Manifestações em Cuba. Presidente exorta apoiantes ao combate

Milhares de cubanos manifestaram-se contra o Governo, algo inédito, nas ruas de duas pequenas cidades, uma a sudoeste de Havana e outra perto de Santiago de Cuba, como demonstram vários vídeos divulgados 'online'.

O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, exortou este domingo os seus apoiantes a saírem às ruas prontos para o "combate", em resposta às manifestações que aconteceram contra o Governo em vários pontos do país.

"A ordem de combate está dada, os revolucionários às ruas", afirmou o governante, citado pela agência EFE, numa aparição especial na televisão.

De acordo com a agência EFE, centenas de pessoas saíram à rua em Havana em manifestações pacíficas, que foram intercetadas pelas forças de segurança e brigadas de apoiantes do Governo, tendo-se registado violentos confrontos e detenções.

Os confrontos entre os manifestantes e os 'pró-Governo' aconteceram no Parque da Fraternidade, em frente ao Capitólio, onde chegaram a juntar-se mais de mil pessoas, com uma forte presença das forças militares e policiais, que fizeram várias detenções.

No entanto, um grupo de várias centenas de manifestantes conseguiu romper o cordão policial, na direção do Malecón, com os braços no ar e a gritar palavras como "liberdade", "pátria e vida" e "ditadores", em referência aos dirigentes do país.

Grupos organizados de apoiantes do Governo também estiveram no local, entoando "Eu sou Fidel" ou "Canel, amigo, o povo está contigo".

Os protestos contaram com o apoio de exilados cubanos, que pediram ao Governo dos Estados Unidos que lidere uma intervenção internacional para evitar que os manifestantes sejam vítimas de "um banho de sangue".

De acordo com a Agência France Presse, gritando palavras de ordem como "Pátria e vida", o título de uma canção polémica, "Abaixo a ditadura" e "Nós não temos medo", manifestantes, na sua maioria jovens, desfilaram também nas ruas de San Antonio de los Baños, uma cidade com cerca de 50 mil habitantes situada a 35 quilómetros da capital cubana.

A agência espanhola EFE dá conta também de uma manifestação em Palma Soriano, na outra ponta do país, uma cidade perto de Santiago de Cuba, na qual participaram centenas de pessoas e onde se ouviu palavras de ordem como "chega de mentiras", "unidade" e "queremos ajuda".

Segundo a EFE, que cita testemunhas no local, houve violência policial nas duas manifestações, que foram transmitidas em direto em várias contas nas redes sociais.

Habitantes de San Antonio de los Baños contaram a repórteres da EFE que, durante o protesto, a polícia reprimiu violentamente e deteve alguns dos manifestantes.

Estes foram os maiores protestos anti-Governo de que há registo na ilha desde o chamado "maleconazo", quando em agosto de 1994, em pleno "período especial", centenas de pessoas saíram às ruas de Havana e não se retiraram até à chegada do então líder cubano Fidel Castro.

"Chegou o dia em que o povo de Cuba se levantou", afirmou à EFE Orlando Gutíerrez, da Assembleia da Resistência Cubana, uma plataforma de organizações da oposição, de e fora da ilha.

O líder exilado em Miami, que preside ao Diretório Democrático Cubano, sublinhou que, de acordo com informações que recolheu, há protestos em mais de 15 cidades e vilas de Cuba.

"É muito claro o que quer o povo de Cuba, que este regime termine", afirmou em declarações à EFE.
A Assembleia da Resistência Cubana apelou à população a que se mantenha nas ruas e à polícia e às Forças Armadas para que se posicionem ao lado do povo.

Rosa María Paya, do movimento Cuba Decide, que divulgou 'online' vários vídeos dos protestos de hoje, disse à EFE que a repressão já começou e que se fala em vítimas de disparos.

Desde o início da pandemia da covid-19, em março de 2020, os cubanos enfrentam maior escassez de alimentos, medicamentos e outros produtos básicos, o que gerou um forte mal-estar social.

Estas manifestações aconteceram no dia em que Cuba registou um novo recorde diário de contágios e mortos devido à covid-19, com 6.923 novos casos nas últimas 24 horas, num total de 238.491, e 47 mortos, subindo o total desde o início da pandemia para 1.537.

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