Mascotes dos M&M's são as últimas vítimas do extremismo político nos EUA

Críticos consideram que as personagens dos M&M's tornaram-se "woke", palavra inglesa utilizada nos Estados Unidos para designar o ativismo contra todas as formas de discriminação e exclusão em relação a minorias.

A marca de doces M&M's decidiu parar de usar os célebres personagens multicoloridos no formato de pastilhas de chocolate, após críticas por parte da direita conservadora dos Estados Unidos, que considera as mascotes politizadas.

A controvérsia começou com o lançamento, em setembro, de um novo membro da família de "spokescandies" (porta-vozes dos doces), chamado Purple (violeta), que se tornou no terceiro personagem feminino do grupo - depois de Green (verde) e Brown (castanho), criados, segundo a M&M's, "para representar a aceitação e a inclusão".

No entanto, a cor violeta nos Estados Unidos costuma simbolizar o apoio à comunidade LGBTQ e à expressão da homossexualidade, o que não foi bem aceite por internautas e políticos de extrema-direita, que acusaram a empresa Mars Wrigley, fabricante dos M&M's, de politizar os doces.

Segundo os críticos, as personagens dos M&M's tornaram-se "woke", palavra inglesa utilizada nos Estados Unidos para designar o ativismo contra todas as formas de discriminação e exclusão em relação a uma ou mais minorias.

A polémica voltou à tona no começo de janeiro, com a comercialização de um pack especial de edição limitada, contendo exclusivamente as três cores das personagens femininas: verde, castanho e roxo.

"Os M&M's 'woke' voltaram", protestou Tucker Carlson, um dos principais apresentadores da Fox News, conhecida pelas posições conservadoras de vários dos seus profissionais mais conhecidos.

Ironicamente, Carlson disse que Green seria "possivelmente lésbica" e que Purple era "obesa", referindo-se à sua forma ovalada, similar à dos M&M's recheados com amendoim.

Há um ano, Carlson já tinha criticado os M&M's por terem substituído as botas brancas de Green por ténis, deixando-a "menos sexy".

Esta segunda-feira, os M&M's referiram-se ao tema no Twitter. "Estados Unidos, vamos falar. No último ano, fizemos algumas mudanças nos nossos queridos porta-vozes. Não estávamos certos se alguém daria conta. E definitivamente não pensávamos que isto afetaria a Internet. Mas agora percebemos: até os sapatos de um doce podem causar polarização. Era a última coisa que os M&Ms queriam, pois o nosso objetivo é unir as pessoas", pode ler-se.


A empresa informou que por causa da polémica decidiu suspenderas personagens.

Os bonecos serão assim substituídos nas novas campanhas publicitárias pela atriz e comediante Maya Rudolph. "Estamos certos de que a senhora Rudolph vai defender o poder da diversão para criar um mundo do qual todos sintam fazer parte", concluiu o M&M's.

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