Menina de Gaza sobrevive a ataque que matou a mãe e quatro irmãos

Suzy Eshkuntana, de apenas seis anos, foi retirada dos escombros da casa onde vivia, em Gaza, e levada para um hospital.

Suzy Eshkuntana, de apenas seis anos, acordou sozinha no maior hospital de Gaza, para onde foi levada à pressa por equipas de resgate dos escombros da sua casa, que foi destruída por um ataque israelita antes do amanhecer e que tirou a vida à sua mãe e aos seus quatro irmãos.

A jovem, presa durante sete horas debaixo dos escombros, foi levada para o hospital Shifa com o seu pai, que também sofreu ferimentos.

"Perdoe-me, minha filha. Gritaste para que eu fosse até ti, mas não consegui ir", disse-lhe Riyad Eshkuntana, citado pela Reuters, depois de os médicos os reunirem em camas adjacentes.

A casa da família palestiniana foi atingida por ataques aéreos israelitas durante a manhã de domingo em Gaza, numa onda de ataques que as autoridades de saúde de Gaza disseram ter matado 42 pessoas, incluindo 10 crianças, aumentando o número de mortos em Gaza para 192 ao longo de uma semana de bombardeamento.

Dezenas de equipas de resgate, polícias, familiares e vizinhos uniram esforços nos destroços da casa da família Eshkuntana durante a operação de busca e resgate.

Depois de várias horas, os trabalhadores começaram a entoar "Allahu Akbar" - Deus é o maior - um sinal de que alguém teria sido trazido com vida. Suzy, coberta de poeira e fraca demais para levantar a cabeça, chorou ao ser levada para uma ambulância.

No hospital, os familiares iam ansiosamente pedindo detalhes enquanto as vítimas chegavam. "É Yehya? É Yehya?", perguntavam mulheres e homens que esperavam na recepção, pouco antes de os médicos lhes dizerem que o menino de quatro anos, irmão de Suzy, estava morto. Duas das mulheres desmaiaram.

Minutos depois, o corpo de uma rapariga entrou apressadamente. "Eles trouxeram a Dana. Dana, Dana, você está bem?" perguntaram. Mas a jovem também estava morta, juntamente com dois irmãos.

Ver Suzy com os olhos abertos, a caminho da zona de raio-X, trouxe um breve momento de alegria aos presentes. Os médicos disseram que a menina estava magoada, mas que não tinha ferimentos graves, tendo por isso sido transportada para uma cama ao lado do seu pai.

Riyad Eshkuntana disse que acreditava que a sua família estava segura porque havia médicos a morar no mesmo prédio, e que ele colocou as crianças no que eles acreditavam ser um quarto seguro. "De repente, um foguete estranho, como fogo e chamas, destruiu duas paredes", disse à Reuters. Os pais correram para verificar os seus filhos quando uma segunda explosão atingiu o teto.

"Ouvi o meu filho Zain chamar: 'Papá, papá'. A voz dele estava boa, mas não consegui saber porque estava preso", contou.

Quando as equipas de resgate chamaram pelos sobreviventes pela primeira vez, Eshkuntana estava fraco demais para dar um sinal de vida, mas quando alguém voltou meia hora depois, ele já conseguiu.

Deitado na cama do hospital ao lado da sua filha sobrevivente, com a cabeça enfaixada, disse inicialmente que queria morrer. "Fiquei possuído por toda a raiva do universo, mas quando soube que uma das minhas filhas estava viva, agradeci a Deus", confessou.

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