Mais festas e desculpas: favoritos à sucessão de Boris divergem no apoio ao líder

Rishi Sunak, o ministro das Finanças, tem sido mais contido do que Liz Truss, a chefe da diplomacia, na defesa do primeiro-ministro, que continua sob pressão.

No dia em que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu desculpa por uma festa em Downing Street, durante o confinamento de maio de 2020, a chefe da diplomacia, Liz Truss, estava sentada ao seu lado no Parlamento. Mas o ministro das Finanças, Rishi Sunak, estava a centenas de quilómetros de distância, a apresentar uma iniciativa de criação de emprego. Com Johnson debaixo de fogo (e novos escândalos diários), o apoio daqueles que são apontados como favoritos a suceder-lhe tem sido muito diferente.

"O primeiro-ministro fez bem em pedir desculpa e apoio o seu pedido para que haja paciência enquanto Sue Gray realiza o seu inquérito", escreveu Sunak no Twitter ao final do dia da sessão de perguntas e respostas no Parlamento, lembrando que tinha estado a apresentar um plano para a criação de emprego e a discutir a situação energética. Mas fora isso, tem praticamente mantido o silêncio em relação aos escândalos das festas. Sunak, de 41 anos, é ministro das Finanças desde 2020 (apenas cinco anos depois de ter entrado no Parlamento) e o favorito das casas de apostas para suceder a Johnson.

Truss, de 46 anos, tem defendido mais o primeiro-ministro, não sendo claro se isso é uma vantagem (não afasta os apoiante de Boris Johnson) ou uma desvantagem, por ligar ainda mais a sua imagem à dele. "O primeiro-ministro está a trazer resultados para o Reino Unido - do Brexit ao programa de reforço de vacinação ao crescimento económico. Eu apoio o primeiro-ministro a 100% enquanto ele faz o nosso país avançar", escreveu no Twitter logo naquele dia a chefe da diplomacia e ministra do Brexit, que tem também a pasta da Mulher e da Igualdade e ocupou vários cargos nos últimos três governos.

Ontem, em declarações à estação ITV, defendeu que as pessoas deviam "avançar" e esperar o resultado do inquérito oficial. Isto já depois de ser revelado que houve não uma mas outras duas festas em Downing Street em abril, na noite anterior ao funeral do duque de Edimburgo. A cerimónia fúnebre ficou marcada pela imagem da rainha Isabel II, com quem esteve casado 73 anos, sentada sozinha na igreja no castelo de Windsor devido ao distanciamento. O gabinete do primeiro-ministro já enviou um pedido de desculpas à monarca e o seu porta-voz lembrou aos jornalistas que Johnson estava na altura na casa de campo oficial.

Liz Truss, que alguns já apelidam da nova "Dama de Ferro" (nome pelo qual ficou conhecida Margaret Thatcher), é outra das favoritas à sucessão de Johnson. Mas a lista de possíveis candidatos inclui outros nomes já habituais, como Michael Gove (já tentou duas vezes liderar os conservadores), o antigo chefe da diplomacia e ministro da Saúde, Jeremy Hunt, a ministra do Interior, Priti Pattel, ou o da Justiça, Dominic Raab. A assinatura de 54 dos 360 deputados conservadores basta para desencadear uma moção de censura ao líder do partido, que poderá contudo "sobreviver" a essa votação e se o fizer fica a salvo de outro voto por um ano.

susana.f.salvador@dn.pt

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