Luso-americano associa música e comédia à pastelaria portuguesa em Nova Iorque

Para atrair mais clientes, Joey Bats, apostou em formas de entretenimento, convidou músicos, 'DJs' e comediantes e instalou televisões para filmes ou para partidas de futebol.

O empresário luso-americano Joey Bats, proprietário de cafés em Nova Iorque, teve de fechar três estabelecimentos que tinha para venda de pastéis de nata, mas encontrou inspiração durante a pandemia para associar música, comédia ou futebol ao negócio.

Joey Batista, mais conhecido por Joey Bats, considerou, em entrevista à Lusa, que a pandemia de covid-19 inspirou uma transformação do conceito dos empreendimentos que tem em Nova Iorque, mas também foi um período de descoberta de novas formas de se destacar da concorrência.

"O meu café já não é café, é mais um 'lounge' e eu quero explorar isso mais um bocado", disse o português nascido nos EUA, declarando-se interessado em novos investimentos e projetos, como o estabelecimento de um bar ou uma pista de dança em Nova Iorque.

No início de 2020, a sua principal localização, na 129 Allen Street, deixou de poder receber clientes no interior, por ser um espaço muito pequeno.

Assim, passou a fazer vendas à janela e a colocar mesas na rua, que pouco depois tiveram de ser cobertas por uma tenda, num investimento que lhe custou cerca de 20 mil dólares.

Para atrair mais clientes, Joey Bats, apostou em formas de entretenimento, convidou músicos, 'DJs' e comediantes e instalou televisões para filmes ou para partidas de futebol.

Agora é impossível passar pela rua sem ouvir música e sem notar a bandeira portuguesa pendurada, os grupos de pessoas que normalmente estão em frente ao café ou a tenda com 'design' alusivo a países de língua portuguesa -- Angola, Brasil, Guiné-Bissau, entre outros.

"Tem sido um sucesso e agora também tenho a loja ao lado, que uso para fazer os envios dos pedidos pela internet", disse Joey Bats, explicando que desde dezembro começou a fazer entrega de pastéis de nata em casa.

"Isso, com a tenda aqui fora, salvou o negócio. E agora tripliquei as vendas aqui", disse, apesar de ter fechado três outras localizações em Nova Iorque.

Com um riso, a lembrar outros tempos que parecem tão distantes e diferentes, refletiu: "Eu, no fim de 2019, às vezes vendia 20 mil natas por semana, com três empregados. Estava muito potente" e os mercados locais ou feiras em que participava davam sempre mais impulso.

A transformação do conceito começou com música brasileira aos domingos e "foi imediatamente um sucesso", considerou à Lusa, acrescentando: "Até de inverno, [os clientes] vêm para dançar o forró nos domingos".

"Mas o que eu descobri que funcionava mesmo bem, mesmo no inverno, era a comédia", partilhou ainda. "O pessoal não quer vir sentar para o 'DJ', mas para a comédia sentam-se", disse Joey Bats.

Quando teve a ideia, começou por convidar uma comediante amiga e nos dias seguintes recebeu propostas de outros comediantes que queriam fazer 'stand-up comedy'.

"Preenchemos os dias quase todos. Agora tenho três 'shows', seis noites por semana", afirmou.

"Eu antes pensava em abrir vários cafés aqui em Nova Iorque, Miami e tal, mas agora o conceito está de uma maneira que, talvez, não vou só abrir um café, vai ser um 'lounge' que também venda pastelaria portuguesa. 'I don't know', eu como empreendedor estou sempre a tentar novas coisas", continuou.

A mudança esteve sempre presente no negócio de Joey Bats, que depois de abrir o primeiro café em 2018 focado na venda de pastéis de nata, acrescentou natas de chocolate e vai introduzir outros sabores mais arrojados: maracujá ou vinho do Porto, além dos pastéis veganos.

Apesar de os sabores não tradicionais terem menos popularidade em Portugal, Joey Bats mostrou-se confiante: "Aqui os americanos vão adorar isso. Principalmente porque os meus melhores clientes são asiáticos e eles adoram sabores".

Outros 'salgadinhos' e as mais variadas receitas inspiradas em comida portuguesa começaram a entrar na ementa, pelas mãos da mãe de Joey, Isabel Fernandes, como pastéis de Chaves de diferentes ingredientes ou aperitivos a que chamaram 'os transmontanos'.

"O pessoal está a adorar", garantiu.

O futuro por enquanto é indefinido, pois não há uma posição clara das autoridades da cidade até quando se podem usar as tendas.

"Eu investi uns 20 mil dólares, mas tenho amigos que investiram quase 100 mil dólares. A cidade tem que pensar nisso", declarou, acrescentando que também tem de levar em conta soluções para continuar a receber clientela no inverno, quando as temperaturas são negativas e a neve se acumula.

Localizado em Lower East Village, uma região da cidade com muitos bares, restaurantes e discotecas e onde as noites de fim de semana convidam muitos nova-iorquinos a sair, o café de Joey Bats está "a bater forte" há vários meses e a pandemia poderá deixar de ser uma preocupação durante o verão, considerou o luso-americano.

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