Kremlin classifica discurso de Biden na ONU como "indecente"

Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia descreveu a forma como as palavras de Putin estavam a ser distorcidas por Biden e pela imprensa norte-americana como "propaganda" e como o "contrário do que realmente foi dito".

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, classificou o discurso de Joe Biden na ONU como "indecente" e acusou o presidente dos Estados Unidos de citar erradamente o seu homólogo russo, Vladimir Putin.

"Quanto ao discurso do presidente dos Estados Unidos, considero absolutamente indecente como começou. Indecente não porque eles não têm nada a fazer e não têm o direito de tocar noutros países. Nós, como sempre fazemos, começamos a verificar as palavras de Biden. Biden disse isso convictamente, mas o presidente da Rússia não disse isso", afirmou a representante do Kremlin, citada pela agência de notícias russa RIA.

Zakharova descreveu a forma como as palavras de Putin estavam a ser distorcidas por Biden e pela imprensa norte-americana como "propaganda" e como o "contrário do que realmente foi dito".

No seu discurso da ONU, Biden acusou a Rússia, "um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas", de ter invadido um país vizinho e tentar "apagar um estado soberano do mapa". "O presidente Putin fez ameaças nucleares evidentes contra a Europa, em desrespeito temerário pelas responsabilidades de um regime de não-proliferação. Agora a Rússia está a chamar mais soldados para se juntarem à luta, e o Kremlin está a organizar um referendo fraudulento para tentar anexar partes da Ucrânia em violação gravíssima da Carta das Nações Unidas", afirmou esta quarta-feira.

"Putin alega que tinha de agir porque a Rússia se sentia ameaçada. Mas ninguém ameaçou a Rússia e ninguém, a não ser a Rússia, procurou este conflito", disse Biden. Mais à frente, perante os comentários do líder russo de que poderá recorrer ao arsenal nuclear, reiterou o que já tem afirmado sobre a ameaça das armas atómicas: "Uma guerra nuclear não pode ser ganha nem pode ser travada."

Já Vladimir Putin mencionou no seu discurso que o Ocidente lançou uma "chantagem nuclear".

"Estamos a falar não apenas do bombardeamento da central nuclear de Zaporizhzhia, que é encorajado pelo Ocidente, mas também das declarações de alguns dos mais altos representantes da NATO sobre a possibilidade de uso de armas de destruição maciça e armas nucleares contra a Rússia. Para aqueles que fazem tais declarações, gostaria de recordar que o nosso país também possui vários meios de destruição, alguns dos quais mais modernos que os dos países da NATO. Se a integridade territorial do nosso país estiver ameaçada, certamente que vamos utilizar todos os meios à nossa disposição para proteger a Rússia e o nosso povo. Isto não é um bluff. Aqueles que nos tentam chantagear com armas nucleares devem saber que o cata-vento pode virar e apontar para eles", frisou o líder do Kremlin na manhã desta quarta-feira.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e quase sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções em todos os setores, da banca à energia e ao desporto.

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