Amanhã as atenções estarão viradas para Kiev, onde irá decorrer uma cimeira entre a Ucrânia e a União Europeia. Além do simbolismo do encontro esperam-se medidas e planos para um reforço das relações e da ajuda ao país sob invasão e que ambiciona a adesão rápida ao clube europeu. O presidente eleito da República Checa veio entretanto desviar as atenções para outro debate sobre a integração de Kiev, no caso na NATO, a meio de um debate mais urgente no seio dos aliados sobre a natureza da assistência militar..Em entrevista à BBC, o general na reserva Petr Pavel, vencedor das eleições presidenciais checas face ao bilionário e populista Andrej Babis, defendeu a entrada da Ucrânia na NATO "assim que a guerra terminar". Pavel, que foi presidente do Comité Militar da Aliança Atlântica, elogiou as Forças Armadas de Kiev: "Os militares ucranianos serão provavelmente os militares mais experientes da Europa. A Ucrânia merece fazer parte de uma comunidade de países democráticos", afirmou, para depois responder de forma afirmativa sobre a hipótese da adesão do país à NATO. "Acredito que o merecem realmente.".Pavel disse ainda que os países aliados "não têm alternativa" a um incremento da assistência militar. "Se eles [ucranianos] perderem, todos nós perdemos (...) As nossas cidades não estão a ser destruídas pela artilharia e mísseis russos. Mas o nosso futuro pode ser destruído se não apoiarmos a Ucrânia para um desfecho bem-sucedido deste conflito.".Os deputados ucranianos aprovaram em 2019 uma emenda à Constituição segundo a qual o país tem como aspiração aderir quer à União Europeia, quer à NATO..Dez dias antes da "Operação Militar Especial" ordenada por Vladimir Putin o presidente ucraniano reiterava o objetivo da pertença à aliança militar. "Não há qualquer sinal nosso de que a adesão à NATO não é uma meta", afirmou quando recebeu o chanceler Olaf Scholz pela primeira vez em Kiev, em resposta também às exigências do líder russo, que meses antes exigia "garantias sólidas" a cada estado aliado de que a NATO não iria expandir-se junto das fronteiras do seu país..A posição de Zelensky não se manteve inalterável: em março, quando a tentativa de invasão total se desenrolava, o presidente ucraniano admitia que a questão não se punha e inclusive durante a reunião entre negociadores em Istambul a delegação ucraniana terá aceitado a neutralidade do país em troca de garantias de segurança de países terceiros, mas o encontro realizado no final de março terminou sem qualquer resultado..Seis meses depois, a presidência ucraniana respondeu à tentativa de anexação de quatro regiões ucranianas por parte de Moscovo com o pedido de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte. Um cenário tido como irrealizável enquanto se desenrola um conflito no seu território..A propósito da discussão sobre os receios de alguns países sobre a possível escalada do conflito de cada vez que Kiev recebe novas capacidades militares, o ministro da Defesa Oleksi Reznikov desvalorizou a questão ao dizer que se trata de "uma espécie de protocolo". Mas mais do que isso: "A Ucrânia como país, e as Forças Armadas da Ucrânia, tornaram-se membro da NATO. De facto, não de jure . Porque temos armamento, e a compreensão de como usá-lo", afirmou à BBC..De alguma forma, a viagem do secretário-geral da NATO à Coreia do Sul e ao Japão dá corpo às declarações de Reznikov. Entre outros pontos na agenda, Jens Stoltenberg explorou a hipótese de aqueles dois países parceiros da Aliança poderem dar outro tipo de apoio à Ucrânia que não o humanitário, tendo como exemplo a Alemanha, Suécia e Noruega, que mudaram a sua política de décadas de proibir o envio de armas para zonas de conflito.."Se não querem que a autocracia e a tirania vençam então eles [ucranianos] precisam de armas. A realidade é esta", disse o norueguês em Seul. Ou, dito de outra forma, desta vez em Tóquio: "O que está a acontecer hoje na Europa pode acontecer amanhã na Ásia Oriental. A China não é adversário da NATO. Mas a sua crescente assertividade e as suas políticas coercivas têm consequências para a vossa segurança no Indo-Pacífico e as nossas no espaço euro-atlântico.".Antes de convencer parceiros distantes, os aliados terão de encontrar uma só voz nalguns temas relacionados com o apoio à Ucrânia - o húngaro Viktor Orbán à cabeça, secundado pelo presidente croata Zoran Milanovic - e também ao alargamento em geral, atendendo ao facto de a adesão da Finlândia e da Suécia continuar a depender da ratificação da Hungria e da Turquia..Kiev tem feito pressão diária junto dos aliados para que estes se decidam o quanto antes sobre a doação de carros de combate, de mísseis com maior alcance e de aviões para poder enfrentar um Exército e um grupo de mercenários reforçado - 326 mil homens, segundo o chefe da secreta militar ucraniana - e com maior formação, segundo reconhece Kiev..Antes da próxima reunião dos ministros da Defesa da NATO, em meados do mês, e afastada a hipótese dos caças F-16, os EUA vão anunciar um pacote militar que deve incluir um novo míssil, GLSDB, com alcance de 150 quilómetros, que quase duplica o alcance dos foguetes utilizados no sistema HIMARS. Este novo apoio dá-se numa altura em que aumenta a percentagem de norte-americanos que diz que Washington já deu demasiado a Kiev: são agora um em cada quatro, e entre os republicanos chega aos 40%..Wagner nega cerco.O homem que ficou conhecido como o chef de Putin e é agora chefe do grupo de mercenários Wagner desmentiu as declarações de um assessor do líder pró-russo em Donetsk segundo as quais Bakhmut se encontra num "cerco operacional". Segundo Yevgeny Prigozhin essa não é a realidade. "O cerco operacional é quando todas as estradas e rotas de abastecimento, de retirada e qualquer tráfego são controlados por fogo inimigo. Atualmente, não temos um cerco operacional", disse..Moscovo adverte Telavive.A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia advertiu o governo israelita em reação a declarações do PM Benjamin Netanyahu sobre a hipótese de entregar armamento à Ucrânia. "Todos os países que fornecem armas [à Ucrânia] devem compreender que consideraremos estas como alvos legítimos para as Forças Armadas da Rússia", disse Maria Zakharova. Em entrevista à CNN, Netanyahu disse que estava a considerar "outro tipo de ajuda", além da humanitária, embora tenha reconhecido a "relação complexa" que o país tem com a Rússia, referindo-se em especial ao acordo em vigor na Síria..Blindados de Espanha.O governo espanhol anunciou que vai entregar a Kiev mais 20 blindados TOA M-113. Estes veículos de transporte vão ser enviados na segunda-feira e juntam-se a outra vintena já no terreno. Quanto aos tanques Leopard 2, segundo o El País o número a ser doado numa primeira entrega será de entre quatro e seis, dependendo do estado em que os 53 carros de combate estejam..Leopard belgas à venda.Freddy Versluys, administrador da empresa belga de compra e venda de armas OIP Land Systems sugeriu ao governo de Bruxelas que este recompre 50 tanques Leopard 1 para depois os ceder a Kiev. Há cinco anos, o Estado belga vendeu àquela empresa os carros de combate por 2 milhões de euros. Em alternativa, Versluys pede licenças de exportação para que outro país possa adquiri-los, conta a Reuters..cesar.avo@dn.pt