Liz Truss nomeou ultra-eurocéticos para Ministério da Irlanda do Norte

Chris Heaton-Harris e Steve Baker foram nomeados por Liz Truss esta quarta-feira ministro e secretário de Estado da Irlanda do Norte, respetivamente.

A nova primeira-ministra britânica nomeou dois conhecidos eurocéticos para o Ministério da Irlanda do Norte, mas deverá negociar com a União Europeia (UE) antes de suspender o acordo do Brexit para a Irlanda do Norte, afirmou uma analista britânica.

Falando num 'briefing' promovido pela consultora Global Counsel, a diretora Lilah Howson-Smith, afirmou acreditar que existe algum "espaço e tempo" para Londres e Bruxelas tentarem encontrar um entendimento.

Chris Heaton-Harris e Steve Baker foram nomeados por Liz Truss na quarta-feira ministro e secretário de Estado da Irlanda do Norte, respetivamente.

Ambos são líderes do chamado Grupo de Pesquisa Europeia [European Research Group], um grupo de deputados ultraeurocéticos do Partido Conservador que bloqueou o acordo para o 'Brexit' da ex-primeira-ministra Theresa May por causa da solução para a Irlanda do Norte e continuou a fazer pressão sobre Boris Johnson para abolir a aplicação de regras europeias na província britânica no pós-Brexit.

Foi Liz Truss que introduziu, em junho, quando ainda era ministra dos Negócios Estrangeiros, a proposta de lei que visa alterar partes do Protocolo sobre a Irlanda do Norte do Acordo de Saída do Reino Unido da UE, e que aguarda a conclusão da aprovação pelo parlamento.

O Protocolo, concluído em 2019 durante o processo do Brexit, procurou evitar uma fronteira física com a Irlanda, um dos requisitos dos acordos de paz de 1998 para o território.

Todavia, partidos 'unionistas' da Irlanda do Norte e eurocéticos rejeitam com a solução que cria na prática uma fronteira aduaneira a província britânica e o resto do Reino Unido, complicando a circulação de mercadorias.

"Não esperamos que seja tomada qualquer ação até 15 de setembro, que é o prazo de resposta às ações de incumprimento da UE, e os períodos de carência vão ser estendidos recorrendo a argumentos jurídicos questionáveis, mas não existe um compromisso imediato para acionar o artigo 16.º, como se especulou", afirmou Howson-Smith.

Segundo a analista, nas próximas semanas a primeira-ministra britânica vai estar concentrada nas prioridades de apresentar medidas para a crise da energia e cumprir a promessa de reduzir impostos.

"Isto cria algum espaço para diplomacia de alto nível", afirmou.

Atualmente estão em vigor períodos de carência que evitam a aplicação dos controversos controlos e certificados sanitários sobre produtos de origem animal e vegetal necessários entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte, que no âmbito do Protocolo, está sujeita às regras do mercado único europeu.

Na quarta-feira, Truss afirmou estar "empenhada" em trabalhar com "todas as partes" para resolver a crise sobre o o estatuto pós-Brexit da Irlanda do Norte, dizendo que prefere "uma solução negociada".

"Precisamos de abordar as questões do protocolo da Irlanda do Norte, que prejudicou o equilíbrio entre as comunidades na Irlanda do Norte", disse Liz Truss durante seu primeiro debate com deputados como chefe de governo.

A sucessora de Boris Johnson disse estar "determinada a fazer isso e determinada a trabalhar com todas as partes para encontrar uma solução", mas disse que a "solução negociada (...) deve levar em conta os elementos de nossa legislação sobre o protocolo da Irlanda do Norte".

Na terça-feira, quando tomou posse, Truss e o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, "concordaram com a importância de proteger" a paz na Irlanda do Norte, numa conversa por telefone.

Ao tomar conhecimento da vitória de Truss na eleição para a liderança do partido Conservador, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou esperança numa "relação construtiva, no pleno respeito pelos nossos acordos".

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