Netanyahu vai entregar à extrema-direita israelita competências sobre Cisjordânia

Líder do Sionismo Religioso poderá decidir sobre a expansão e construção de colonatos judaicos na Cisjordânia e impor restrições aos palestinianos que vivem na região.

O líder do partido de extrema-direita Sionismo Religioso deverá assumir importantes poderes no Governo de coligação de Benjamin Netanyahu, como ministro da Defesa com competências sobre a Cisjordânia ocupada, até agora dependente do Exército, noticiaram esta segunda-feira os media israelitas.

Desta forma, Bezalel Smotrich poderá decidir sobre a expansão e construção de colonatos judaicos na Cisjordânia e impor restrições aos palestinianos que vivem na região, de acordo com o jornal The Times of Israel.

Smotrich poderá também nomear o Coordenador de Atividades Governamentais nos Territórios (CAGT) e o diretor da administração civil, responsável pela política civil israelita na Cisjordânia, embora estas nomeações sejam sempre "em coordenação e acordo" com o primeiro-ministro Netanyahu.

O CAGT concede permissões de entrada em Israel aos palestinianos, gere o comércio em Gaza e na Cisjordânia e coordena com a Autoridade Palestina em muitas áreas.

A administração civil depende do CAGT e tem a última palavra no planeamento e construção da Área C da Cisjordânia, 60% deste território e onde vivem todos os 491.000 colonos judeus instalados em território palestiniano.

Também fiscaliza construções ilegais palestinianas e judaicas.

Até agora, estes cargos dependiam do chefe do Estado-Maior do Exército de Israel.

"Netanyahu vendeu o Exército para os Hardalim", destacou, numa publicação na rede social Twitter, o primeiro-ministro cessante e líder da oposição, Yair Lapid. Os Hardalim são israelitas ultraconservadores e ultrarreligiosos.

O partido Likud, do primeiro-ministro designado de Israel, Benjamim Netanyahu, assinou no final de novembro um acordo com o Noam, no qual cede àquele partido de extrema-direita, assumidamente homofóbico, poderes relacionados políticas migratórias, de cidadania e nacionalização.

O Noam irá estabelecer a própria autoridade dentro do gabinete do primeiro-ministro, para "centrar-se na identidade judia nacional", que será dirigida pelo deputado único do partido, Avi Maoz, defensor do regresso das chamadas "terapias de conversão" da população homossexual, que será nomeado vice-ministro.

Avi Maoz será também responsável por organismos como o Nativ, que gere a imigração para Israel da antiga União Soviética.

Antes, tinha sido firmado um outro acordo que prevê que o líder de extrema-direita Itamar Ben Gvir ocupe o cargo de ministro da Segurança Nacional no novo Governo de Israel, em pleno recrudescimento da tensão e violência entre israelitas e palestinianos.

O ex-primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, vencedor das legislativas de 01 de novembro, foi mandatado em 13 de novembro para formar um novo governo.

O bloco de direita de Benjamin Netanyahu e os aliados ultraortodoxos e de extrema-direita alcançaram a maioria nas legislativas (64 deputados num Parlamento com 120 lugares), face ao centrista Yair Lapid que obteve 54 parlamentares.

Tratou-se do quinto ato eleitoral em menos de três anos em Israel, onde a divisão política é latente obrigando a coligações governativas.

O próximo executivo de Netanyahu, que já esteve à frente do governo entre 1996 e 1999 e entre 2009 e 2021, pode vir a ser o mais à direita da história do país.

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