo principal de travar o aquecimento do planeta.

As alterações climáticas são, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, o maior problema da humanidade, e vão afetar dramaticamente o futuro se nada de substancial for feito.

As emissões de gases com efeito de estufa, que os países tentaram controlar no Acordo de Paris de 2015, mas que continuam a aumentar, estão já a afetar o clima e a natureza das mais diversas formas, segundo os cientistas.

Em África, as necessidades energéticas estão estimadas em 700TW (terawatts), o que é 4.000 vezes mais do que os 175GW (gigawatts) de capacidade eólica e solar que o mundo inteiro adicionou em 2020, por isso "África não se pode industrializar recorrendo apenas à energia solar e eólica", apontam os economistas da Câmara de Energia Africana.

Dos 1,3 mil milhões de africanos, 600 milhões não têm acesso a eletricidade, e a Agência Internacional da Energia estima que o número suba 30 milhões devido à pandemia de covid-19.

Há 48 países na África subsaariana, excluindo a África do Sul, que emitem apenas 0,55% das emissões de CO2, mas sete dos 10 países mais vulneráveis às alterações climáticas estão nesta região.

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