O ministro da Segurança Nacional de Israel, o antiárabe Itamar Ben Gvir, regressou esta quinta-feira à Esplanada das Mesquitas de Jerusalém, local da mesquita de al-Aqsa (terceiro lugar mais sagrado do Islão), um ato que os palestinianos consideram uma provocação.."Esta manhã fui ao local", escreveu o ministro de extrema-direita na rede social X, adiantando que foi ali "para rezar pela paz dos soldados, pelo rápido regresso de todos os reféns e pela vitória completa [da guerra] com a ajuda de Deus"..Ben Gvir acompanhou a sua mensagem com uma imagem de si próprio a percorrer, escoltado pela polícia, o lugar sagrado..Juntamente com o ministro, cerca de 20 israelitas entraram na Esplanada das Mesquitas, a maioria dos quais membros das forças de segurança e dos serviços secretos, mas também alguns radicais, segundo disseram fontes da Waqf, a fundação religiosa dependente da Jordânia que gere o local..A visita foi denunciada como "uma provocação" pela Autoridade Palestiniana, no poder na Cisjordânia, e pela Jordânia..A deslocação do ministro israelita e os seus "rituais talmúdicos" no local da mesquita de al-Aqsa é uma "provocação sem precedentes contra milhões de palestinianos e muçulmanos", considerou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestiniana..Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Jordânia denunciou "uma visita provocadora e inaceitável", bem como uma "violação do 'status quo' histórico e jurídico" da Esplanada das Mesquitas..A Jordânia atua como guardiã dos locais sagrados muçulmanos e cristãos em Jerusalém Oriental, embora Israel controle o acesso e as visitas aos locais, ao abrigo dos acordos de paz subscritos pelos dois países em 1994..O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, também se distanciou das ações de Ben Gvir emitindo uma breve declaração: "O 'status quo' do Monte do Templo não mudou", assegurou..Os judeus chamam Monte do Templo à Esplanada das Mesquitas porque consideram que foi ali construído o Segundo Templo, o local mais sagrado da sua religião..De acordo com o 'status quo' em vigor desde 1967 (quando Israel ocupou Jerusalém Oriental), o local está reservado exclusivamente ao culto dos muçulmanos, enquanto os judeus só podem entrar como visitantes e não para rezar..O ministro da Segurança Nacional, no entanto, já declarou, em inúmeras ocasiões, que pretende, enquanto autoridade política, permitir a oração judaica no local, entrando em confronto direto com o primeiro-ministro..O grande rabi de Israel proíbe os judeus de orar ali e estipula que as suas orações sejam realizadas apenas no Muro das Lamentações adjacente..A entrada do ministro colono na Esplanada acontece numa altura em que o seu país está envolvido em negociações com a organização islamita palestiniana Hamas para chegar a acordo sobre um acordo de cessar-fogo e troca de reféns em Gaza, palco de um conflito há mais de 14 meses..A última incursão de Ben Gvir na Esplanada foi em agosto, quando os dois países realizavam também uma ronda de negociações na Faixa de Gaza. Na altura, o ministro fez-se acompanhar de mais de mil colonos israelitas, segundo dados da Waqf..A visita do ministro aproveitou o facto de ter acabado de começar o feriado judaico de Hanukkah, que comemora a recuperação do Segundo Templo de Jerusalém e costuma ser celebrado tanto por religiosos como por seculares.